segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Pequi de Iporá: valor produtivo? Sugestão para estudos futuros. [Economia Ambiental].

 

 

Banca de pequi na feira coberta de Iporá. Fonte: Autor, 01-12-2024.

 

Caminhei muito pelo nervoso centro de Goiânia da infância à juventude. E entre os meses de outubro a dezembro, na estação chuvosa, percebi muitos vendedores em bancas-de-pequi anunciando: “Pequi de Iporá!...” É como se a qualidade dos frutos do pequizeiro, tão apreciado por meu povo goiano, fosse associada aos do território iporaense.

E desde que viajo para Iporá, vejo nesta época barracas com vendedores de pequi à beira da estrada, não em território iporaense, mas na malha urbana do município vizinho Israelândia. Famílias de lavradores e outros pequenos produtores rurais oferecem os frutos em latas-de-alumínio, como na gravura acima. Na cidade de Iporá, vendedores de pequi expõem seus produtos nas grandes avenidas da malha urbana, bem como nas feiras municipais. Importante ressaltar que algumas vezes ouvi pessoas em Iporá e cidades circunvizinhas afirmarem que o pequi é um “décimo terceiro salário”, para o pequeno produtor e trabalhadores similares.

Então, o pequizeiro, Caryocar brasiliense Cambess., deve ser estudado não apenas em um contexto biológico, como espécie endêmica e amplamente distribuída no Cerrado (Lorenzi 2014, Silva 2019), mas também economicamente. Neste contexto, penso que estudos de Economia Ambiental deveriam ser conduzidos para análise da valoração e impacto econômico dos pequizeiros, em microrregiões como Iporá e arredores. Mas o que é Economia Ambiental?

A descrição a seguir segue Primack & Rodrigues (2002). Economia Ambiental é uma disciplina que abrange economia, ciências ambientais e políticas públicas, e inclui valores à biodiversidade. Sobre a valoração da biodiversidade, são avaliados, por exemplo, os valores produtivos, ou valores econômicos diretos extraídos na natureza e vendidos no mercado. Os frutos da castanheira-do-pará Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl., são um exemplo de bens de consumo com valor produtivo impactante na economia de estados brasileiros como o Acre, por exemplo.

E o pequi? Conforme supracitado, pequizeiros teriam impacto econômico na paisagem de Iporá e municípios circunvizinhos? Estudos futuros, com análises de economia ambiental deveriam ser elaborados, para compreender a valoração de C. brasiliense entre moradores de Iporá e arredores. Campanhas para conservação dos pequizeiros e suas fisionomias vegetais nativas também deveriam avançar, tanto na microrregião de Iporá, como em todo o território goiano.

 

Referências:

Lorenzi, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil, vol. 1, sexta edição. Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

Primack, R. B., Rodrigues, E. Biologia da Conservação. Londrina: Editora Midiograf, 2002.

Silva, P. H. Investigando o impacto das mudanças climáticas sobre a produtividade e o serviço de polinização em Caryocar brasiliense. Dissertação de Mestrado: Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais do Cerrado (RENAC). Orientador: Paulo de Marco Júnior, 2019.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.


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