Aula sobre dinâmica de metapopulações e sistema source-sink. Autor,
13-08-2025.
Caros alunos, aula passada
comentamos sobre dinâmica de metapopulações, e também lembrei ter revisado este
assunto recentemente (Blamires 2023). Ao final, entramos em outro modelo que
aparece pouco nos livros de ecologia básica, o “fonte-escoadouro (source-sink)”, uma alternativa aos
modelos metapopulacionais. A maior parte desta postagem segue Pinto-Coelho (2000).
O princípio básico deste modelo
está centrado, de modo geral, no excedente populacional de um habitat “fonte
(com muitos recursos)” para um habitat “escoadouro (com recursos escassos)”,
conforme esquematizado na Figura 1. Assim, em um habitat fonte, com recursos
naturais (R) abundantes, as taxas de
natalidade (b) de uma população
tendem a exceder as de mortalidade (d).
Consequentemente, o tamanho da população (N)
tende a aumentar.
Figura 1. Modelo
“Fonte-Escoadouro (source-sink)”. Conforme
descrição em Pinto-Coelho (2000).
Contudo, o excesso demográfico - ou aumento da população no habitat fonte - se torna insuportável, à medida que os
recursos são insuficientes para todos os indivíduos (Figura 1). Então, muitos
que não conseguem sobreviver e reproduzir nos habitats fonte se deslocam para os
escoadouros, com menos recursos, além de mortalidade superior à natalidade (b<d, ver também Dias 1996).
Neste contexto, o modelo prevê um
fluxo unidirecional, sentido fonte-escoadouros. Nos habitats sink, com poucos recursos e taxas altas de
mortalidade, as populações não podem persistir, a menos que sejam
constantemente abastecidas por fluxos de indivíduos provenientes dos habitats source. A princípio, a dinâmica source-sink é similar ao modelo de
metapopulações continente-ilha, apesar do primeiro relevar as características
básicas dos habitats, ou: a diferença entre os habitats fonte-escoadouro sugere
que suas fisionomias constituintes são distintas. Todos os modelos
metapopulacionais irrelevam diferenças fisionômicas entre suas manchas de
habitat.
Dias (1996) destaca uma
importante predição conservacionista do modelo source-sink. Preservar apenas os habitats escoadouro, por exemplo,
pode extinguir todas as populações de uma espécie ao longo de uma paisagem,
considerando suas taxas de mortalidade maiores. Importante ressaltar que,
segundo a hipótese “mais indivíduos (more individuals hypothesis)”
de Balmford et al. (2001), habitats com
mais riqueza de espécies possuem maior produtividade ecológica, são mais
favoráveis para atividades antropogênicas (agropastoris, por exemplo), e consequentemente
também atraem mais as populações humanas.
Assim, o estabelecimento de áreas
de conservação ambiental não deve se restringir apenas às áreas menos
produtivas e mais “escoadouros”, mas também às áreas mais produtivas (mais “fonte”),
para garantir que muitas populações silvestres mantenham tamanhos populacionais
satisfatórios.
Referências
Balmford, A., Moore, J. L., Brooks, T.,
Burgess, N., Hansen, L. A., Williams, P., Rahbek., C. Conservation conflicts
across Africa. Science v. 291,
p. 2616-2619, 2001.
Blamires, D. Ecologia no quadro: temas ecológicos com figuras manuscritas. São
José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2023. DOI: 10.35587/brj.ed.0002193
Dias, P. C. Sources and sinks in population
biology. TREE, v. 11, n. 8, p.
326-330, 2006.
Pinto-Coelho, R. M. Fundamentos em ecologia. Porto Alegre:
ARTMED Editora, 2000.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.