domingo, 24 de novembro de 2024

Sigam! Conselhos e músicas para biólogos recém-formados. [Todas as Disciplinas].

 


Sigam! Do autor.


Prezados formandos, esta postagem é uma mensagem a vocês, que em breve serão profissionais de Biologia. Neste texto, seguem algumas sugestões minhas para recém graduados em Ciências Biológicas lidarem com as novas etapas futuras. Algo similar ao que já redigi em outras postagens (Blamires 2024a, b, c, d). Como já citei muitas referências acadêmicas nestes textos anteriores, aqui farei diferente: serão postadas também músicas e um vídeo/propaganda, até para descontrair um pouco. Afinal, emoções e risos são elementos indispensáveis, renovadores das forças frente às agruras da vida.

Então, seguem algumas mídias que sempre revejo, sobretudo nos momentos que estou frente-a-frente com meu melhor amigo e inimigo: eu mesmo. Muitos destes arquivos me acompanham desde a adolescência, e no item referências constam os links de todas estas respectivas mídias.

 

a). Viagem ao fundo do Ego. Da banda brasileira Egotrip, dos anos 1980. Bons tempos do Rock Nacional! A letra desta música é uma reflexão sobre autoconhecimento e autojulgamento. Duas ações que devemos fazer cotidianamente. Assim, o grande pensador Sócrates empregava muito a expressão “conhece-te a ti mesmo” (Menezes 2024), deixando claro a importância de mergulhar no ego para privilegiar nossas ações mais sensatas, bem como monitorar e remover atitudes prejudiciais.

b). O exército de um homem só. Dos Engenheiros do Hawaii. Outra célebre banda brasileira dos anos 1980 e 1990. Particularmente, prefiro a versão “II”, mais acústica e com acompanhamento de orquestra; a versão inicial segue o estilo Rock. A letra desta melodia é um convite para persistir sozinho em situações extremas, algo para o qual sempre devemos estar preparados, enquanto vivermos...

c). Lost for words. Do disco The Division Bell, produzido nos anos 1990 pela banda britânica Pink Floyd. A letra desta música é uma bela reflexão sobre a importância de persistir com humildade, sem resistir às situações cotidianas marcadas por fúria e ressentimentos.

d). Obstáculos. Este vídeo é uma vinheta do Canal Futura, devendo remontar os anos 2000. Trata-se de uma reflexão sobre persistir em situações extremas. Nesta mídia, o Canal Futura também conclui categoricamente que, no final, nada detém o que de fato separa a humanidade das demais espécies animais: o conhecimento. A interminável curiosidade de saber sempre elevou o Homo sapiens aos mais longínquos ambientes do planeta, além de prolongar nossa frágil sobrevivência. E a curiosidade... É o princípio imortal do conhecimento. Harari (2017), por exemplo, ressalta isto quando reflete sobre a “descoberta da ignorância”.

e). Walk on. Do álbum All that you can’t leave behind, da banda irlandesa U2, produzido nos anos 2000. Algo tipo “siga”, ou “vá em frente”, em uma tradução livre. Uma melodia que homenageia Aung San Suu Kyi, uma importante estadista oriental, inocentemente vítima da ditadura birmanesa (Wikipédia 2023a, b). Walk on reflete sobre a necessidade de persistir sempre, mas com amor e humildade. De certo modo, lembra uma frase frequentemente atribuída a Ernesto (Tchê) Guevara de la Serna (Marques 2018):

 

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”

 

“Ser forte é preciso, mas sem jamais perder a ternura (Tradução Livre)”. E assim, talvez persistir sem humildade e empatia significa caminhar por trechos mais tortuosos, em relação ao contrário.

 

Então, caros alunos... Persistam com humildade! Sigam enquanto houver caminho pela frente, mesmo se as margens forem inacessíveis, ou até mesmo ameaçadoras. Se o caminho se findar, procurem outro, e mantenham-se persistentes. 

E como já repeti em sala de aula, mesmo distante estarei à disposição de vocês. Abraços a todos, parabéns pela nova profissão, e desejo sucesso!

 

Referências.

Blamires, D. Dicas para fazer um bom curso superior. 2024a Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/01/dicas-para-fazer-um-bom-curso-superior.html > . Acesso em: 24-11-2024.

Blamires, D. Introdução à Diversidade, Cidadania e Direitos Humanos, e sobre pensar academicamente. 2024b. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/02/introducao-diversidade-cidadania-e.html > . Acesso em: 24-11-2024.

Blamires, D. Como elaborar avaliações discursivas? 2024c. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/04/como-elaborar-avaliacoes-discursivas.html > . Acesso em: 24-11-2024.

Blamires, D. Lições de Alexandria. 2024d. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/07/licoes-de-alexandria-dcdh.html > . Acesso em: 24-11-2024.

Canal Futura. Obstáculos. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=uBMBnh8VoIo > . Acesso em: 24-11-2024.

Egotrip. Viagem ao fundo do ego. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=JME6gBVuDeQ > . Acesso em: 24-11-2024.

Engenheiros do Hawaii. O exército de um homem só II. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=XBkXUn6iE-Y > . Acesso em: 24-11-2024.

Harari, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: Editora L&PM, 2017.

Marques, A. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. 2018. Linkedin. Disponível em: < https://pt.linkedin.com/pulse/hay-que-endurecerse-pero-sin-perder-la-ternura-jam%C3%A1s-ari-marques > . Acesso em: 24-11-2024.

Menezes, P. Conhece-te a ti mesmo. Toda Matéria. Disponível em: < https://www.todamateria.com.br/conhece-te-a-ti-mesmo/ > . Acesso em: 24-11-2024.

Pink Floyd. Lost for words. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=AWs-MftOwus > . Acesso em: 24-11-2024.

U2. Walk On. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=srR1SLoYVLU > . Acesso em: 24-11-2024.

Wikipédia: a enciclopédia livre. Walk on. 2023a. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Walk_On > . Acesso em: 24-11-2024.

Wikipédia: a enciclopédia livre. Aung San Suu Kyi. 2023b. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Aung_San_Suu_Kyi > . Acesso em: 24-11-2024.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

 


terça-feira, 12 de novembro de 2024

Modelos ecológicos e o debate SLOSS. [Ecologia].

 




Paisagem esquemática com uma área (reserva) de preservação grande, conectada a outras menores por corredores ecológicos, no interior de uma matriz antropogênica. Fonte: Autor.

 

Qual seria a melhor forma de preservar espécies, populações, bem como seus habitats naturais em uma paisagem? Esta pergunta perfazia o que nos anos 1970 e 1980 foi denominado pelos conservacionistas  debate SLOSS (Wikipédia 2023): single large or several smalls? (T. L.: “única (área) grande ou várias pequenas? ”). De modo geral, várias respostas atendem esta pergunta em Biologia da Conservação e Ecologia da Paisagem, por exemplo (Primack & Rodrigues 2001).

Contudo, acredito que os fundamentos desta solução remontam duas importantes modelagens ecológicas: a Teoria de Biogeografia Insular (Macarthur & Wilson 1967), e a Dinâmica de Metapopulações de Levins (1969). Resumi estes dois modelos em meu livro (Blamires 2023), mais a paisagem “matriz-mancha” de Forman & Gordon (1986).

Em um texto pioneiro na biologia conservacionista, Wilson & Willis (1975), refletem este assunto com base no modelo de Macarthur & Wilson (1967). Neste contexto, penso que o melhor sistema de unidades conservacionistas deve assimilar-se ao desenho esquemático acima, partindo das seguintes premissas básicas:


a). Deve possuir uma grande área de preservação natural. Isto porque, áreas maiores proporcionam mais recursos, tendendo assim a suportar maior riqueza (de espécies) e taxas mais baixas de extinção.

b). Esta grande área não deve permanecer isolada, mas conectada a várias outras por “corredores ecológicos”. No âmbito da biogeografia insular, trata-se de uma alternativa importante para manter taxas altas de imigração (colonização), através da conectividade entre a área de preservação maior, com outras similares e menores.

c). Com relação à dinâmica de metapopulações, corredores ecológicos são indispensáveis para evitar que populações (ou subpopulações) conectadas não acabem numa “metapopulação em desequilíbrio”, com taxas insignificantes de fluxo migratório entre suas manchas de habitat e tendência ao desaparecimento.


Estes dois importantes modelos também foram essenciais para implantar sistemas de unidades conservacionistas no mundo todo, conforme critérios científicos, e não apenas econômicos ou cênicos. A biogeografia insular e a dinâmica de metapopulações são dois importantes princípios matemáticos que, juntamente com outros, tornam a ecologia um dos principais suportes para a interdisciplinar Biologia da Conservação.

 

Referências.

Blamires, D. Ecologia no quadro: temas ecológicos com figuras manuscritas. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2023. DOI: 10.35587/brj.ed.0002193

Forman, R. T. T., Gordon, M. Landscape Ecology. New York: John Wiley, 1986.

Levins, R. Some demographic and genetic consequences of environmental heterogeneity for biological control. Bulletin of the Entomological Society of America, 15: 237-240, 1969.

MacArthur, R. H., Wilson, E. O. The Theory of Island Biogeography. Princeton: Princeton University Press, 1967.

Primack, R. B., Rodrigues, E. Biologia da Conservação. Londrina: Editora Midiograf, 2001.

Wilson, E. O., Willis, E. O. Applied biogeography. In: Cody, M. L., Diamond, J. R. (Eds.). Ecology and Evolution of Communities. Cambridge, Massachusetts: Belknap Press: p. 522-534, 1975.

Wikipedia. SLOSS debate. 2023. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/SLOSS_debate > . Acesso em: 12-11-2024.


*. Editado em 22-10-2025.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Teste de hipóteses. [Bioestatística].

 



Aula sobre teste de hipóteses no quadro. Data: 29-09-2023.

 

O que é uma hipótese? Em meu último livro, tomei a liberdade de conceituar como:

 

“Uma das etapas iniciais do procedimento científico, sendo uma premissa inicial a ser testada. O método científico normalmente avalia duas hipóteses distintas: nula (H0), quando as variáveis não diferem significativamente entre si; alternativa (H1), quando as variáveis são significativamente distintas entre si, por exemplo. (Blamires 2024, p. 43).”

 

Testar estatisticamente hipóteses é uma importante etapa do procedimento científico (Vieira 1998). Segundo Ferreira (2005), os elementos dos testes de hipóteses seguem conforme as etapas:


a). Hipótese nula;

b). Hipótese alternativa;

c). Modelo estatístico;

d). Nível de significância (região de rejeição, margem de erro);

e). Conclusão.


O modelo estatístico é o que será empregado na análise, conforme cada circunstância específica. Normalmente, utiliza-se os modelos paramétricos para variáveis cuja distribuição é similar ao esperado pela curva normal padrão; por outro lado, modelos não-paramétricos são empregados quando as variáveis possuem distribuição assimétrica em comparação à curva normal padrão (Lopes et al. 2014). No passado (Obs. Pes.), era prática comum usar análises paramétricas para amostras grandes, com número de casos igual ou superior a trinta (N30), e não-paramétricas para números de casos comparativamente inferiores (N<30). A descrição adiante segue Zar (1999). Existem modelos estatísticos paramétricos e seus equivalentes não-paramétricos, conforme os exemplos a seguir:

 

MODELO   PARAMÉTRICO

EQUIVALENTE NÃO-PARAMÉTRICO

Teste “t” (dados independentes)

“U” de Mann-Whitney

Teste “t” (dados pareados)

“W” de Wilcoxon

Análise de Variância (ANOVA, "F")

“H” de Kruskall-Wallis

Correlação de Pearson (r)

Correlação de Spearman (rs)

 

O resultado obtido é testado conforme o nível de significância, que pode ser:


a). Probabilidade de erro tipo I (α): rejeitar a hipótese nula verdadeira;

b). Probabilidade de erro tipo II (β): aceitar a hipótese nula falsa.

 

Em bioestatística, normalmente emprega-se α=0,05, que é comparado à probabilidade de erro obtida pelo cálculo do modelo (p), conforme a regra abaixo:

 

a). p>α: Aceita-se a hipótese nula (H0), rejeita-se a hipótese alternativa (H1). Conclui-se que as variáveis analisadas não são, por exemplo, significativamente distintas;

b). p<α: Rejeita-se H0 e aceita-se H1. Conclui-se que, neste contexto, as variáveis analisadas são significativamente distintas.

Nos tempos dos cálculos a mão, comparávamos o valor do modelo calculado ao da tabela, conforme a seguir (ver Adamoski 2020), considerando os graus de liberdade (GL) e o α=0,05. A interpretação é contrária em relação à anterior:

 

a). VALOR CALCULADO < VALOR TABELA: Aceita-se H0 e rejeita-se H1: as diferenças não são significativas.

b). VALOR CALCULADO > VALOR TABELA: rejeita-se H0 e aceita-se H1: as diferenças são significativas.

 

E... Cuidado para não confundir a análise! Por muito pouco a gente erra essas sequências e distorce os resultados finais. Também gostaria de ressaltar que, nestes tempos de programas gratuitos e acessíveis, considero o software Past 4.16c (Hammer 2024) o melhor e mais versátil para cálculos estatísticos, inclusive para uso em aulas práticas. Finalmente, uma conclusão clara e objetiva, de modo que o público leigo entenda, também deve ser inserida no final.

 

Referências:

Adamoski, D. Qui-quadrado e cruzamentos. 2020. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=8fggf1RfEdU > . Acesso em: 04-11-2024.

Blamires, D. Evolução no quadro: temas evolutivos com figuras manuscritas. [Livro Eletrônico]. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2024. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=88ywZ0239D60dv54PGKIqYCx081eosJQ > . Acesso em: 04-11-2024.

Ferreira, P. L. Estatística descritiva e inferencial: breves notas. Faculdade de Economia: Universidade de Coimbra, 2005.

Hammer, O. Past 4.16c: the past of the future. Disponível em: < https://www.nhm.uio.no/english/research/resources/past/ > . Acesso em: 04-11-2024.

Vieira, S. V. Introdução à bioestatística, 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1998.

Zar, J. H. Biostatistical Analysis, fourth edition. New Jersey: Prentice Hall, 1999.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.


Juntos pela biosfera. [Biologia da Conservação].

      Provavelmente Campo Cerrado. Senador Canedo-GO, março 1995. Foto do autor.   “I can hear the whole world singing together ...