quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Cientistas não gostam de Deus? Breve reflexão. [Evolução Orgânica].

 


Livros de Edward Osborne Wilson sobre minha mesa de trabalho. Data: 07-02-2024.

Serei breve neste assunto polêmico, mas gostaria de iniciar manifestando tristeza por retrocedermos a este tempo de tendências fundamentalistas, distorções e extremismo em pleno Século XXI. Como professor de biologia evolutiva, contudo, as vezes torna-se necessário responder algumas perguntas, e assim confrontar o triste contexto do “nós e eles” que nestes últimos dez anos no Brasil tem provocado confusão, reações viscerais imprudentes, inversão de valores e ódio... Muito ódio...

Então voltemos ao passado, aproximadamente seis anos atrás. Certa vez, meu caçula Lucas voltou da escola e me disse ter ouvido dos colegas que “...Cientistas não gostam de Deus...” Eu - que sou agnóstico a mais de duas décadas - inicialmente pensei em ignorar, mas mudei a seguir.  Então respondi conforme a sequência adiante, aqui mais ampla em relação à resposta para meu menino. Esta é minha opinião pessoal:

 

a). Por motivos óbvios, no meio acadêmico há uma ampla partilha e produção de conhecimentos;

b). O conhecimento muda para sempre a mente de quem lhe recebe com frequência e sem preconceitos;

c). Em uma rotina de busca, produção e partilha ampla de conhecimento, as pessoas se tornam mais autênticas e assumem suas convicções, tornando-se mais francas consigo mesmas.

 

Assim, uma pessoa pode se manter religiosa no meio acadêmico, ou simplesmente abandonar esta prática, como foi meu caso. Acadêmicos também não praticam embate entre religião e conhecimento: apenas exigem que estas duas concepções não se misturem. Existem de fato casos extremos, mas professores e pesquisadores em geral tem mais o que fazer, ao invés de investir recursos escassos em conflitos. Edward O. Wilson é uma das minhas maiores referências, e em muitos de seus livros há evidente esforço em conciliar os lados e trabalhar em prol de algo importante, como a conservação da biosfera, ao invés de gerar frentes de batalha em busca de verdades absolutas.

Ademais, nas escrituras sagradas, o trecho onde Jesus responde “...Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt. 22, 21) ” também sugere que o próprio fundador do cristianismo optou pela convivência com as diferenças, ao invés do confronto. Então, um povo que prefere o respeito ao diferente e a convivência com outras opiniões, que não as de seus próprios muros, vive mais em paz em relação aos sectários.

 

Sugestões de leitura:

Wikipédia: a enciclopédia livre. 2023. Edward Osborne Wilson. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Osborne_Wilson >. Acesso em: 07-02-2024.

Wilson, E. O. Diversidade da Vida. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

Wilson, E. O. A criação: como salvar a vida na Terra. São Paulo. Editora Companhia das Letras, 2008.

 

Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.


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