Livros de Edward Osborne Wilson sobre minha mesa de trabalho. Data: 07-02-2024.
Serei breve neste assunto
polêmico, mas gostaria de iniciar manifestando tristeza por retrocedermos a
este tempo de tendências fundamentalistas, distorções e extremismo em pleno
Século XXI. Como professor de biologia evolutiva, contudo, as vezes torna-se
necessário responder algumas perguntas, e assim confrontar o triste contexto do
“nós e eles” que nestes últimos dez anos no Brasil tem provocado confusão,
reações viscerais imprudentes, inversão de valores e ódio... Muito ódio...
Então voltemos ao passado,
aproximadamente seis anos atrás. Certa vez, meu caçula Lucas voltou da escola e
me disse ter ouvido dos colegas que “...Cientistas não gostam de Deus...” Eu -
que sou agnóstico a mais de duas décadas - inicialmente pensei em ignorar, mas
mudei a seguir. Então respondi conforme a
sequência adiante, aqui mais ampla em relação à resposta para meu menino. Esta
é minha opinião pessoal:
a). Por motivos óbvios, no meio
acadêmico há uma ampla partilha e produção de conhecimentos;
b). O conhecimento muda para
sempre a mente de quem lhe recebe com frequência e sem preconceitos;
c). Em uma rotina de busca, produção
e partilha ampla de conhecimento, as pessoas se tornam mais autênticas e
assumem suas convicções, tornando-se mais francas consigo mesmas.
Assim, uma pessoa pode se manter
religiosa no meio acadêmico, ou simplesmente abandonar esta prática, como foi
meu caso. Acadêmicos também não praticam embate entre religião e conhecimento:
apenas exigem que estas duas concepções não se misturem. Existem de fato casos
extremos, mas professores e pesquisadores em geral tem mais o que fazer, ao
invés de investir recursos escassos em conflitos. Edward O. Wilson é uma das
minhas maiores referências, e em muitos de seus livros há evidente esforço em
conciliar os lados e trabalhar em prol de algo importante, como a conservação
da biosfera, ao invés de gerar frentes de batalha em busca de verdades absolutas.
Ademais, nas escrituras sagradas,
o trecho onde Jesus responde “...Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus
o que é de Deus (Mt. 22, 21) ” também sugere que o próprio fundador do
cristianismo optou pela convivência com as diferenças, ao invés do confronto. Então,
um povo que prefere o respeito ao diferente e a convivência com outras
opiniões, que não as de seus próprios muros, vive mais em paz em relação aos
sectários.
Sugestões de leitura:
Wikipédia: a enciclopédia livre.
2023. Edward Osborne Wilson.
Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Osborne_Wilson >.
Acesso em: 07-02-2024.
Wilson, E. O. Diversidade da Vida. São Paulo:
Companhia das Letras, 1994.
Wilson, E. O. A criação: como salvar a vida na Terra.
São Paulo. Editora Companhia das Letras, 2008.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.
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