quarta-feira, 29 de outubro de 2025

O tabuleiro pioneiras-clímax. Ensaio sobre reflorestamento de áreas degradadas. [Biologia da Conservação].

 




Tabuleiro espécies pioneiras x clímax. Fonte: Autor, 29-10-2025.


Oi pessoal! Este texto segue com poucas referências e requer amplo complemento. Mas só gostaria de compartilhar preliminarmente algo que aprendi de modo tácito anos atrás, sobre reflorestamento (recuperação) de fisionomias vegetais degradadas.

Durante alguns meses em 1998, recém-formado, trabalhei como Analista Ambiental na extinta “Fundação do Meio Ambiente de Goiás (FEMAGO)”, sediada na capital Goiânia. Fiscalizávamos áreas para autorizar ou coibir atividades tipo dragagem e construções, com avaliação de impactos antropogênicos. Também era necessário exigir medidas mitigadoras, para que as atividades prosseguissem.

Uma destas medidas de mitigação era reflorestar áreas de preservação impactadas, tipo margens de mananciais. O que aprendi com os demais colegas de trabalho, consistia no replantio de espécies predominantemente nativas (não exóticas), conforme a imagem acima, o qual repasso a anos aos alunos no final do assunto “sucessão ecológica”, atualmente ministrado em Ecologia II.

Assim, o princípio do “tabuleiro pioneiras-clímax”, consiste basicamente em reflorestar intercalando plantas nativas pioneiras (estrategistas “r”), com plantas clímax (estrategistas “k”), sendo também necessário considerar uma distância padronizada entre as mudas. Uma tabela sobre estratégia de vida é apresentada em Pianka (1994, p. 191), a qual traduzi e publiquei em meu livro de ecologia (Blamires 2023, p. 16).

Àqueles que pretendem aprofundar no assunto, recomendo checar a página EMBRAPA AGROBIOLOGIA (2025), com amplo acervo sobre recuperação de áreas degradadas. Futuramente, espero ampliar a revisão e voltar mais detalhadamente a este assunto.

 

Referências

Blamires, D. Ecologia no quadro: temas ecológicos com figuras manuscritas. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2023. DOI: 10.35587/brj.ed.0002193

EMBRAPA AGROBIOLOGIA. Recuperação de Áreas Degradadas. 2025. Dsiponível em: < https://www.embrapa.br/agrobiologia/recuperacao-de-areas-degradadas > . Acesso em: 29-10-2025.

Pianka, E. R. Evolutionary Ecology, fifth edition. New York: HarperCollins College Publishers, 1994.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Wilson e a conquista social da Terra [Evolução Orgânica].

 




Capa de Wilson (2013). Fonte: https://www.amazon.com.br/conquista-social-terra-Edward-Wilson-ebook/dp/B00C7YD69O

 

Oi pessoal! Acabei de ler outro livro de Edward O. Wilson (Stone & Greshko 2022), meu maior mentor, como já prescrevi tantas vezes. “A conquista social da Terra (Wilson 2013)”, deve ser um das últimas obras deste icônico naturalista estadunidense, traduzida para o português: um livro de difícil leitura, muitos apontamentos sujeitos a controvérsias, mas que merece interesse por todos que se dedicam à biologia evolutiva. Nesta postagem, pontuarei apenas alguns aspectos, sendo para mim difícil redigir uma sinopse mais detalhada sobre um trabalho com muitas teses complexas.

Wilson (2013) começa seu livro com uma reflexão, encontrada em um dos quadros de Paul Gauguin (Wikipédia 2024), pintor franco-peruano que viveu seus últimos anos na Oceania:

 

D’où venons nous/ Que sommes nous/ Où allons nous

 

Do francês: “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?” Os dilemas de Gaughin intitulam as três partes básicas do livro. Uma ampla explicação sobre eussocialidade é apresentada, com paralelos entre insetos sociais e as espécies do gênero Homo, as quais Wilson (2013) também considera eussociais.

Outros exemplos de eussocialidade também são apresentados, sendo a origem dos animais eussociais provavelmente relacionada à evolução de alimentadouros para imaturos fortemente vigiados. Insetos eussociais, cujas características básicas remontam a era mesozoica, coevoluiram com as condições bióticas, gerando até hoje condições favoráveis para o solo e muitos serviços ecossistêmicos. Humanos, por outro lado, evoluíram rapidamente enfrentando a natureza, provavelmente levando a relações menos sustentáveis com os recursos naturais.

O autor pontua a importância de certos aspectos para a evolução da consciência humana, impossível de acontecer nos insetos eussociais, ou até mesmo em mamíferos também muito inteligentes, como os cetáceos. Segundo Wilson (2013), animais carnívoros e sociais com postura bípede e uso do fogo favoreceram a evolução de um cérebro mais complexo. Isto porque, braços soltos proporcionaram melhor manuseio de objetos e favoreceram a produção de artefatos; alimentos cozidos pelo fogo melhoraram a absorção de mais nutrientes e agregaram seus indivíduos em torno de fogueiras, favorecendo assim “alimentadouros protegidos”. Uma interessante projeção é apontada, provinda de um estudo publicado em Promethean Fire e postula que, se dinossauros bípedes como velociraptors - carnívoros bípedes com mãos complexas - tivessem sobrevivido, eles poderiam originar uma linhagem consciente, capaz de produzir artefatos e manipular o fogo.

Um apontamento ainda controverso por muitos em “conquista social da Terra” são as críticas à seleção de parentesco e a inequação do altruísmo de Hamilton (Wikipedia 2025). Segundo amplos estudos, o autor e outros colaboradores demonstraram que a “Regra de Hamilton” é matematicamente improvável, sendo melhor explicar a origem da eussocialidade pelo princípio da seleção de grupo, ou uma força seletiva focada na evolução de traços de grupos como um todo (Wilson 2013, p. 73). Um aspecto amplamente explicado ao longo do livro.

Por vezes, o autor também relembra “Da Natureza Humana (Wilson 1981)”, com muitas correções e acréscimos a esta publicação anterior. Ao final, ele deixa claro a importância de estudos científicos para esclarecer as dúvidas de Gauguin, e faz duras (porém muito necessárias) críticas aos mercadores de ilusões, que insistem na propagação de opiniões incompatíveis com a análise sistêmica das evidências.

Um livro monumental, que poucos parágrafos de uma simples postagem são incapazes de detalhar... E assim recomendo leitura com calma, desta outra obra produzida por um dos maiores gigantes da biologia, em todos os tempos.

 

Referências

Stone, A., Greshko, M. Quem foi E. O. Wilson, o “herdeiro natural de Darwin”. National Geographic Brasil. 2022. Disponível em: < https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/01/quem-foi-eo-wilson-o-herdeiro-natural-de-darwin > . Acesso em: 21-10-2025.

Wikipédia: a enciclopédia livre. Paul Gauguin. 2024. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Gauguin#:~:text=Eug%C3%A8ne%2DHenri%2DPaul%20Gauguin%20(,pintor%20franc%C3%AAs%20do%20p%C3%B3s%2Dimpressionismo.&text=Paul%20Gauguin%20na%20d%C3%A9cada%20de%201880. > . Acesso em: 21-10-2025.

Wikipedia: the free encyclopedia. W. D. Hamilton. 2025. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/W._D._Hamilton > . Acesso em: 21-10-2025.

Wilson, E. O. Da natureza humana. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981.

Wilson, E. O. A conquista social da Terra. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Sertão Velho Cerrado. [Cerratenses].

 



 

Poster do filme “Sertão Velho Cerrado”, D’Elia (2018).

 

Prezados alunos, recomendo fortemente a todos assistirem e divulgarem este filme. Uma ampla defesa à nossa savana centro-brasileira. Cientistas, líderes religiosos, artistas, pequenos produtores rurais e povos quilombolas unem forças em defesa do Cerrado brasileiro, com foco em um conflito de conservação na Chapada dos Veadeiros, ao norte de Goiás.

O documentário descreve os aspectos gerais e importância do Cerrado, como grande depositório de águas que sustentam fartas bacias hidrográficas essenciais a todo o continente sul-americano. Uma apresentação muito bem fundamentada em estudos científicos, deixando muito claro que, de fato, só a cobertura vegetal nativa cerratense protege o solo e garante o abastecimento dos lençóis freáticos.

Por outro lado... Latifundiários e empresários de hidrelétricas também são entrevistados, apresentando todo o seu discurso infundado, revelando assim o que eles sempre foram nestes últimos cinco séculos de colonização: senhores feudais tiranos, opressores e preocupados apenas com seus lucros megalomaníacos. Autoridades políticas e de segurança, por outro lado, ainda seguem - no mínimo - com ações muito anacrônicas e superficiais contra estes grandes senhores que, no final, serão os maiores culpados por uma grande crise de fome e sede que pode estar a caminho nas próximas décadas, a qual será mais impactante sobretudo para as populações mais pobres.

 


 

Vídeo.  Sertão Velho Cerrado. Repórter Eco (2018).  

 

Sem longas, meus caros alunos, assistam o documentário em tempo oportuno (Documentando 2019), e divulguem a seguir esta importante defesa do Cerrado ao público leigo, tão alienado sobre as evidências catastróficas das atividades agropastoris para exportação. Que eles também percebam a importância do pequeno produtor rural, como de fato os que produzem alimento de qualidade para o público.

Salvem nosso Cerrado!

 

Referências.

D’Elia, A. Sertão Velho Cerrado. Adoro Cinema. 2018. Disponível em: < https://www.adorocinema.com/filmes/filme-266152/ > . Acesso em: 14-10-2025.

Documentando. Sertão Velho Cerrado. 2019. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=5BZoEyBvXpc&t=2082s > . Acesso em: 14-10-2025.

Repórter Eco. O futuro incerto do Cerrado brasileiro. 2018. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=2E02cEu0Nvs > . Acesso em: 14-10-2025.


Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Quadros Goianos. [Cerratenses].

 



 

Capa de “Quadros Goianos”. Fonte: Brazilian Journals editora. Setembro 2025.

 

Prezados alunos, e também amantes do Cerrado,

Voltando àquele meme de costume... “Se a gente não divulgar a gente, quem divulgará?... ” E assim, com satisfação, informo a publicação de meu último livro (Blamires 2025), onde explico as fisionomias do domínio morfoclimático do Cerrado, conforme previamente classificado por Oliveira-Filho & Ratter (2002). Apenas uma exposição de fotos amadoras, feitas nestes últimos 31 anos, de coberturas vegetais nativas goianas e suas respectivas classificações.

Redigi este livro para ampla divulgação, destinado sobretudo ao povo leigo de Goiás, que a meu ver deveria reverenciar mais a natureza do seu estado, e menos a produção agropastoril que usufrui insustentavelmente dos recursos naturais e serviços ecossistêmicos. Espero contribuir, no despertar de nosso povo, para a importância de nossa savana centro-brasileira.

Sem longas pessoal, por favor leiam o livro e divulguem: um trabalho muito simples e breve. E no mais...

 

Salvem o Cerrado! Abraços a todos,

 

Referências.

Blamires, D. Quadros Goianos: Fisionomias de Cerrado no estado de Goiás. São José dos Pinhais: Editora Brazilian Journals, 2025. DOI: 10.35587/brj.ed.978-65-6016-119-1

Oliveira-Filho, A. T., Ratter, J. A. Vegetation physiognomies and woody flora of the Cerrado Biome. In: Oliveira, P. S., Marquis, R. J. (Eds.). The Cerrados of Brazil: ecology and natural history of a neotropical savanna. New York: Columbia University Press, p. 91-120, 2002.


Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

Juntos pela biosfera. [Biologia da Conservação].

      Provavelmente Campo Cerrado. Senador Canedo-GO, março 1995. Foto do autor.   “I can hear the whole world singing together ...