Diagrama-rascunho comparando as distintas linhas de conhecimento. Data: 06-03-2020.
Em certo momento, todo professor
de ciências naturais precisa distinguir o procedimento empregado nas
disciplinas que leciona, em relação a outras áreas do conhecimento. O esboço
rabiscado que fiz na figura acima é um dentre vários que já preparei neste
sentido, para as primeiras aulas de alguma disciplina. Importante considerar
que o conhecimento abrange muitos contextos sociais, econômicos, culturais,
sendo todas as suas ramificações importantes.
Entretanto, as ciências naturais
– física, química e biologia – empregam nos
últimos séculos o procedimento do célebre polímata florentino Galileu Galilei (1564-1642),
atualmente denominado “método científico”. Uma técnica genial, elementar e de
fácil compreensão. Costumo apresentar na lousa o método científico conforme
exposto adiante, exemplificando com o fictício estudo da “rosa vermelha (exemplificação
em sequência nos asteriscos) ”. Há muitos textos importantes descrevendo o
assunto, mas é assim que simplifico a situação, para não comprometer a ementa das
disciplinas. E neste sentido, o método científico procede nas seguintes etapas:
a). Percepção empírica. Pelos
órgãos dos sentidos.
*. Observação de uma rosa
vermelha.
b). Pergunta. Indagação sobre o
que foi percebido.
*. A rosa é vermelha?
c). Hipóteses. Suposições a serem
testadas, sendo a primeira nula (H0: inexistência de diferenças
significativas), e a segunda alternativa (H1: existem diferenças
significativas).
*. H0: A rosa não é
vermelha; H1: a rosa é vermelha.
d). Coleta de evidências. Também denominadas
provas ou fatos.
*. Obtenção de pigmentos com íons
ferro nas pétalas de rosa.
e). Análise sistêmica das
evidências. Uso de procedimento matemático, importante para diminuir o efeito
das idiossincrasias (opiniões ou interpretações pessoais).
*. Percentual (%) de pigmentos
com íons ferro nas pétalas das rosas superior a 80% (alto).
f). Comparação das hipóteses. Conforme
o resultado da análise sistêmica, aceita-se uma das hipóteses.
*. Rejeita-se H0 e
aceita-se H1, porque a proporção de íons ferro nas pétalas é alta.
g). Conclusão. Consideração final.
*. A rosa é vermelha.
Importante ressaltar que esta é
uma simplificação para efeito didático, não sendo tão simples assim ao longo de
quaisquer rotinas científicas. Mas o método científico é de fato simples e funcional.
Também é um procedimento autocorretivo, pois sempre releva a premissa do erro,
podendo ser repetido mediante novas evidências ou críticas fundamentadas. E no
final, graças a este método paradoxalmente elementar e poderoso, que a
humanidade hoje caminha com bombas atômicas, radioterapias e vacinações em
massa.
Referências.
Chalton, N. & M. MacArdle. A história da ciência para quem tem pressa:
de Galileu a Stephen Hawking em 200 páginas. Rio de Janeiro: Editora
Valentina. 2018.
Mosley, M. & J. Lynch. Uma história da ciência: experiência, poder
e paixão. Rio de Janeiro: Zahar. 2011.
Sagan, C. E. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no
escuro. São Paulo: Editora Companhia das Letras. 2006.
Wikipédia: a enciclopédia livre. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei > . 2023. Acesso em: 22-01-2024.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.


