Capa de Wilson
(2018).
Oi pessoal! Como prescrevi muitas
vezes, bem como repeti em sala de aula, Edward Wilson (Stone & Greshko
2022) é minha maior referência literária. Tanto, que nestes últimos meses li
três de seus livros consecutivamente (ver outras sinopses em Blamires 2025a, b).
Este (Wilson 2018), foi o último. Novamente, convém ressaltar que
sinopses das monumentais obras de E. Wilson são incompletas, considerando a
ampla abrangência do autor. Assim, encorajo quem se interessar pelos temas a leitura
dos livros originais.
A meu ver, Wilson (2018)
complementa “a conquista social da Terra (Wilson 2013)”. No último, contudo, o
autor apresenta mais sua opinião sobre o essencial de nossa espécie. O livro
começa com uma interessante reflexão:
“A história não tem muito
sentido sem a pré-história, e a pré-história não tem muito sentido sem a
biologia. O conhecimento da pré-história e da biologia anda a passos largos,
trazendo maior foco à origem da humanidade e ao porquê de uma espécie como a
nossa existir neste planeta. (Wilson 2018, p. 4)”.
Uma premissa enunciada previamente
(Wilson 1981). De fato, muitos estudos nas humanidades apresentam aspecto
bastante superficial e redundante. Simplesmente por ignorarem que, no final,
todos nós Homo sapiens somos: seres vivos, animais, macacos... E
finalmente humanos! Assim, os fundamentos orgânicos de nossa espécie deveriam
ser a base para conhecer muitos dos seus aspectos.
Contudo, Wilson (2018) enaltece
as humanidades como algo que nos distingue. Por exemplo, ele postula que caso fizermos
contato com seres alienígenas intelectualmente avançados, na condição de
viajantes interestelares eles simplesmente desprezariam nossa ciência:
extremamente rudimentar para viajantes espaciais. Então, eles buscariam a
criatividade que aflora em outros aspectos da humanidade, tipo nossa arte.
E neste contexto de vida alienígena, o autor também reflete sobre como seria uma
espécie extraterrestre inteligente, a qual teria evoluído a consciência em uma dinâmica evolutiva similar à nossa.
O autor também aponta a
importância de se preservar a natureza humana como ela de fato é, apesar de
contestar nossa tendência genética ao tribalismo, o qual convém evitar neste tempo de armas poderosas. Wilson (2018) ressalta, por exemplo, que nossa capacidade
de inovação é um produto cerebral da emoção e razão em
conjunto, não abrangendo apenas o conhecimento técnico. Neste sentido, o autor
sugere que produzamos conhecimento em um “novo iluminismo”: uma perspectiva
mais holística, similar a dos grandes pensadores da Idade Moderna.
E novamente, Wilson (2018) teceu
críticas ao princípio da “Seleção de Parentesco (Aptidão Inclusiva)”, ressaltando
a estrutura matematicamente insustentável desta teoria, e sugerindo sua
substituição pela “Seleção de Grupo”. O autor pondera ter corroborado e
defendido a Aptidão Inclusiva no passado, durante muitos anos. Mas nos anos
2010, ele e outros autores atestaram a incompatibilidade deste enfoque, publicando
um texto sobre o assunto de grande repercussão no meio científico: um
debate que parece continuar atualmente.
Edward Wilson foi um cientista
que, de fato, deixou um grande legado para a Biologia. Um “analista
de dados” - como ele mesmo se intitulava – de grande sabedoria para reconhecer
e corrigir erros, sem necessariamente perder a sensibilidade e a percepção
holística, rumo a um conhecimento que deveria se interligar a todas as
distintas áreas do conhecimento humano.
Referências
Blamires, D. De um gigante para
jovens naturalistas: conselhos de Edward Wilson. Resumos das Aulas. 2025a.
Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2025/07/de-um-gigante-para-jovens-naturalistas.html
> . Acesso em: 02-03-2026.
Blamires, D. Wilson e a conquista
social da Terra. Resumos das Aulas. 2025b. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2025/10/wilson-e-conquista-social-da-terra.html
> . Acesso em: 02-03-2026.
Stone, A., Greshko, M. Quem foi
E. O. Wilson, o “herdeiro natural de Darwin”. National Geographic Brasil.
2022. Disponível em: <
https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/01/quem-foi-eo-wilson-o-herdeiro-natural-de-darwin
> . Acesso em: 02-03-2026.
Wilson, E. O. Da natureza
humana. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981.
Wilson, E. O. A conquista
social da Terra. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.
Wilson, E. O. O sentido da
existência humana. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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