Capa de Gould
(1999). Fonte: Google.
Neste livro (imagem), o
paleontólogo estadunidense Stephen Jay Gould (Wikipédia 2025) justifica sobre porquê “não deveríamos dar nomes às raças humanas (Gould 1999)”, afirmando que
análises multivariadas demonstram níveis menores da nossa espécie,
denominados “variações geográficas”. Coyne (2014) contradiz esta versão,
afirmando - sem preconceitos - que deveríamos considerar que algumas adaptações em
cada grupo humano, nas suas respectivas regiões, poderiam estratificar a
espécie em raças.
Contudo, estudos genéticos
recentes favorecem a revisão anterior de Gould (1999). O professor Johannes
Krause, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (DW Brasil
2024, Video 1), demonstra que: a). Humanos evoluíram distintos tons de
pele; b). A noção de raça não tem base genética; c). Somos todos mais de 99%
africanos, com relação ao genoma. Krause também suspeita que lastimáveis
costumes humanos tipo racismo são “projetos de posse e poder”, típicos da
natureza de toda a nossa espécie.
Video 1. Porque raça não
faz sentido em humanos. DW Brasil (2024).
De fato, a opinião de Krause (DW Brasil 2024) é bem procedente, se considerarmos por exemplo Idi Amin Dada (Wikipédia 2026), ditador da Uganda e supremacista racial negro (JB Links 2021). Assim, a antropologia biológica demonstra que o homem moderno - do ponto de vista comportamental - provavelmente surgiu há cerca de 50 mil anos na África, dispersando-se a seguir pelo planeta (Brandão & Neves 2016). Importante ressaltar que, estudos como os do “Homem de Cheddar (McKie 2018)” evidenciam que até 10 mil anos passados nossos ancestrais tinham pele negra. Também convém relembrar Diamond (2005), sobre cada povo se ajustar economicamente às suas respectivas circunstâncias geográficas, não havendo culturas “superiores” ou “inferiores”.
Então, conforme as fontes (Gould
1999, Ridley 2006, Pough et al. 2008, Brandão & Neves 2016, Wilson
2013, 2018, DW Brasil 2024), listarei aqui alguns aspectos básicos sobre nossa
espécie, que há tempos tenho desejado publicar:
a). Somos todos animais;
b). Somos todos primatas, e
portanto, macacos;
c). Somos todos Homo sapiens,
oriundos da África;
d). Não existem raças humanas.
É fato que nem todos os macacos
são humanos, mas nós humanos somos todos macacos, e membros da grande linhagem
Antropoidea (Pough et al. 2008, Wilson 2013). Outro fato importante: a
África é o berço da humanidade, como canta aquela música do icônico cantor
nordestino Chico César (2025): nossa “Mama África (Video 2)”.
Video 2. Mama África, de César (2025).
É isso! Somos, respectivamente, a
única espécie e raça humana, filha de nossa mamãe África. Deveríamos pensar no
continente africano ternamente, como a grande progenitora de nossa espécie.
Referências
Brandão, M. C., Neves, E. Como
nos tornamos humanos. Curitiba: Editora CRV, 2016.
César, C. Mama África.
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=6IZE5Jyy7a8 > . 2025.
Acesso em: 19-03-2026
Coyne, J. A. Por que a
evolução é uma verdade. São Paulo: JSN Editora, 2014.
Diamond, J. Armas, germes e
aço: os destinos das sociedades humanas. Rio de Janeiro: Editora Record, 2005
DW Brasil. Por que o termo
raça não faz sentido no caso de humanos. 2024. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=g0G7A4HXbaE
> . Acesso em: 19-03-2026.
Gould, S. J. Darwin e os
grandes enigmas da vida, 2ª Edição. São Paulo: Martins, Fontes, 1999.
JB Links. How to become a tyrant, Netflix Trailer. 2021. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=KvbE5ang4Nk > . Acesso em: 29-03-2026.
McKie, R. Cheddar Man changes the way we
think about our ancestors. 2018. Disponível em: <
https://www.theguardian.com/science/2018/feb/10/cheddar-man-changed-way-we-think-about-ancestors
> . Acesso em: 19-03-2026.
Pough, F. H., Janis, C. M.,
Heiser, J. B. A vida dos vertebrados, 4ª Edição. São Paulo: Atheneu,
2008.
Ridley, M. Evolução, 3ª
Edição. Porto Alegre: ARTMED, 2006.
Wikipédia: a enciclopédia livre. Stephen
Jay Gould. 2025. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Jay_Gould
> . Acesso em: 19-03-2026.
Wikipédia: a enciclopédia livre. Idi Amin. 2026. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Idi_Amin > . Acesso em: 29-03-2026.
Wilson, E. O. A conquista
social da Terra. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.
Wilson, E. O. O sentido da
existência humana. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
*. Editado em 29-03-2026.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.