sexta-feira, 3 de julho de 2026

Juntos pela biosfera. [Biologia da Conservação].

 

 



 

Provavelmente Campo Cerrado. Senador Canedo-GO, março 1995. Foto do autor.

 

“I can hear the whole world singing together

I can hear the whole world sing, "It's now or never"

'Cause it's not too late if we change our ways

And connect the dots to our problems

I can hear the whole world sing, "We're in this together"

"We're in this together. (Goulding & Price 2019)."

 

“Ouço todo o mundo cantando junto

Ouço todo o mundo cantar ‘agora ou nunca’

Porque ainda podemos contornar a situação

E resolver nossos problemas

Posso ouvir todo o mundo cantar ‘estamos juntos’

‘Estamos juntos’. (Tradução Livre)”.

 

Oi pessoal! Tempos difíceis para a vida na Terra: como nós, estudantes da natureza, avaliamos rotineiramente. Mas, nesta postagem gostaria apenas de tecer algumas alternativas simples. Toda a bibliografia segue no item “referências”, a seguir.

E como de costume... De volta ao passado. Tirei a foto da imagem acima a mais de 30 anos atrás, em uma área talvez coberta por campo cerrado. Um registro rudimentar, produzido com câmera fotográfica analógica e amadora. Meu avô materno viveu décadas próximo ao ponto deste registro, e cresci brincando neste remanescente de campo nativo do Brasil Central.

Esta cobertura nativa não existe mais... Foi rapidamente substituída por ambiente urbanizado, sendo hoje um bairro populoso de Senador Canedo, região metropolitana de Goiânia. Infelizmente, histórias assim se repetem por todo o planeta, com o avanço da antropogenização por uma humanidade cada vez mais numerosa.

Por outro lado, ao menos em nosso país, pouco tem sido sendo feito para conservar a natureza. Como biólogos - estudantes da vida – devemos nos esforçar para propor soluções que amenizem tais impactos. Abaixo algumas breves sugestões, muitas das quais já constam em várias outras postagens.

 

a). Cultura da natureza. Um esforço para divulgar as paisagens naturais brasileiras e sua biodiversidade. A divulgação de nossos povos originários, e o modo como eles lidam com natureza, também destacaria mais a biodiversidade brasileira.

b). Hábitos minimalistas. Ensinar sobre a importância de uma vida mais simples, com menos consumo e maior sustentabilidade, também amenizaria muitos problemas, dentre os quais a poluição.

c). Serviços ecossistêmicos. Nos continentes, as paisagens naturais são grandes depositórios de água-doce e solo fértil. Sequestro de carbono e manutenção das condições climáticas favoráveis também são serviços ecossistêmicos prestados pela cobertura vegetal nativa, em interação com os demais seres vivos.

d). E finalmente, complementando o item “a”, um esforço para ensinar que somos parte da biosfera, ao invés de seres separados e manipuladores conforme nossos próprios interesses.

 

Assim, conforme a melodia de Goulding & Price (2019, Vídeo 1), tema da série Our Planet (Attenborough 2019): juntos, ainda teremos chance.

 

 


 

 

Video 1. Goulding & Price (2019).

 

Juntos, conectados com a natureza, como sempre estivemos... Por amor à biosfera. 

Abraços a todos, e boas férias!

 

Referências

Attenborough, D. Our Planet – Netflix. 2019. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=aETNYyrqNYE > . Acesso em: 03-07-2026.

Blamires, D. Quadros Goianos: Fisionomias de Cerrado no estado de Goiás. São José dos Pinhais: Editora Brazilian Journals, 2025. DOI: 10.35587/brj.ed.978-65-6016-119-1

Diamond, J. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

Ehrlich, P. R. O mecanismo da natureza: o mundo vivo à nossa volta e como funciona. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1993.

Fernandez, F.  O poema imperfeito: crônicas de biologia, conservação da natureza, e seus heróis. Curitiba: Editora da UFPR, 2005.

Goulding, E., Price, S. 2019. In this together: our planet – music video Netflix. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=btSDddn1Vew > . Acesso  m: 03-07-2026.

Kolbert, E. A sexta extinção: uma história não natural. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.

Lovelock, J. E. Gaia: alerta final. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.

Oliveira-Filho, A. T., Ratter, J. A. Vegetation physiognomies and woody flora of the Cerrado Biome. In: Oliveira, P. S., Marquis, R. J. (Eds.). The Cerrados of Brazil: ecology and natural history of a neotropical savanna. New York: Columbia University Press, 2002.

Primack, R. B., Rodrigues, E. Biologia da conservação. Londrina: Editora Midiograf, 2002.

Wilson, E. O. Naturalista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

Wilson, E. O. Peters, F. M. Biodiversidade. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1997.

Wilson, E. O. O Futuro da Vida. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2002.

Wilson, E. O. Cartas a um jovem cientista. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2015.

 

Publicação nº 100.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Iniciação Científica: uma especialização. [Orientações].

 

 



 

Recorte (print) na plataforma “Athena-UEG”. Recomendação dos meus cinco candidatos Iniciação Científica. Fonte: perfil UEG do Autor: 23-06-2026.

 

Oi pessoal!

Aproveitando a satisfação dos cinco planos iniciação científica de meus candidatos terem sido “recomendados”, para discorrer um pouco neste sentido. O que é, e para que serve a “Iniciação Científica”? De fato, é uma atividade extremamente importante para a formação acadêmica, que infelizmente nem todos conseguem. Eu mesmo, não tive esse privilégio na graduação, devido talvez à exaustiva rotina nesta época (ver Blamires 2025, entre outros).

Na Iniciação Científica, o discente comporá o grupo de pesquisa de um projeto científico, tendo alguma atividade peculiar de aproximadamente um ano como “iniciante científico”: um pesquisador em formação. Os detalhes sobre a atividade são normalmente publicados em Edital, como o UEG PRP 04/2026, deste último processo seletivo.

De modo geral, o aluno IC tem os seguintes deveres:

 

a). Participar ativamente da pesquisa, em seus vários aspectos. Por exemplo, coletando dados em campo, compilando-os em planilhas, colaborando nas análises, etc.;

b). Cada discente IC tem uma função própria no grupo de pesquisa, sendo responsável por uma atividade individual que deve ser apresentada, ao final da iniciação, como relatório.

 

Importante salientar que o relatório IC pode ser ajustado e defendido como trabalho de conclusão de curso (TCC): muitos discentes pós-iniciação científica fazem isso, e assim ganham mais tempo nos finais de ano, ao ajustarem seus relatórios finais IC como monografias.

Alunos que receberam bolsas são normalmente  obrigados a apresentar sua pesquisa em algum evento de sua Universidade, tipo nosso CEPE – Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão/UEG. O último foi final do ano passado, em Palmeiras de Goiás (PrP-UEG 2025).

De fato, alguns alunos recebem auxílio financeiro, sendo assim “bolsistas IC”. Contudo, penso que o mais essencial são as horas de aprendizado, em uma atividade que não consta na grade curricular básica. A IC é um assunto extra-classe, que perfaz a especialização em algum tema específico, para o qual o aluno se interessa. Assim, a dedicação à atividade pode ser imprescindível para o iniciante sair do curso autônomo em um determinado tema, merecendo assim mais destaque no futuro profissional e  processos seletivos, respectivamente.

No final, até anos após as rotinas formais da IC, um ou mais trabalhos da pesquisa são publicados, sendo os iniciantes também autores dos artigos, livros, capítulos e todos os demais produtos finais do estudo em equipe. Como já salientei muitas vezes, em postagens e durante as aulas, um graduado com publicação tem mais respaldo curricular do que seus concorrentes.

Então pessoal, segue a dica: busquem a Iniciação Científica, e aproveitem sua grande oportunidade de aperfeiçoamento profissional e acadêmico. À oportunidade, agradeço antecipadamente os alunos Aldierys Santos, Edme Duarte, Gabriela Rodrigues, Jessica Gonçalves e Wallaf Alves ao interesse por meus projetos.

Obrigado a todos, e vamos indo!

 

Referências

Blamires, D. A bicicleta. [Orientações]. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/search?q=bicicleta > . Acesso em: 23-06-2026.

PrP: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação-UEG. Seminários regionais de ensino, pesquisa e extensão da UEG. 2025. Disponível em: < https://www.ueg.br/prp/noticia/71236_seminarios_regionais_de_ensino_pesquisa_e_extensao_da_ueg_2025 > . Acesso em: 23-06-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Como redigir nomes científicos. [Todas as disciplinas].

 

 



Nome científico da espécie humana, com detalhes. Imagem: Autor, 10-06-2026.

 

Oi pessoal! Em momentos como agora - de encerramento e correção de avaliações – verifico um erro comum, do qual normalmente não retiro pontos, mas apenas registro alguma advertência tipo: “nomes científicos devem ser grifados”, ou “termo genérico com letra maiúscula”, etc. Não se trata de um erro apenas de vocês graduandos, mas também percebi este problema quando lecionei nos mestrados.

Assim, esta postagem é uma simples dica, sobre como apresentar corretamente a nomenclatura científica. Então, considerando o nome científico de nossa espécie (Wikipédia 2026), seguem as regras básicas para redação de um nome científico, sincronizadas conforme  a imagem acima:

 

1). Nome científico. Constituído por “termo genérico” e “epíteto específico”. Nomenclatura binária que deve ser grifada em textos manuscritos, ou destacada em itálico nos textos digitados;

2). Termo genérico. Designa o gênero ao qual a espécie pertence. Apresentado com letra inicial maiúscula e destacado (grifado ou itálico, ver item anterior);

3). Epíteto específico. Indicador da espécie, devendo também ser destacado com grifo ou itálico, respectivamente;

4). Autor. Sobrenome do pesquisador responsável por descobrir e relatar cientificamente a espécie. Uma vírgula segue após o autor;

5). Data de descrição. Ano em que a descoberta da espécie e a atribuição de seu nome científico foi formalmente publicada.

 

Há muitos acréscimos, com relação a espécies e subespécies, entre outros níveis taxonômicos. Mas, é basicamente assim que nomes científicos são redigidos. Quando se desconhece o epíteto específico, então é escrito, por exemplo, algo tipo Homo sp. Por outro lado, ao relatar duas ou mais espécies de um gênero, é redigido Homo spp. Notem que “sp.” ou “spp.” não são destacados com grifo ou itálico.

Muitos textos não inserem autor e data de descrição, para melhorar a fluência, e não estão necessariamente errados por isto. Em suma, esta foi uma postagem técnica, carente de referências,  podendo ser ampliada no futuro. Contudo, este é um daqueles assuntos que aprendemos mais na prática do que explicando os detalhes.

Abraços a todos!

 

Referências

Wikipédia: a enciclopédia livre. Humano. 2026. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Humano > . Acesso em: 10-06-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O que é vida? [Origem da Vida].

 



Projeção exposta em sala-de-aula. Fonte: Autor; atualizada em 19-05-2026.

 

O dilema do Pintor Paul Gauguin (imagem), detalhado no prólogo de Wilson (2013), talvez abranja uma das perguntas mais frequentes da humanidade a milênios. Ao refletir sobre vida, talvez todas as culturas Homo sapiens, nestes últimos 50 mil anos, tenham perguntado:

 

“De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?”

 

E assim surgiram muitas religiões e filosofias. Mas são dúvidas que podem ter surgido muito antes, frente a dois vastos e emocionantes mistérios: o inexplicável êxtase da paternidade, quando nasce um descendente; a impotência perante a morte, que não poupa ninguém.

De qualquer modo, a expectativa da perda dos parentes e outros membros do bando que pereciam, provavelmente instigou tais dúvidas muito antes de 50 mil anos, quando surgiu o homem de comportamento moderno (Brandão & Neves 2016). Afinal, sepulcros de Homo Naledi na África do Sul remontam aproximadamente 250 mil anos (Netflix 2023). Outras sepulturas de H. sapiens e H. neanderthalensis, com 120-80 mil anos, também foram descobertas no Oriente Médio (Wilson 1981, Radley 2024, What’s on Netflix 2024).

Mas, cientificamente, como poderíamos conceituar vida? Esta concepção deve ser pensada para “além da Terra”, na expectativa de encontrar vida alienígena: o âmbito da “Exobiologia (Mullen 2013)”. Neste sentido, o médico e professor estadunidense Gerald Joyce (Wikipédia 2026, Figura 1), define vida como:

 

“...um sistema químico autossustentável capaz de evolução darwiniana.” (Mullen 2013).

 



Figura 1. Gerald Joyce, PhD. Docente, Skaggs Institute for Chemical Biology, EUA. Fonte: Mullen (2013).

 

A concepção de Joyce parece ir de encontro à reflexão de Dawkins (2001), na qual a evolução darwiniana provavelmente vale não apenas na Terra, mas para onde houver vida em todo o universo. Gómez-Márquez (2021) segue esta mesma corrente, conceituando vida como “um processo que se dispõe em estruturas orgânicas organizadas, capazes de pré-programação, interação, adaptação e evolução (Tradução Livre).”

Então... Como ficariam os vírus, neste contexto? Goméz-Márquez (2021), considera os vírus seres vivos. Afinal, vírus evoluem mediante condições ambientais, apesar de possuírem apenas um tipo de ácido nucléico (Meneghetti & Facundo 2014, Blamires 2022).

Assim, apesar de todas as dúvidas projetadas pela mente humana sobre vida, a concepção científica abrange, basicamente, quaisquer sistemas autossustentáveis e capazes de evoluir. Uma visão que perfaz não apenas a vida em nosso planeta, mas quaisquer outras a serem possivelmente descobertas em outros sistemas estelares.

 

Referências

Blamires, D. A luz da evolução nas ciências biomédicas: biologia evolutiva, pandemias, e o legado de três cientistas para a humanidade. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 3, p. 17832-17840, 2022. DOI: 10.34117/bjdv8n3-154

Brandão, M. C. T., Neves, W. Como nos tornamos humanos. Curitiba: Editora CRV, 2016.

Dawkins, R. O relojoeiro cego: a teoria da evolução contra o desígnio divino. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2001.

Goméz-Márquez, J. What is Life? Molecular Biology Reports, 2021. DOI: https://doi.org/10.1007/s11033-021-06594-5

Meneguetti, D. U. O., Facundo, V. A. Vírus ser vivo ou não? Eis a questão. Revista de epidemiologia e controle de infecção, v. 4, n. 1, 2014.

Mullen, L. Defining Life: Q&A with Scientist Gerald Joyce. 2013. Disponível em: < https://www.space.com/22210-life-definition-gerald-joyce-interview.html > . Acesso em: 03-06-2026.

Netflix. UNKNOWN: Cave of Bones (Official Trailer. 2023. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=D85B4rVcFtk > . Acesso em: 03-06-2026.

Radley, D. Neanderthals and early Homo sapiens had different burial practices, study suggests. Archaeology News: online magazine. 2024. Disponível em: < https://archaeologymag.com/2024/11/neanderthals-and-homo-sapiens-had-different-burial-practices/ > . Acesso em: 03-06-2026.

Wilson, E. O. Da natureza humana. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981.

Wilson, E. O. A conquista social da Terra. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.

What’s on Netflix. Secrets of the Neanderthals - Netflix Trailer. 2024. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=n_hn_Ov2qpk > . Acesso em: 03-06-2026.

Wikipédia. Gerald Joyce. 2026. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Gerald_Joyce > . Acesso em: 03-06-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O Livro DCDH e o décimo terceiro texto. [DCDH].

 


 

Capa de Blamires (2026).

 

Oi pessoal! Meu quinto E-book foi publicado ontem, sendo esta postagem – o 13° e último texto de DCDH - sua sinopse. Nos primeiros semestres de 2024 e 2025, fui redigindo textos de DCDH para este Blog sobre vários assuntos. O objetivo era ajudar vocês nos estudos, com enfoque nos temas discutidos em sala-de-aula.

E realmente, discutimos muito estes temas! A disciplina DCDH é oferecida a alunos do primeiro semestre: grande parte participativa, alegre e “descolada”, como convém a discentes de nível superior. Baseei-me em muitos comentários e reflexões de vários alunos ao longo destas aulas, as quais eram mais “mesas-redondas”. Foi muito gratificante trabalhar com vocês, à época discentes deste semestre inicial de nosso curso.

Um total de 12 textos compõem o livro, sendo o propósito desta coletânea – minha primeira antologia –não deixar as sínteses de várias destas aulas esquecidas: afinal, não lecionarei mais DCDH. Convém ressaltar que, na versão manuscrita,  fiz uma dedicatória a vocês nas primeiras páginas pela participação espontânea em sala, a qual foi removida pela editora no processo de formatação e licenciamento para publicação.

De modo geral, os textos abrangem antropologia, sociologia, história e economia. Como disse várias vezes em sala, aparentemente esta disciplina visa combater preconceitos: algo indispensável para discentes de Ciências Biológicas, que devem enxergar o mundo como cidadãos cosmopolitas, além de todas as ficções e sistemas de “nós e eles” que compõem a neurologia de nossa espécie.

Neste contexto, citei importantes referências, como Harari (2017, 2018), Lopes (2021) e Wilson (1981, 2013, 2018), inclusive sobre considerar nossos fundamentos biológicos, para compreender muitos comportamentos inatos do Homo sapiens. Também defendi amplamente a democracia secular, citando as devidas referências (Harari 2018, Lopes 2021, entre outras). No mais, constam vários trechos que refutam todos os sistemas comprometedores da liberdade de expressão e desenvolvimento humano.

Na capa do livro e no prefácio, fiz breves homenagens à Cidade de Goiás, importante berço cultural de nossa paisagem. Também homenageei Cora Coralina, a mais ilustre cidadã vilaboense, e na minha opinião o maior gênio cultural de nosso estado.

Assim, prezados alunos, esforcei-me nestes textos para defender a liberdade de expressão, pensamento, bem como aceitar ao máximo as pessoas como elas de fato são. Combater preconceitos, um câncer social que notoriamente impede a paz e o avanço dos povos, é um dever de todos nós no ensino superior.

Mas, insisto a vocês que não percam a vontade de perguntar e participar das aulas, e assim manter o ânimo do primeiro semestre. Esta é minha sugestão, a qual deixei escrita neste último E-book (Blamires 2026), bem como neste 13º e último texto de DCDH. Apesar de ser  referência intelectual, o mundo acadêmico não é perfeito, tendo também fortes componentes humanos de “nós e eles” e preconceitos contra minorias, como em todos os demais sistemas coletivos de nossa espécie. E a meu ver... O interior goiano parece ser uma das paisagens onde tais atitudes são mais acentuadas.

Então persistam, prezados alunos: continuem alegres, espontâneos e sem medo de fazer perguntas! E novamente parafraseando Sagan (2006, p. 364):

 

“Há perguntas ingênuas, perguntas enfadonhas, perguntas mal formuladas, perguntas propostas depois de uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para compreender o mundo. Não existem perguntas imbecis.”

 

Abraços a todos, e obrigado!

 

Referências

Blamires, D. Sem medo de perguntar: doze textos de diversidade, cidadania e direitos humanos. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2026. Disponível em: < https://brazilianjournals.com.br/assets/ebooks/880dI5bRsuD213PH7m94oT4xNc0LWQq6.pdf > . Acesso em: 21-05-2026.

Harari, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade (30ª ed.). Porto Alegre: Editora L&PM, 2017.

Harari, Y. N. 21 lições para o século 21. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2018.

Lopes, R. J. Homo ferox: as origens da violência humana e o que fazer para derrota-la. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2021.

Sagan, C. E. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2006.

Wilson, E. O. Da Natureza Humana. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981.

Wilson, E. O. A Conquista Social da Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Wilson, E. O. O sentido da existência humana. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.


sábado, 16 de maio de 2026

Aves urbanas e plataforma Wikiaves no ENBIP. [Orientações].

 

 



 

Detalhe do mini-curso sobre ornitologia urbana e plataforma Wikiaves, XXI ENBIP. Foto do Autor: 13-05-2026.

 

Caros orientados. Pois é: o tempo passa...

Em 1999, recém aprovado no Mestrado Biologia/Modalidade Ecologia-UFG-Goiânia, estive pela primeira vez na UEG-Iporá, ministrando um mini-curso, talvez sobre “Teoria de Biogeografia Insular”: lá se vão 27 anos, e simplesmente não me lembro ao certo. De qualquer modo, talvez este tenha sido o primeiro “Encontro de Biologia/UEG-Iporá (ENBIP)”.

No ano seguinte, participei de outro ENBIP (ou evento similar), onde ministrei uma palestra. Em 2001, recém-mestre, comecei a lecionar em nosso curso como docente em regime temporário: uma história que já contei no prefácio de dois livros (Blamires 2022, 2023).

Em 2001, também iniciei as pesquisas de campo aqui em Iporá com aves urbanas, sendo a professora Flávia Damascena Silva - hoje minha colega docente – uma de minhas primeiras orientadas. Desde então, nunca mais parei de pesquisar por aqui. Mesmo quando voltei para o doutorado em Goiânia, continuei analisando dados provenientes desta paisagem.

Com a ajuda de sua professora Flávia, publicamos um trabalho pioneiro, sobre as aves no Lago Pôr do Sol (Silva & Blamires 2007). As pesquisas com ornitologia urbana foram aumentando significativamente, e culminaram em meu primeiro livro: Blamires (2022) é um modesto E-book de fotografias ornitológicas, que sintetiza todos os estudos com aves urbanas iporaenses, ao longo de 21 anos.

As pesquisas avifaunísticas na malha urbana de Iporá continuam. Mas como prescrevi, estão agora no  final, e espero podermos estudar ornitologia urbana nas cidades circunvizinhas (Blamires 2025).

Neste último ENBIP, tive a oportunidade de proferir um minicurso sobre aves urbanas a vários discentes de nosso curso, além de contar muito desta história, que agora completa 25 anos. Mas também ressaltei vários aspectos, inclusive sobre a alta riqueza, abundância e facilidade de amostragem e monitoramento de aves em meio urbano (Chace & Walsh 2006).

Também sugeri aos alunos o cadastro na plataforma Wikiaves (https://www.wikiaves.com.br/), a prática da ciência cidadã (Paoli et al. 2021), bem como a facilidade de desenvolver pesquisas teóricas com dados avifaunísticos de cidades brasileiras, disponíveis gratuitamente nesta plataforma ornitológica (por exemplo, Blamires & Silva 2025). Encerrei o trabalho expondo a projeção da Figura 1, onde também consta o link de outro texto ornitológico deste meu Blog.

 

 

Figura 1. Projeção apresentada no mini-curso sobre ornitologia urbana e plataforma Wikiaves, XXI ENBIP. Fonte:Autor, 13-05-2025.

 

E como prescrevi (Blamires 2025), há vagas para orientações, sobretudo destinadas a pesquisas nos municípios circunvizinhos a Iporá. À oportunidade, agradeço a professora Marcela Cristofolli, e aos monitores do mini-curso Patrícia Santos Rodrigues e Eduardo H. Siqueira Ávila, imprescindíveis para o sucesso desta apresentação.

Obrigado também a todos os discentes que participaram. Abraços, pessoal!

 

Referências

Blamires, D. Aves Urbanas de Iporá, estado de Goiás: baseado em 11 inventários avifaunísticos na malha urbana municipal, 1ª. edição. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2022. DOI: 10.35587/brj.ed.0001822

Blamires, D. Ecologia no quadro: temas ecológicos com figuras manuscritas. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2023. DOI: 10.35587/brj.ed.0002193

Blamires, D. Aos discentes das cidades próximas. [Orientações]. Resumos das Aulas. 2025. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2025/09/aos-discentes-das-cidades-proximas.html > . Acesso em: 16-05-2026.

Blamires, D., Silva, B. M. Avifauna de Iporá, estado de Goiás: uma revisão com base na plataforma Wikiaves. Revista Mirante, v. 18, n. 1, p. 46-70, 2025.

Chace, J. F., Walsh, J. J. Urban effects on native avifauna: a review. Landscape and Urban Planning, v. 20, p. 202-226, 2006.

Paoli, T., Rumenos, N. N., Doro, J. L. P., Faciolla, L. S., Tomé, I. M. O Estado da Arte das pesquisas sobre Ciência Cidadã no Brasil. In: XIII Encontro Nacional de Pesquisa e Educação em Ciências. XIII ENPEC, ENPEC em Redes, 2021.

Silva, F. D. S., Blamires, D. Avifauna urbana no Lago Pôr do Sol, Iporá, Goiás, Brasil. Lundiana, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 17-26, 2007.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

Juntos pela biosfera. [Biologia da Conservação].

      Provavelmente Campo Cerrado. Senador Canedo-GO, março 1995. Foto do autor.   “I can hear the whole world singing together ...