Roteiro sucinto para explicar as enchentes no Rio Grande do Sul aos
calouros da disciplina DCDH. Data: 10-05-2024.
O propósito desta postagem é explicar resumidamente o problema das enchentes no estado mais austral do nosso país, um assunto na verdade mais complexo. Na noite da última sexta-feira, expliquei com o roteiro acima o problema aos calouros do curso de Biologia, tomando um breve tempo da disciplina “Diversidade, Cidadania e Direitos Humanos”, apenas para eles ficarem cientes da situação, e capazes de argumentar sobre os aspectos básicos desta tragédia anunciada para o público leigo. Este assunto, entretanto, perfaz mais as disciplinas de Biologia da Conservação e Ecologia. As fontes consultadas são pormenorizadamente descritas no item referências, ao final do texto.
Então, conforme o roteiro
supracitado, inicialmente existem os motivos “intrínsecos”, como o uso das
áreas de proteção ambiental há décadas, por uma política de ocupação e
urbanização que privilegia interesses econômicos ao invés de estudos
científicos que apontam os problemas da antropogeneização
nestas áreas. A conservação destes ambientes não é importante somente para preservação da
qualidade hídrica, biota ou até mesmo por motivos cênicos. Populações
humanas estabelecidas em ambiente ripário – como a maioria das vítimas desta
enchente - sempre serão mais vulneráveis a inundações, estando mais sujeitas a perdas materiais e humanas.
Estes riscos aumentaram devido a
motivos "extrínsecos" como o aquecimento global, causador de aumento do nível dos
mares, mais chuvas, além de mais evaporação em um mundo com temperaturas
crescentes. No sul do país, esta situação se acentua nos anos de El Niño, ou o aumento periódico do calor
em correntes oceânicas, como agora em 2024. Infelizmente, chegamos a um estágio de grande
concentração de gás carbônico atmosférico que não acabará a curto prazo, e assim estamos presenciando um cenário irremediável em todo o planeta. Tais eventos provavelmente serão ampliados, em frequência e intensidade, em todos os ambientes
similares às cidades afetadas no território gaúcho.
Agora exporei minha opinião pessoal. Aqui em Goiás, cidades a margem de grandes mananciais, como Aragarças e Itumbiara, deveriam planejar medidas preventivas. De fato, estamos distantes do mar e nossa maior altitude nos protege mais destas catástrofes, mas há nestes dois municípios urbanização à margem dos grandes Rios Araguaia e Paranaíba, respectivamente, merecendo assim atenção.
O progresso, a imprudência e o
descaso com a comunidade científica - que vêm alertando para situações do tipo
a anos - levou ao que temos testemunhado no Rio Grande do Sul. Infelizmente, isto vai se repetir cada vez mais em todo o planeta. Eis o mundo
que está sendo entregue às futuras gerações.
Referências.
Braun, J. Inundações no Rio
Grande do Sul: a cronologia da maior tragédia ambiental do Estado. 2024. BBC News Brasil. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=JIosqudY9aM
> . Acesso em: 12-05-2024.
Lovelock, J. E. Gaia: alerta final. Rio de Janeiro:
Editora Intrínseca, 2010.
Nobre, C. (entrevista). Chuvas no
RS: Eventos climáticos extremos não vão mais parar de acontecer, diz
climatologista. 2024. Canal UOL.
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=tyepEwRu82s > . Acesso
em: 12-05-2024.
Pinheiro, L. Lei que delega
proteção de margens de rios a prefeituras aumenta risco de enchentes e afronta
a Constituição, dizem especialistas; entenda. g1 Meio Ambiente. 2021. Disponível em < https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2021/12/30/lei-que-delega-protecao-de-margens-de-rios-a-prefeituras-aumenta-risco-de-enchentes-e-afronta-a-constituicao-dizem-especialistas-entenda.ghtml
> . Acesso em: 12-05-2024.
Sarza, D. Rio Grande do Sul: Como as chuvas começaram? Por que alagou tanto? UOL. 2024. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=u5xEUFa6Qkk > . Acesso em: 12-05-2024.
Editado em 11 de junho, 2025.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

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