Campo nativo no topo do Morro do Macaco em Iporá, Goiás. Data:
14-04-1995. Foto do autor.
Subi o Morro do
Macaco com um grupo de colegas em abril de 1995, quando registrei a imagem
acima. Cerca de trinta anos depois, recebi a triste notícia de que parte desta
área, no topo do monte, foi decapeada (ver Oeste Goiano 2025).
Infelizmente, a
legislação ambiental – cada vez mais ameaçada por um legislativo nacional voltado a interesses de grandes produtores rurais (WWF Brasil 2025a) - nunca favoreceu significativamente as fisionomias de Cerrado, sobretudo as savânicas
(Brasil 2012). Este alerta já é feito a tempos, como por exemplo para aves (Tubelis
et al. 2004). E seguem retrocessos (ver WWF 2025b), em um tempo onde deveriamos estar nos preparando, para um cada
vez mais evidente futuro extremo (Lovelock 2010).
E na tentativa
de responder outra pergunta mesquinha, tipo “por que preservar campos de Cerrado?
”, segue o estudo de Hoffman et al.
(2025): fisionomias nativas de Cerrado, como a removida no topo do Morro do
Macaco (ver imagem acima), possuem muitas plantas com raízes grandes, que na
estação seca absorvem água de lençóis freáticos profundos, evapotranspirando e
mantendo condições climáticas favoráveis; ao contrário das monoculturas
antropogênicas (Figura 1).
Hoffman et al. (2025) também apontam que mudanças climáticas e antropogeneização
do Cerrado impactarão várias linhagens de organismos - desde a microbiota até as
aves - bem como interações ecológicas mantenedoras de vários serviços ecossistêmicos
ambientalmente indispensáveis, inclusive para a economia humana. Um
texto a ser lido por todos que divulgam e estudam a biota do Brasil Central,
para argumentar frente ao poderoso, insustentável e cyberpunk sistema rural em grandes fazendas: o maior vilão no domínio
morfoclimático dos Cerrados.
Salvem o Cerrado!
Referências
Brasil. Lei nº 12.651 de 25 de maio de 2012. Disponível em: < https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12651&ano=2012&ato=a48QTVU1kMVpWT59b
> . Acesso em: 16-12-2025.
Hoffmann, G. S., Weber, E. J., Bastazini,
V. A. G., Rossato, D. R., Franco, A. C., Granada, C. E., Kaminski, L. A., Ubaid,
F. K., Leandro-Silva; V., Borges-Martins, M., et al. Climate
Change in the Brazilian Cerrado: A Looming Threat to Terrestrial Biodiversity. Interdisciplinary Reviews: Climate Change,
16:e70022, 2025. DOI: https://doi.org/10.1002/wcc.70022
Lovelock, J. E. Gaia: alerta final. Rio de Janeiro:
Editora Intrínseca, 2010.
Oeste Goiano. Secretária explica intervenção no topo do
Morro do Macaco. Disponível em: < https://oestegoiano.com.br/meio-ambiente/secretaria-explica-intervencao-no-topo-do-morro-do-macaco/
> . Acesso em: 16-12-2025.
Tubelis, D. P., Cowling, A., Donnelly, C. Landscape supplementation in adjacent savannas and its implications for the design of corridors for forest birds in the central Cerrado, Brazil. Biological Conservation, v. 118, p. 353-364, 2004.
WWF Brasil. OcupaPanda: Construção da agenda parlamentar para a defesa do clima.
2025a. Disponível em: < https://www.wwf.org.br/?93060/OcupaPanda-Construcao-da-agenda-parlamentar-para-a-defesa-do-clima
> . Acesso em: 16-12-2025.
WWF Brasil. Aprovação acelerada da PEC do Marco Temporal amplia insegurança
jurídica e ameaça direitos territoriais dos povos originários. 2025b.
Disponível em: < https://www.wwf.org.br/?93681/Aprovacao-acelerada-da-PEC-do-Marco-Temporal-amplia-inseguranca-juridica-e-ameaca-direitos-territoriais-dos-povos-originarios
> . Acesso em: 16-12-2025.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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