Desenho esquemático em aula de ecologia geral, UEG-Iporá. Data:
22-03-23.
O esquema na figura acima foi elaborado durante aula para o sétimo período de biologia. Comecei a lecionar informalmente a mais de três décadas, para manter meus estudos na UFG. Mais tarde, consegui ingressar no quadro de professores temporários do ensino estadual fundamental e médio goiano, onde permaneci até conseguir minha bolsa de mestrado no ICB1-UFG. Minhas estórias já estão relatadas nos prefácios dos livros que publiquei recentemente (Blamires 2022, 2023, 2024), mas é isso: meu sustento provém das salas-de-aula há tempos, sendo também algo que gosto de fazer.
De fato, a carreira de professor
em nosso país apresenta muitas dificuldades, e até mesmo riscos à vida,
conforme rotineiramente exposto pelas mídias em geral, não havendo necessidade
de se estender neste contexto. Entretanto, nesta postagem gostaria de refletir
em sentido contrário, voltado sobretudo aos discentes dos cursos em licenciaturas, que frequentemente sofrem pressões do público e dos
próprios parentes para abandonarem a carreira docente em busca de cursos mais “rentáveis
e com mais status”, tipo aqueles da saúde e segurança. E assim, todo ano começo
as disciplinas com esta reflexão, a qual tentei expor neste texto.
Primeiramente, não vivemos no mundo
considerado “desenvolvido”, estando nosso país ao nível “em desenvolvimento”.
Isto significa que no Brasil, talvez tudo esteja em fase de desenvoltura:
segurança, trânsito, atividades agropastoris, infraestruturas em geral e...
Educação! Considero um mito, neste contexto, acusar apenas algumas carreiras,
como a docência, de precariedade. Em países como o nosso, quase todos os
sistemas ainda estão na fase de desenvolvimento, com muitos problemas a serem mitigados.
Trata-se, assim, de um contratempo a nível nacional, muito mais amplo, que não
será solucionado a curto prazo, e particularmente creio inexistir uma alternativa
que seja de todo melhor em relação a outras.
Por outro lado, as pessoas também
nos questionam sobre a baixa renda da carreira docente. Neste contexto, e isso
deve ser válido em todo o planeta, quaisquer ofícios se iniciam com mais trabalho
e menos renda. A dedicação, aumento de perícia, busca constante por aprimoramento,
levam aos poucos a menos esforço de trabalho e maior renda. Uma dinâmica
provavelmente explicada por modelos matemáticos, tipo estabilização
assintótica do lucro ao longo do tempo. Assim, exceto para aqueles que nasceram
ou ingressaram em famílias abastadas – um privilégio de muito poucos no mundo –
toda carreira requer substancial esforço, sobretudo no início.
Também vale ressaltar que
sempre há trabalho para professores, apesar dos contratempos. Tive alunos cursando biologia e previamente graduados em biomedicina, farmácia, engenharia elétrica, zootecnia,
entre outros cursos. E ouvi deles que ser professor proporcionava um salário constante ao
longo dos meses, dentre outras vantagens, como plano de saúde mais barato, no
caso de emprego na rede pública.
E a meu ver, vivemos em um país
onde as pessoas ainda mantém costumes provincianos, tipo julgar as coisas sobre
a ótica de, por exemplo, “status”. Seríamos economicamente mais eficazes, se
enxergássemos tudo em um âmbito mais funcional, mas isto será tema de outra
publicação. Aqui gostaria de ressaltar que saúde, segurança e educação são
grandes pilares da civilização contemporânea, estando o professor, no mundo
desenvolvido, ao mesmo nível de respaldo que o médico e o policial, por
exemplo.
Gostaria de finalizar também que
um professor nunca é esquecido, e sempre depara com algum aluno de tempos atrás
em vários lugares, que se aproxima e diz: “...Lembra de mim? O senhor foi meu
professor...” E assim prossegue um encontro de reverência, afetividade e boas
lembranças inexplicável, que só os professores entendem.
Abraços a todos.
Referências
Blamires, D. Aves urbanas de Iporá, estado de Goiás. São José dos Pinhais: Brazilian Journals Publicações de períodicos e editora. 2022. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=4T58q26QuIgz9CVo0eUO28stp2H17M6K > . Acesso em: 19-02-2025.
Blamires, D. Ecologia no quadro: Temas ecológicos com figuras manuscritas. 2023. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=1oR5tGXqvKTJmW71Y30Le4604sib4M82 > . Acesso em: 19-02-2025.
Blamires, D. Evolução no quadro: temas evolutivos com figuras manuscritas. 2024. Disponível em: < https://brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=88ywZ0239D60dv54PGKIqYCx081eosJQ > . Acesso em: 19-02-2025.
Daniel Blamires. Doutor em Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.
Editado em 19-02-2025.

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