terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Predadores e animais domésticos. [Biologia da Conservação].

 

 

Capa de Marchini et al. (2011): Link nas referências.

 

Oi pessoal! Ouvi muitas vezes produtores rurais comentarem sobre caça de predadores silvestres importunadores de sua produção rural, em todas as paisagens goianas pelas quais passei. E convém alertar: caçar animais silvestres é crime no Brasil (Brasil 1967, 1998).

Contudo, produtores rurais são trabalhadores que precisam pagar contas, sendo a meu ver cidadãos bastante pragmáticos neste sentido. Então cabe a nós, prezados alunos, apresentar-lhes alternativas que minimizem este conflito de conservação, divulgando  produções econômicas de menor impacto à natureza.

Marchini et al. (2011) é um trabalho para o público leigo, com alternativas fundamentadas em anos de pesquisa científica, capazes de amenizar o conflito conservacionista entre produção rural e caça dos predadores selvagens. O trabalho ressalta a importância da predação para a estabilidade dos ecossistemas, e mesmo da própria atividade agropastoril. Afinal predadores são, por exemplo, fundamentais para limitar o tamanho das populações de presas (Huffaker & Kenett 1956), garantindo assim o controle de várias populações herbívoras silvestres que podem: a). Exceder suas densidades populacionais; b). Ocasionarem prejuízos econômicos, tornando-se assim “pragas” (Diamond 2007).

Com argumentação fundamentada e clara, os autores apontam alternativas para a produção-predação, por exemplo para aves domésticas (Figura 1).

 

 

Figura 1. Página 20 de Marchini et al. (2011), sobre predação e aves domésticas.

 

Em suma, favor divulgarem Marchini et al. (2011) a todos os produtores rurais que padecem com este conflito de conservação. Vivemos um tempo onde muitos problemas possuem soluções relativamente simples que podem, por exemplo, conciliar produção e conservação da natureza. Alternativas para outros conflitos conservacionistas similares, também podem ser obtidos gratuitamente a partir da rede mundial (internet), mediante pesquisa básica.

E assim vamos indo!

 

Referências

Brasil. Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967). Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5197.htm > . Acesso em: 27-01-2026.

Brasil. Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Disponível em: < https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=9605&ano=1998&ato=dd5kXRE1EeNpWTdda > . Acesso em: 27-01-2026.

Diamond, J. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

Huffaker, C. B., Keneth, C. E. Experimental studies on predation: predation and Cyclamen-Mite populations on strawberries in California. Hilgardia, v. 26, n. 4, 191-222, 1956. DOI: https://doi.org/10.3733/hilg.v26n04p191

Marchini, S., Cavalcanti, S., Paula, R. C. Predadores silvestres e animais domésticos: guia prático de convivência. Brasília: ICMBio, 2011. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/259216825_Predadores_Silvestres_e_Animais_Domesticos_Guia_Pratico_de_Convivencia > . Acesso em: 25-01-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.


domingo, 18 de janeiro de 2026

Aves Urbanas de Iporá: meu primeiro livro. [Orientações].

  

 

Capa de Blamires (2022).

 

Oi pessoal! Aqui publiquei  sinopses de três dos meus livros, mas faltou uma sobre esse: meu primeiro E-book, publicado no segundo semestre de 2022.

E foi assim... Certa manhã, no começo deste mesmo ano, conclui que já era o momento de redigir um livrinho de fotos ornitológicas, pois eu já acumulava muitos anos de pesquisa na malha urbana de Iporá, com onze artigos publicados: a maior parte em autoria com orientados de Trabalho de Curso (TC), Iniciação Científica (IC), e até uma proveniente de dissertação de mestrado (ver detalhes em Blamires 2022).

Assim, após um breve planejamento, percorri as ruas iporaenses para obtenção de mais fotografias e demais dados para este novo trabalho. Como de costume, voltei ao passado no prefácio... Afinal, comecei as pesquisas ornitológicas em Iporá no primeiro semestre de 2001, com três orientados de Trabalho de Curso (TC). Dentre os quais Flávia Damacena de Souza Silva, atualmente minha colega-docente na UEG Iporá. Anos depois, foi publicado um artigo, que também abrange o TC da professora Flávia, sobre aves no Lago Pôr do Sol (Silva & Blamires 2007).

O livro segue detalhando aspectos históricos e geográficos de Iporá, a partir de revisão bibliográfica, com acréscimos de vários registros fotográficos que fiz no município, tanto ao longo das pesquisas de campo, quanto a partir de outras imagens capturadas em 2022. Constam no E-book um total de 67 espécies, conforme os seguintes critérios:

 

a). São citadas em ao menos um dos 11 inventários avifaunísticos nas áreas urbanas, publicados previamente;

b). Possuem no mínimo uma foto razoavelmente nítida, publicada na plataforma Wikiaves (https://www.wikiaves.com.br/perfil_DANIELBLAMIRES).

 

Considerei estes critérios importantes para garantir a confiabilidade dos dados, de forma a evitar abstrações. Assim, muitas espécies relevantes não constam no livro, porque não se inserem nestes critérios. Como de costume nas publicações ornitológicas, a sequência taxonômica e os nomes científicos seguem a listagem de Pacheco et al. (2021), do “Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO)”.

Importante salientar também o “fator improviso”. Muitas das imagens não foram obtidas durante trabalho de campo, mas espontaneamente, como por exemplo em passeios pela cidade. A imagem abaixo (Figura 1), um bico-de-brasa Monasa nigrifrons (Spix, 1824), foi um registro em 2012, durante um passeio matinal de domingo com minha família: do tempo que passeávamos com nossos filhos nos finais de semana.

 

Figura 1. Recorte da página 44 em Blamires (2022).

 

Assim, caros orientados de outros municípios, prestes a iniciar atividades em campo. Gostaria de reafirmar o que disse na postagem anterior (Blamires 2026): se conseguirmos um acervo de fotos razoável durante as pesquisas de campo, podemos futuramente publicar não apenas um ou dois artigos científicos, como também um livro de fotos similar ao “Aves Urbanas de Iporá”. Claro: fotos tiradas por vocês também podem ser consideradas, desde que atendam aos critérios específicos.

Uma boa revisão bibliográfica, localizando o contexto histórico e geográfico de suas cidades, deve preceder a listagem das espécies, mas... Estamos na era digital, um tempo fácil para obtenção de textos científicos.

Abraços a todos, precisando escrevam, e mantenham-se animados!

 

Referências

Blamires, D. Aves Urbanas de Iporá, estado de Goiás: baseado em 11 inventários avifaunísticos na malha urbana municipal, 1ª. Edição (eBook). São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2022, DOI: 10.35587/brj.ed.0001822

Blamires, D. Sobre registrar aves. [Orientações]. 2026. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2026/01/sobre-registrar-aves-orientacoes.html > . Acesso em: 18-01-2026.

Pacheco, J. F., Silveira, L. F., Aleixo, A., Agne, C. E., Bencke, G. A., Bravo, G. A., Brito, G. R., Et al. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Commitee – second edition. Ornithology Research, 2021. DOI: https://doi.org/10.1007/s43388-021-00058-x

Silva, F. D. S., Blamires, D. Avifauna urbana no Lago Pôr do Sol, Iporá, Goiás, Brasil. Lundiana, v. 8, n. 1, p. 17-26, 2007.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Sobre registrar aves. [Orientações].

 


 



Gavião-peneira Elanus leucurus (Vieillot, 1818). Iporá, estado de Goiás. Foto do Autor: registro Wikiaves WA6859638.

 

Oi pessoal! Fiz esta imagem na tarde de 19 de maio, 2025, nos arredores do Loteamento “Jardins Ferreira”, aqui em Iporá: onde costumo caminhar ao entardecer, quando sobra tempo. Hoje, tenho uma câmera Canon semi-profissional com 65x de zoom que produz fotos como esta, a qual considero uma das melhores que já tirei nestas mais de três décadas de registros na natureza. Saliento também que esta imagem e as demais são, até o momento que escrevo, os primeiros registros de E. leucurus para Iporá (Wikiaves 2026a). Contudo, fiz a imagem abaixo (Figura 1) com uma câmera fotográfica digital simples- de zoom 5x - ao final de julho de 2012, no quintal da nossa antiga residência ao centro de Iporá.

 

 

 

 

Figura 1. Bico-reto-cinzento Heliomaster longirostris (Audebert & Vieillot, 1801). Malha urbana de Iporá, Goiás. Foto do Autor: registro Wikiaves WA701049.

 

E com relação à Figura 1 (ver Blamires 2012), vale ressaltar que: a). Até o momento, esta imagem foi visualizada 664 vezes na plataforma Wikiaves (2026b); b). Atualmente ninguém conseguiu outro registro desta espécie para todo o município de Iporá. E reforçando: fiz esta imagem em um total improviso, na malha urbana municipal, com uma câmera digital de uso doméstico!

Então, um bom equipamento para registrar dados é importante, mas o principal talvez seja sempre estar alerta, e se preocupar com o acúmulo de dados ao longo do tempo. Foi assim que, por exemplo, redigi meu primeiro livro de fotos ornitológicas (Blamires 2022): um trabalho extremamente simples, que pode ser feito por qualquer pesquisador independentemente de suas condições logísticas, em distintos ambientes. Vocês, por exemplo, no futuro podem publicar um livreto de fotos a partir de dados coletados no quintal de suas residências, praças públicas, chácara dos seus avôs, e assim sucessivamente.

Gravações de cantos são importantes. Na verdade, provavelmente até mais relevantes cientificamente do que fotos, porque: a). O equipamento é mais barato; b). O registro de um canto ornitológico é precedido por toda uma assembleia de outros cantos de fundo (do inglês: background songs), sendo assim possível registrar muitas outras espécies em um dado ponto, por exemplo: inclusive pertencentes a outras linhagens, que não apenas aves. Além da plataforma Wikiaves (2026c), outros acervos eletrônicos e gratuitos, como o Xeno-Canto (2026) – que recebe apenas registros sonoros - são também relevantes.

Convém ressaltar que registros sonoros podem ser produzidos com equipamentos simples, tipo o gravador digital abaixo (Figura 2): um Sony ICD-SX712 pequeno, barato e acessível. Comprei este aparelho há alguns anos, em uma loja aqui mesmo no município de Iporá.

 

 

Figura 2. Gravador digital Sony ICD-SX712. Foto do Autor: 05-01-2026.

 

Depositar os registros em plataformas ornitológicas digitais, como as supracitadas, é essencial por vários motivos. Inicialmente, para promover a “ciência cidadã”, ou o engajamento do público na produção científica (Moresi et al. 2017). Os dados destas plataformas podem ser empregados para estudos teóricos mais amplos, tipo o que publicamos recentemente (Blamires & Silva 2025).

Também é indispensável apontar, em uma lista ornitológica, ao menos um registro de cada espécie, comprovando assim sua ocorrência em uma área durante um período estudado (Figura 3). E a regra é: quanto maior o número de espécies devidamente comprovadas com fotos ou sons, maior a qualidade de um texto científico.

 

 

 

Figura 3. Recorte do Apêndice de Silva & Blamires (2025). Os registros fotográficos das espécies constam na última coluna. Ver cabeçalho para maiores detalhes.

 

Em suma, pessoal... Manter uma rotina de registros ornitológicos pode ser importante para a produção de publicações. Lembrando: um biólogo que acumula mais publicações tem mais chance de emprego em várias linhas de trabalho, e também para ingressar em cursos de pós graduação... Pensem nisso!

Feliz ano novo a todos, e precisando sigo à disposição.

 

Referências

Blamires, D. Heliomaster longirostris (Audebert & Vieillot, 1801). WikiAves - A Enciclopédia das Aves do Brasil. 2012. Disponível em: < http://www.wikiaves.com/701049 > Acesso em: 05-01-2026.

Blamires, D. Aves urbanas de Iporá, estado de Goiás [Livro eletrônico]. São José dos Pinhais: Brazilian Journal, 2022.

Blamires, D., Silva, B. M. Avifauna de Iporá, estado de Goiás: uma revisão com base na plataforma Wikiaves. Revista Mirante, v. 18, n. 1, p. 46-70, 2025.

Moresi, E. A. D., Barbosa, J. A., Braga Filho, M. O., Alves, P. N., Santos, J. C. A., Assis, F. C. S., Bernardes, T. M., Lima, V. C. O emprego do aplicativo SciHub em projetos de ciência cidadã. Sistemas, cibernética e informática, v. 14, n. 2, p. 45-52, 2017.

Silva, L. C. C. S., Blamires, D. Aves da Avenida Monte Azul em Iporá, estado de Goiás. Revista Mirante, v. 18, n. 2, p. 269-287, 2025.

Wikiaves. Fotos feitas em Iporá/GO da espécie gavião-peneira (Elanus leucurus). 2026a. Disponível em: < https://www.wikiaves.com.br/midias.php?tm=f&t=c&s=10200&c=5210208 > . Acesso em: 05-01-2026.

Wikiaves. Fotos feitas em Iporá/GO da espécie bico-reto-cinzento (Heliomaster longirostris). 2026b. Disponível em: < https://www.wikiaves.com.br/midias.php?tm=f&t=c&s=10661&c=5210208 > . Acesso em: 05-01-2026.

Wikiaves. Observação de aves e ciência cidadã para todos. 2026c. Disponível em: < https://www.wikiaves.com.br/index.php > . Acesso em: 05-01-2026.

Xeno-Canto. Sharing wildlife sounds from around the world. 2026. Disponível em: < https://xeno-canto.org/ > . Acesso em: 05-01-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

Juntos pela biosfera. [Biologia da Conservação].

      Provavelmente Campo Cerrado. Senador Canedo-GO, março 1995. Foto do autor.   “I can hear the whole world singing together ...