Aula sobre teste de hipóteses no quadro. Data: 29-09-2023.
O que é uma hipótese? Em meu último
livro, tomei a liberdade de conceituar como:
“Uma das etapas iniciais do
procedimento científico, sendo uma premissa inicial a ser testada. O método
científico normalmente avalia duas hipóteses distintas: nula (H0),
quando as variáveis não diferem significativamente entre si; alternativa (H1),
quando as variáveis são significativamente distintas entre si, por exemplo. (Blamires
2024, p. 43).”
Testar estatisticamente hipóteses é uma importante etapa do procedimento científico (Vieira 1998). Segundo Ferreira (2005), os elementos dos testes de hipóteses seguem conforme as etapas:
a). Hipótese nula;
b). Hipótese alternativa;
c). Modelo estatístico;
d). Nível de significância (região de
rejeição, margem de erro);
e). Conclusão.
O modelo estatístico é o que será
empregado na análise, conforme cada circunstância específica. Normalmente,
utiliza-se os modelos paramétricos para variáveis cuja distribuição é similar ao esperado pela curva normal padrão; por outro lado, modelos não-paramétricos
são empregados quando as variáveis possuem distribuição assimétrica em
comparação à curva normal padrão (Lopes et
al. 2014). No passado (Obs. Pes.), era prática comum usar análises
paramétricas para amostras grandes, com número de casos igual ou superior a
trinta (N≥30), e não-paramétricas para números de casos comparativamente
inferiores (N<30). A descrição adiante segue Zar (1999). Existem modelos estatísticos paramétricos e
seus equivalentes não-paramétricos, conforme os exemplos a seguir:
|
MODELO PARAMÉTRICO |
EQUIVALENTE
NÃO-PARAMÉTRICO |
|
Teste “t”
(dados independentes) |
“U” de Mann-Whitney |
|
Teste “t”
(dados pareados) |
“W” de Wilcoxon |
|
Análise de
Variância (ANOVA, "F") |
“H” de Kruskall-Wallis |
|
Correlação
de Pearson (r) |
Correlação
de Spearman (rs) |
O resultado obtido é testado conforme o nível de significância, que pode ser:
a). Probabilidade de erro tipo I (α): rejeitar a hipótese nula verdadeira;
b). Probabilidade de erro tipo II (β): aceitar a hipótese nula falsa.
Em bioestatística, normalmente
emprega-se α=0,05, que é comparado à probabilidade de erro obtida pelo
cálculo do modelo (p), conforme a
regra abaixo:
a). p>α: Aceita-se a hipótese nula (H0),
rejeita-se a hipótese alternativa (H1). Conclui-se que as variáveis
analisadas não são, por exemplo, significativamente distintas;
b). p<α: Rejeita-se H0 e aceita-se H1. Conclui-se
que, neste contexto, as variáveis analisadas são significativamente distintas.
Nos tempos dos cálculos a mão, comparávamos
o valor do modelo calculado ao da tabela, conforme a seguir (ver Adamoski 2020),
considerando os graus de liberdade (GL) e o α=0,05. A interpretação é contrária em
relação à anterior:
a). VALOR CALCULADO < VALOR
TABELA: Aceita-se H0 e rejeita-se H1: as diferenças não
são significativas.
b). VALOR CALCULADO > VALOR
TABELA: rejeita-se H0 e aceita-se H1: as diferenças são
significativas.
E... Cuidado para não confundir a
análise! Por muito pouco a gente erra essas sequências e distorce os resultados
finais. Também gostaria de ressaltar que, nestes tempos de programas gratuitos
e acessíveis, considero o software Past 4.16c (Hammer 2024) o melhor e mais
versátil para cálculos estatísticos, inclusive para uso em aulas práticas. Finalmente,
uma conclusão clara e objetiva, de modo que o público leigo entenda, também deve ser inserida no final.
Referências:
Adamoski, D. Qui-quadrado e cruzamentos. 2020. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=8fggf1RfEdU
> . Acesso em: 04-11-2024.
Blamires, D. Evolução no quadro: temas evolutivos com figuras manuscritas.
[Livro Eletrônico]. São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2024. Disponível
em: <
https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=88ywZ0239D60dv54PGKIqYCx081eosJQ
> . Acesso em: 04-11-2024.
Ferreira, P. L. Estatística descritiva e inferencial: breves notas. Faculdade de
Economia: Universidade de Coimbra, 2005.
Hammer,
O. Past 4.16c: the past of the future. Disponível em: < https://www.nhm.uio.no/english/research/resources/past/
> . Acesso em: 04-11-2024.
Vieira, S. V. Introdução à bioestatística, 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora
Campus, 1998.
Zar,
J. H. Biostatistical Analysis, fourth
edition. New Jersey:
Prentice Hall, 1999.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

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