quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Sala-de-aula difícil... Mas o que é fácil no Brasil? [Todas as disciplinas].



Desenho esquemático em aula de ecologia geral, UEG-Iporá. Data: 22-03-23.

 

O esquema na figura acima foi elaborado durante aula para o sétimo período de biologia. Comecei a lecionar informalmente a mais de três décadas, para manter meus estudos na UFG. Mais tarde, consegui ingressar no quadro de professores temporários do ensino estadual fundamental e médio goiano, onde permaneci até conseguir minha bolsa de mestrado no ICB1-UFG. Minhas estórias já estão relatadas nos prefácios dos livros que publiquei recentemente (Blamires 2022, 2023, 2024), mas é isso: meu sustento provém das salas-de-aula há tempos, sendo também algo que gosto de fazer.

De fato, a carreira de professor em nosso país apresenta muitas dificuldades, e até mesmo riscos à vida, conforme rotineiramente exposto pelas mídias em geral, não havendo necessidade de se estender neste contexto. Entretanto, nesta postagem gostaria de refletir em sentido contrário, voltado sobretudo aos discentes dos cursos em licenciaturas, que frequentemente sofrem pressões do público e dos próprios parentes para abandonarem a carreira docente em busca de cursos mais “rentáveis e com mais status”, tipo aqueles da saúde e segurança. E assim, todo ano começo as disciplinas com esta reflexão, a qual tentei expor neste texto.

Primeiramente, não vivemos no mundo considerado “desenvolvido”, estando nosso país ao nível “em desenvolvimento”. Isto significa que no Brasil, talvez tudo esteja em fase de desenvoltura: segurança, trânsito, atividades agropastoris, infraestruturas em geral e... Educação! Considero um mito, neste contexto, acusar apenas algumas carreiras, como a docência, de precariedade. Em países como o nosso, quase todos os sistemas ainda estão na fase de desenvolvimento, com muitos problemas a serem mitigados. Trata-se, assim, de um contratempo a nível nacional, muito mais amplo, que não será solucionado a curto prazo, e particularmente creio inexistir uma alternativa que seja de todo melhor em relação a outras.

Por outro lado, as pessoas também nos questionam sobre a baixa renda da carreira docente. Neste contexto, e isso deve ser válido em todo o planeta, quaisquer ofícios se iniciam com mais trabalho e menos renda. A dedicação, aumento de perícia, busca constante por aprimoramento, levam aos poucos a menos esforço de trabalho e maior renda. Uma dinâmica provavelmente explicada por modelos matemáticos, tipo estabilização assintótica do lucro ao longo do tempo. Assim, exceto para aqueles que nasceram ou ingressaram em famílias abastadas – um privilégio de muito poucos no mundo – toda carreira requer substancial esforço, sobretudo no início.

Também vale ressaltar que sempre há trabalho para professores, apesar dos contratempos. Tive alunos cursando biologia e previamente graduados em biomedicina, farmácia, engenharia elétrica, zootecnia, entre outros cursos. E ouvi deles que ser professor proporcionava um salário constante ao longo dos meses, dentre outras vantagens, como plano de saúde mais barato, no caso de emprego na rede pública.

E a meu ver, vivemos em um país onde as pessoas ainda mantém costumes provincianos, tipo julgar as coisas sobre a ótica de, por exemplo, “status”. Seríamos economicamente mais eficazes, se enxergássemos tudo em um âmbito mais funcional, mas isto será tema de outra publicação. Aqui gostaria de ressaltar que saúde, segurança e educação são grandes pilares da civilização contemporânea, estando o professor, no mundo desenvolvido, ao mesmo nível de respaldo que o médico e o policial, por exemplo.

Gostaria de finalizar também que um professor nunca é esquecido, e sempre depara com algum aluno de tempos atrás em vários lugares, que se aproxima e diz: “...Lembra de mim? O senhor foi meu professor...” E assim prossegue um encontro de reverência, afetividade e boas lembranças inexplicável, que só os professores entendem.

Abraços a todos.


Referências

Blamires, D. Aves urbanas de Iporá, estado de Goiás. São José dos Pinhais: Brazilian Journals Publicações de períodicos e editora. 2022. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=4T58q26QuIgz9CVo0eUO28stp2H17M6K > . Acesso em: 19-02-2025.

Blamires, D.  Ecologia no quadro: Temas ecológicos com figuras manuscritas. 2023. Disponível em: <  https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=1oR5tGXqvKTJmW71Y30Le4604sib4M82 > . Acesso em: 19-02-2025.

Blamires, D. Evolução no quadro: temas evolutivos com figuras manuscritas. 2024. Disponível em: <  https://brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=88ywZ0239D60dv54PGKIqYCx081eosJQ > . Acesso em: 19-02-2025.


Daniel Blamires. Doutor em Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

Editado em 19-02-2025.

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