segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

O método científico e a rosa vermelha. [Todas as disciplinas].



Diagrama-rascunho comparando as distintas linhas de conhecimento. Data: 06-03-2020.


Em certo momento, todo professor de ciências naturais precisa distinguir o procedimento empregado nas disciplinas que leciona, em relação a outras áreas do conhecimento. O esboço rabiscado que fiz na figura acima é um dentre vários que já preparei neste sentido, para as primeiras aulas de alguma disciplina. Importante considerar que o conhecimento abrange muitos contextos sociais, econômicos, culturais, sendo todas as suas ramificações importantes.

Entretanto, as ciências naturais – física, química e biologia –  empregam nos últimos séculos o procedimento do célebre polímata florentino Galileu Galilei (1564-1642), atualmente denominado “método científico”. Uma técnica genial, elementar e de fácil compreensão. Costumo apresentar na lousa o método científico conforme exposto adiante, exemplificando com o fictício estudo da “rosa vermelha (exemplificação em sequência nos asteriscos) ”. Há muitos textos importantes descrevendo o assunto, mas é assim que simplifico a situação, para não comprometer a ementa das disciplinas. E neste sentido, o método científico procede nas seguintes etapas:

 

a). Percepção empírica. Pelos órgãos dos sentidos.

*. Observação de uma rosa vermelha.

b). Pergunta. Indagação sobre o que foi percebido.

*. A rosa é vermelha?

c). Hipóteses. Suposições a serem testadas, sendo a primeira nula (H0: inexistência de diferenças significativas), e a segunda alternativa (H1: existem diferenças significativas).

*. H0: A rosa não é vermelha; H1: a rosa é vermelha.

d). Coleta de evidências. Também denominadas provas ou fatos.

*. Obtenção de pigmentos com íons ferro nas pétalas de rosa.

e). Análise sistêmica das evidências. Uso de procedimento matemático, importante para diminuir o efeito das idiossincrasias (opiniões ou interpretações pessoais).

*. Percentual (%) de pigmentos com íons ferro nas pétalas das rosas superior a 80% (alto).

f). Comparação das hipóteses. Conforme o resultado da análise sistêmica, aceita-se uma das hipóteses.

*. Rejeita-se H0 e aceita-se H1, porque a proporção de íons ferro nas pétalas é alta.

g). Conclusão. Consideração final.

*. A rosa é vermelha.

 

Importante ressaltar que esta é uma simplificação para efeito didático, não sendo tão simples assim ao longo de quaisquer rotinas científicas. Mas o método científico é de fato simples e funcional. Também é um procedimento autocorretivo, pois sempre releva a premissa do erro, podendo ser repetido mediante novas evidências ou críticas fundamentadas. E no final, graças a este método paradoxalmente elementar e poderoso, que a humanidade hoje caminha com bombas atômicas, radioterapias e vacinações em massa.

 

Referências.

Chalton, N. & M. MacArdle. A história da ciência para quem tem pressa: de Galileu a Stephen Hawking em 200 páginas. Rio de Janeiro: Editora Valentina. 2018.

Mosley, M. & J. Lynch. Uma história da ciência: experiência, poder e paixão. Rio de Janeiro: Zahar. 2011.

Sagan, C. E. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Editora Companhia das Letras. 2006.

Wikipédia: a enciclopédia livre. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei > . 2023. Acesso em: 22-01-2024.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

 




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