Banca de pequi na feira
coberta de Iporá. Fonte: Autor, 01-12-2024.
Caminhei muito pelo nervoso centro de Goiânia da infância à
juventude. E entre os meses de outubro a dezembro, na estação chuvosa, percebi muitos
vendedores em bancas-de-pequi anunciando: “Pequi de Iporá!...” É como se a
qualidade dos frutos do pequizeiro, tão apreciado por meu povo goiano, fosse
associada aos do território iporaense.
E desde que viajo para Iporá, vejo nesta época barracas com
vendedores de pequi à beira da estrada, não em território iporaense, mas na
malha urbana do município vizinho Israelândia. Famílias de lavradores e outros
pequenos produtores rurais oferecem os frutos em latas-de-alumínio, como na
gravura acima. Na cidade de Iporá, vendedores de pequi expõem seus produtos nas
grandes avenidas da malha urbana, bem como nas feiras municipais. Importante
ressaltar que algumas vezes ouvi pessoas em Iporá e cidades circunvizinhas
afirmarem que o pequi é um “décimo terceiro salário”, para o pequeno produtor e
trabalhadores similares.
Então, o pequizeiro, Caryocar
brasiliense Cambess., deve ser estudado não apenas em um contexto biológico,
como espécie endêmica e amplamente distribuída no Cerrado (Lorenzi 2014, Silva
2019), mas também economicamente. Neste contexto, penso que estudos de Economia
Ambiental deveriam ser conduzidos para análise da valoração e impacto
econômico dos pequizeiros, em microrregiões como Iporá e arredores. Mas o
que é Economia Ambiental?
A descrição a seguir segue Primack &
Rodrigues (2002). Economia Ambiental é uma disciplina que abrange economia,
ciências ambientais e políticas públicas, e inclui valores à biodiversidade. Sobre
a valoração da biodiversidade, são avaliados, por exemplo, os valores
produtivos, ou valores econômicos diretos extraídos na natureza e vendidos no
mercado. Os frutos da castanheira-do-pará Bertholletia
excelsa Humb. & Bonpl., são um exemplo de bens de consumo com valor produtivo
impactante na economia de estados brasileiros como o Acre, por exemplo.
E o pequi? Conforme supracitado, pequizeiros teriam impacto econômico
na paisagem de Iporá e municípios circunvizinhos? Estudos futuros, com análises
de economia ambiental deveriam ser elaborados, para compreender a valoração de C.
brasiliense entre moradores de Iporá e arredores. Campanhas para conservação
dos pequizeiros e suas fisionomias vegetais nativas também deveriam avançar,
tanto na microrregião de Iporá, como em todo o território goiano.
Referências:
Lorenzi, H. Árvores
brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do
Brasil, vol. 1, sexta edição. Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.
Primack, R. B., Rodrigues, E. Biologia da Conservação. Londrina: Editora Midiograf, 2002.
Silva, P. H. Investigando o impacto das mudanças climáticas
sobre a produtividade e o serviço de polinização em Caryocar brasiliense. Dissertação de Mestrado: Programa de
Pós-Graduação em Recursos Naturais do Cerrado (RENAC). Orientador: Paulo de
Marco Júnior, 2019.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

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