Mensagem aceite de manuscrito para publicação. Data: 10-05-2025.
Há cerca de dez anos, tenho a
satisfação de conseguir que todos os meus orientados obtenham uma publicação
científica. A ilustração acima, por exemplo, é o aceite "com correções" de uma das nossas últimas pesquisas. São trabalhos muito simples e
de pouco Qualis, conforme a
classificação da plataforma CAPES. Contudo, meus orientados terminam o curso
com ao menos uma publicação em seus currículos.
Naturalmente, a maioria dos meus
orientados são inexperientes quanto à redação de um texto científico. Considero
isto normal, afinal eles estão em fase de aprendizagem. Então, para ajudar,
apresento a seguir sugestões muito elementares para redação de um texto
científico. As regras básicas são as mesmas empregadas para elaborar trabalhos
de curso/monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado, além de
manuscritos.
Antes de prosseguir, convém
diferenciar dois termos. Manuscritos são trabalhos submetidos às revistas, a
serem apreciados por aproximadamente dois pareceristas ad hoc (específicos). Artigo é o trabalho aceito para publicação,
podendo estar “no prelo (com publicação prevista) ” ou definitivamente
publicado. As etapas simplificadas de um texto científico seguem adiante, e
outra postagem sobre o “método científico” já consta neste Blog (Blamires, 2024).
Introdução. Esta etapa segue conforme o que denomino “princípio do
funil” (Figura 1), porque abrange uma revisão bibliográfica que
inicialmente contextualiza o assunto estudado, prossegue com histórico amplo
e mais geral, ficando cada vez específico e focado nas etapas finais do tópico.
Figura 1. O princípio do funil. Data: 28-04-2024. Fonte: autor.
Após o funil da introdução, são
apresentados o objetivo do trabalho, por exemplo: “o objetivo deste estudo é
verificar se o gavião voa. ” Uma pergunta é apresentada a seguir: “o gavião voa?
”. Claro que podem haver vários objetivos e perguntas, respectivamente, sendo
esta uma simplificação para efeito didático, como toda esta postagem.
Material e métodos. Neste item inicialmente é descrito o ambiente
onde os dados foram obtidos. Se em laboratório, é relatada toda a estrutura
laboratorial empregada, inclusive os instrumentos e insumos, etc. Se os dados
forem provenientes de estudos em campo, então a área estudada será
pormenorizadamente descrita, devendo ser discriminada inclusive no âmbito geopolítico. A seguir são explicitados os métodos para obtenção dos
dados, bem como todos os procedimentos para sua análise sistêmica, a qual normalmente
requer procedimentos estatísticos específicos.
Resultados e discussão. Estes itens podem ser separados, conforme
as circunstâncias. Os resultados devem ser apresentados inicialmente,
explicitando todos os procedimentos a partir dos quais se chegou aos mesmos. A
exposição dos resultados deve conter o máximo de valores, tabelas e gráficos
que os elucidem no estudo.
Na discussão, os resultados
obtidos são confrontados com estudos similares, publicados previamente. Uma
breve conclusão deve ser inserida ao final de cada tema discutido. Abaixo, segue
outro exemplo hipotético:
“Os resultados demonstraram que o gavião voa, o que também foi
evidenciado por Fulano (2020) na área X. Beltrano (2024) também encontraram
resultados similares na área Z. Assim, este estudo corrobora com outros
trabalhos, que também demonstram a capacidade do gavião voar.”
Conclusão. Esta etapa também pode ser denominada “Considerações
Finais”, e encerra o trabalho. Um trecho final sobre as perspectivas futuras do
estudo também é recomendado. Seguindo a “analogia do gavião”, a conclusão pode
ser:
“Em suma, este estudo evidenciou que o gavião voa na área W, estando de
acordo com outros trabalhos anteriores. Recomendamos mais pesquisas similares,
importantes para esclarecer se o gavião voa, seja na área W ou em toda
a sua distribuição geográfica.”
Referências. Ao final, explícitas em ordem alfabética de autores e
formatada conforme as normas específicas.
Outras etapas, como apêndices onde são explicitados os dados, também podem ser importantes conforme as circunstâncias de cada pesquisa. A linguagem técnica padronizada deve ser empregada em todo o trabalho, para evitar contradições e idiossincrasias.
No mais, estou convicto que a rotina de redigir trabalhos
científicos, na prática, leva mais ao domínio deste procedimento do que necessariamente
a leitura sobre como fazê-lo. Então pessoal, é isso: arregacem as mangas e
comecem a escrever, junto a muita leitura de artigos, livros e demais fontes
que abordem o tema estudado.
Referências.
Blamires, D. O método científico
e a rosa vermelha. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/01/o-metodo-cientifico-e-rosa-vermelha.html
> . Acesso em: 28-04-2024.
Blamires, D., Silva, B. M. Avifauna de Iporá, estado de Goiás: uma revisão com base na plataforma Wikiaves. Revista Mirante, v. 18, n. 1, p. 46-70.
Brasil. Nota Qualis Periódicos. Disponível em: < https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/
. Acesso em: 28-04-2024.
Priberam Dicionário. Ad hoc. Disponível em: < https://dicionario.priberam.org/ad%20hoc
> . Acesso em: 28-04-2024.
Editado em 01-04-2025.
Reeditado em 01-02-2026.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

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