Paisagem esquemática com uma área (reserva) de preservação grande, conectada a outras
menores por corredores ecológicos, no interior de uma matriz antropogênica. Fonte: Autor.
Qual seria a melhor forma de
preservar espécies, populações, bem como seus habitats naturais em uma
paisagem? Esta pergunta perfazia o que nos anos 1970 e 1980 foi denominado
pelos conservacionistas debate SLOSS
(Wikipédia 2023): single large or
several smalls? (T. L.: “única (área) grande ou várias pequenas? ”). De modo geral, várias
respostas atendem esta pergunta em Biologia da Conservação e Ecologia da Paisagem,
por exemplo (Primack & Rodrigues 2001).
Contudo, acredito que os
fundamentos desta solução remontam duas importantes modelagens ecológicas: a Teoria
de Biogeografia Insular (Macarthur & Wilson 1967), e a Dinâmica de Metapopulações
de Levins (1969). Resumi estes dois modelos em meu livro (Blamires 2023), mais
a paisagem “matriz-mancha” de Forman & Gordon (1986).
Em um texto pioneiro na biologia conservacionista, Wilson & Willis (1975), refletem este assunto com base no modelo de Macarthur & Wilson (1967). Neste contexto, penso que o melhor sistema de unidades conservacionistas deve assimilar-se ao desenho esquemático acima, partindo das seguintes premissas básicas:
a). Deve possuir uma grande área
de preservação natural. Isto porque, áreas maiores proporcionam mais recursos,
tendendo assim a suportar maior riqueza (de espécies) e taxas mais baixas de
extinção.
b). Esta grande área não deve
permanecer isolada, mas conectada a várias outras por “corredores ecológicos”.
No âmbito da biogeografia insular, trata-se de uma alternativa importante para
manter taxas altas de imigração (colonização), através da conectividade entre a
área de preservação maior, com outras similares e menores.
c). Com relação à dinâmica de metapopulações, corredores ecológicos são indispensáveis para evitar que populações (ou subpopulações) conectadas não acabem numa “metapopulação em desequilíbrio”, com taxas insignificantes de fluxo migratório entre suas manchas de habitat e tendência ao desaparecimento.
Estes dois importantes modelos também
foram essenciais para implantar sistemas de unidades conservacionistas
no mundo todo, conforme critérios científicos, e não apenas econômicos ou cênicos.
A biogeografia insular e a dinâmica de metapopulações são dois importantes
princípios matemáticos que, juntamente com outros, tornam a ecologia um dos
principais suportes para a interdisciplinar Biologia da Conservação.
Referências.
Blamires, D. Ecologia no quadro: temas ecológicos com figuras manuscritas. São José dos Pinhais: Brazilian
Journals, 2023. DOI: 10.35587/brj.ed.0002193
Forman, R. T. T., Gordon, M. Landscape Ecology. New York: John Wiley,
1986.
Levins, R. Some demographic and genetic
consequences of environmental heterogeneity for biological control. Bulletin of the Entomological Society of
America, 15: 237-240, 1969.
MacArthur, R. H., Wilson, E. O. The Theory of Island Biogeography. Princeton:
Princeton University Press, 1967.
Primack, R. B., Rodrigues, E. Biologia da Conservação. Londrina:
Editora Midiograf, 2001.
Wilson, E. O., Willis, E. O. Applied
biogeography. In: Cody, M. L.,
Diamond, J. R. (Eds.). Ecology and Evolution
of Communities. Cambridge, Massachusetts: Belknap Press: p. 522-534, 1975.
Wikipedia. SLOSS debate. 2023. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/SLOSS_debate
> . Acesso em: 12-11-2024.
*. Editado em 22-10-2025.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

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