terça-feira, 23 de junho de 2026

Iniciação Científica: uma especialização. [Orientações].

 

 



 

Recorte (print) na plataforma “Athena-UEG”. Recomendação dos meus cinco candidatos Iniciação Científica. Fonte: perfil UEG do Autor: 23-06-2026.

 

Oi pessoal!

Aproveitando a satisfação dos cinco planos iniciação científica de meus candidatos terem sido “recomendados”, para discorrer um pouco neste sentido. O que é, e para que serve a “Iniciação Científica”? De fato, é uma atividade extremamente importante para a formação acadêmica, que infelizmente nem todos conseguem. Eu mesmo, não tive esse privilégio na graduação, devido talvez à exaustiva rotina nesta época (ver Blamires 2025, entre outros).

Na Iniciação Científica, o discente comporá o grupo de pesquisa de um projeto científico, tendo alguma atividade peculiar de aproximadamente um ano como “iniciante científico”: um pesquisador em formação. Os detalhes sobre a atividade são normalmente publicados em Edital, como o UEG PRP 04/2026, deste último processo seletivo.

De modo geral, o aluno IC tem os seguintes deveres:

 

a). Participar ativamente da pesquisa, em seus vários aspectos. Por exemplo, coletando dados em campo, compilando-os em planilhas, colaborando nas análises, etc.;

b). Cada discente IC tem uma função própria no grupo de pesquisa, sendo responsável por uma atividade individual que deve ser apresentada, ao final da iniciação, como relatório.

 

Importante salientar que o relatório IC pode ser ajustado e defendido como trabalho de conclusão de curso (TCC): muitos discentes pós-iniciação científica fazem isso, e assim ganham mais tempo nos finais de ano, ao ajustarem seus relatórios finais IC como monografias.

Alunos que receberam bolsas são normalmente  obrigados a apresentar sua pesquisa em algum evento de sua Universidade, tipo nosso CEPE – Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão/UEG. O último foi final do ano passado, em Palmeiras de Goiás (PrP-UEG 2025).

De fato, alguns alunos recebem auxílio financeiro, sendo assim “bolsistas IC”. Contudo, penso que o mais essencial são as horas de aprendizado, em uma atividade que não consta na grade curricular básica. A IC é um assunto extra-classe, que perfaz a especialização em algum tema específico, para o qual o aluno se interessa. Assim, a dedicação à atividade pode ser imprescindível para o iniciante sair do curso autônomo em um determinado tema, merecendo assim mais destaque no futuro profissional e  processos seletivos, respectivamente.

No final, até anos após as rotinas formais da IC, um ou mais trabalhos da pesquisa são publicados, sendo os iniciantes também autores dos artigos, livros, capítulos e todos os demais produtos finais do estudo em equipe. Como já salientei muitas vezes, em postagens e durante as aulas, um graduado com publicação tem mais respaldo curricular do que seus concorrentes.

Então pessoal, segue a dica: busquem a Iniciação Científica, e aproveitem sua grande oportunidade de aperfeiçoamento profissional e acadêmico. À oportunidade, agradeço antecipadamente os alunos Aldierys Santos, Edme Duarte, Gabriela Rodrigues, Jessica Gonçalves e Wallaf Alves ao interesse por meus projetos.

Obrigado a todos, e vamos indo!

 

Referências

Blamires, D. A bicicleta. [Orientações]. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/search?q=bicicleta > . Acesso em: 23-06-2026.

PrP: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação-UEG. Seminários regionais de ensino, pesquisa e extensão da UEG. 2025. Disponível em: < https://www.ueg.br/prp/noticia/71236_seminarios_regionais_de_ensino_pesquisa_e_extensao_da_ueg_2025 > . Acesso em: 23-06-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Como redigir nomes científicos. [Todas as disciplinas].

 

 



Nome científico da espécie humana, com detalhes. Imagem: Autor, 10-06-2026.

 

Oi pessoal! Em momentos como agora - de encerramento e correção de avaliações – verifico um erro comum, do qual normalmente não retiro pontos, mas apenas registro alguma advertência tipo: “nomes científicos devem ser grifados”, ou “termo genérico com letra maiúscula”, etc. Não se trata de um erro apenas de vocês graduandos, mas também percebi este problema quando lecionei nos mestrados.

Assim, esta postagem é uma simples dica, sobre como apresentar corretamente a nomenclatura científica. Então, considerando o nome científico de nossa espécie (Wikipédia 2026), seguem as regras básicas para redação de um nome científico, sincronizadas conforme  a imagem acima:

 

1). Nome científico. Constituído por “termo genérico” e “epíteto específico”. Nomenclatura binária que deve ser grifada em textos manuscritos, ou destacada em itálico nos textos digitados;

2). Termo genérico. Designa o gênero ao qual a espécie pertence. Apresentado com letra inicial maiúscula e destacado (grifado ou itálico, ver item anterior);

3). Epíteto específico. Indicador da espécie, devendo também ser destacado com grifo ou itálico, respectivamente;

4). Autor. Sobrenome do pesquisador responsável por descobrir e relatar cientificamente a espécie. Uma vírgula segue após o autor;

5). Data de descrição. Ano em que a descoberta da espécie e a atribuição de seu nome científico foi formalmente publicada.

 

Há muitos acréscimos, com relação a espécies e subespécies, entre outros níveis taxonômicos. Mas, é basicamente assim que nomes científicos são redigidos. Quando se desconhece o epíteto específico, então é escrito, por exemplo, algo tipo Homo sp. Por outro lado, ao relatar duas ou mais espécies de um gênero, é redigido Homo spp. Notem que “sp.” ou “spp.” não são destacados com grifo ou itálico.

Muitos textos não inserem autor e data de descrição, para melhorar a fluência, e não estão necessariamente errados por isto. Em suma, esta foi uma postagem técnica, carente de referências,  podendo ser ampliada no futuro. Contudo, este é um daqueles assuntos que aprendemos mais na prática do que explicando os detalhes.

Abraços a todos!

 

Referências

Wikipédia: a enciclopédia livre. Humano. 2026. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Humano > . Acesso em: 10-06-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O que é vida? [Origem da Vida].

 



Projeção exposta em sala-de-aula. Fonte: Autor; atualizada em 19-05-2026.

 

O dilema do Pintor Paul Gauguin (imagem), detalhado no prólogo de Wilson (2013), talvez abranja uma das perguntas mais frequentes da humanidade a milênios. Ao refletir sobre vida, talvez todas as culturas Homo sapiens, nestes últimos 50 mil anos, tenham perguntado:

 

“De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?”

 

E assim surgiram muitas religiões e filosofias. Mas são dúvidas que podem ter surgido muito antes, frente a dois vastos e emocionantes mistérios: o inexplicável êxtase da paternidade, quando nasce um descendente; a impotência perante a morte, que não poupa ninguém.

De qualquer modo, a expectativa da perda dos parentes e outros membros do bando que pereciam, provavelmente instigou tais dúvidas muito antes de 50 mil anos, quando surgiu o homem de comportamento moderno (Brandão & Neves 2016). Afinal, sepulcros de Homo Naledi na África do Sul remontam aproximadamente 250 mil anos (Netflix 2023). Outras sepulturas de H. sapiens e H. neanderthalensis, com 120-80 mil anos, também foram descobertas no Oriente Médio (Wilson 1981, Radley 2024, What’s on Netflix 2024).

Mas, cientificamente, como poderíamos conceituar vida? Esta concepção deve ser pensada para “além da Terra”, na expectativa de encontrar vida alienígena: o âmbito da “Exobiologia (Mullen 2013)”. Neste sentido, o médico e professor estadunidense Gerald Joyce (Wikipédia 2026, Figura 1), define vida como:

 

“...um sistema químico autossustentável capaz de evolução darwiniana.” (Mullen 2013).

 



Figura 1. Gerald Joyce, PhD. Docente, Skaggs Institute for Chemical Biology, EUA. Fonte: Mullen (2013).

 

A concepção de Joyce parece ir de encontro à reflexão de Dawkins (2001), na qual a evolução darwiniana provavelmente vale não apenas na Terra, mas para onde houver vida em todo o universo. Gómez-Márquez (2021) segue esta mesma corrente, conceituando vida como “um processo que se dispõe em estruturas orgânicas organizadas, capazes de pré-programação, interação, adaptação e evolução (Tradução Livre).”

Então... Como ficariam os vírus, neste contexto? Goméz-Márquez (2021), considera os vírus seres vivos. Afinal, vírus evoluem mediante condições ambientais, apesar de possuírem apenas um tipo de ácido nucléico (Meneghetti & Facundo 2014, Blamires 2022).

Assim, apesar de todas as dúvidas projetadas pela mente humana sobre vida, a concepção científica abrange, basicamente, quaisquer sistemas autossustentáveis e capazes de evoluir. Uma visão que perfaz não apenas a vida em nosso planeta, mas quaisquer outras a serem possivelmente descobertas em outros sistemas estelares.

 

Referências

Blamires, D. A luz da evolução nas ciências biomédicas: biologia evolutiva, pandemias, e o legado de três cientistas para a humanidade. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 3, p. 17832-17840, 2022. DOI: 10.34117/bjdv8n3-154

Brandão, M. C. T., Neves, W. Como nos tornamos humanos. Curitiba: Editora CRV, 2016.

Dawkins, R. O relojoeiro cego: a teoria da evolução contra o desígnio divino. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2001.

Goméz-Márquez, J. What is Life? Molecular Biology Reports, 2021. DOI: https://doi.org/10.1007/s11033-021-06594-5

Meneguetti, D. U. O., Facundo, V. A. Vírus ser vivo ou não? Eis a questão. Revista de epidemiologia e controle de infecção, v. 4, n. 1, 2014.

Mullen, L. Defining Life: Q&A with Scientist Gerald Joyce. 2013. Disponível em: < https://www.space.com/22210-life-definition-gerald-joyce-interview.html > . Acesso em: 03-06-2026.

Netflix. UNKNOWN: Cave of Bones (Official Trailer. 2023. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=D85B4rVcFtk > . Acesso em: 03-06-2026.

Radley, D. Neanderthals and early Homo sapiens had different burial practices, study suggests. Archaeology News: online magazine. 2024. Disponível em: < https://archaeologymag.com/2024/11/neanderthals-and-homo-sapiens-had-different-burial-practices/ > . Acesso em: 03-06-2026.

Wilson, E. O. Da natureza humana. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981.

Wilson, E. O. A conquista social da Terra. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.

What’s on Netflix. Secrets of the Neanderthals - Netflix Trailer. 2024. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=n_hn_Ov2qpk > . Acesso em: 03-06-2026.

Wikipédia. Gerald Joyce. 2026. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Gerald_Joyce > . Acesso em: 03-06-2026.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

Juntos pela biosfera. [Biologia da Conservação].

      Provavelmente Campo Cerrado. Senador Canedo-GO, março 1995. Foto do autor.   “I can hear the whole world singing together ...