domingo, 28 de abril de 2024

O gavião voa? Dicas para redigir um trabalho científico. [Orientações].

 





 

Mensagem aceite de manuscrito para publicação. Data: 10-05-2025.

 

Há cerca de dez anos, tenho a satisfação de conseguir que todos os meus orientados obtenham uma publicação científica. A ilustração acima, por exemplo, é o aceite "com correções" de uma das nossas últimas pesquisas. São trabalhos muito simples e de pouco Qualis, conforme a classificação da plataforma CAPES. Contudo, meus orientados terminam o curso com ao menos uma publicação em seus currículos.

Naturalmente, a maioria dos meus orientados são inexperientes quanto à redação de um texto científico. Considero isto normal, afinal eles estão em fase de aprendizagem. Então, para ajudar, apresento a seguir sugestões muito elementares para redação de um texto científico. As regras básicas são as mesmas empregadas para elaborar trabalhos de curso/monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado, além de manuscritos.

Antes de prosseguir, convém diferenciar dois termos. Manuscritos são trabalhos submetidos às revistas, a serem apreciados por aproximadamente dois pareceristas ad hoc (específicos). Artigo é o trabalho aceito para publicação, podendo estar “no prelo (com publicação prevista) ” ou definitivamente publicado. As etapas simplificadas de um texto científico seguem adiante, e outra postagem sobre o “método científico” já consta neste Blog (Blamires, 2024).

Introdução. Esta etapa segue conforme o que denomino “princípio do funil” (Figura 1), porque abrange uma revisão bibliográfica que inicialmente contextualiza o assunto estudado, prossegue com  histórico amplo e mais geral, ficando cada vez específico e focado nas etapas finais do tópico.

 


 

Figura 1. O princípio do funil. Data: 28-04-2024. Fonte: autor.

 

Após o funil da introdução, são apresentados o objetivo do trabalho, por exemplo: “o objetivo deste estudo é verificar se o gavião voa. ” Uma pergunta é apresentada a seguir: “o gavião voa? ”. Claro que podem haver vários objetivos e perguntas, respectivamente, sendo esta uma simplificação para efeito didático, como toda esta postagem.

Material e métodos. Neste item inicialmente é descrito o ambiente onde os dados foram obtidos. Se em laboratório, é relatada toda a estrutura laboratorial empregada, inclusive os instrumentos e insumos, etc. Se os dados forem provenientes de estudos em campo, então a área estudada será pormenorizadamente descrita, devendo ser discriminada inclusive no âmbito geopolítico. A seguir são explicitados os métodos para obtenção dos dados, bem como todos os procedimentos para sua análise sistêmica, a qual normalmente requer procedimentos estatísticos específicos.

Resultados e discussão. Estes itens podem ser separados, conforme as circunstâncias. Os resultados devem ser apresentados inicialmente, explicitando todos os procedimentos a partir dos quais se chegou aos mesmos. A exposição dos resultados deve conter o máximo de valores, tabelas e gráficos que os elucidem no estudo.

Na discussão, os resultados obtidos são confrontados com estudos similares, publicados previamente. Uma breve conclusão deve ser inserida ao final de cada tema discutido. Abaixo, segue outro exemplo hipotético:

 

“Os resultados demonstraram que o gavião voa, o que também foi evidenciado por Fulano (2020) na área X. Beltrano (2024) também encontraram resultados similares na área Z. Assim, este estudo corrobora com outros trabalhos, que também demonstram a capacidade do gavião voar.”

 

Conclusão. Esta etapa também pode ser denominada “Considerações Finais”, e encerra o trabalho. Um trecho final sobre as perspectivas futuras do estudo também é recomendado. Seguindo a “analogia do gavião”, a conclusão pode ser:

 

“Em suma, este estudo evidenciou que o gavião voa na área W, estando de acordo com outros trabalhos anteriores. Recomendamos mais pesquisas similares, importantes para esclarecer se o gavião voa, seja na área W ou em toda a sua distribuição geográfica.”

 

Referências. Ao final, explícitas em ordem alfabética de autores e formatada conforme as normas específicas.

Outras etapas, como apêndices onde são explicitados os dados, também podem ser importantes conforme as circunstâncias de cada pesquisa. A linguagem técnica padronizada deve ser empregada em todo o trabalho, para evitar contradições e idiossincrasias. 

No mais, estou convicto que a rotina de redigir trabalhos científicos, na prática, leva mais ao domínio deste procedimento do que necessariamente a leitura sobre como fazê-lo. Então pessoal, é isso: arregacem as mangas e comecem a escrever, junto a muita leitura de artigos, livros e demais fontes que abordem o tema estudado.

 

Referências.

Blamires, D. O método científico e a rosa vermelha. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/01/o-metodo-cientifico-e-rosa-vermelha.html > . Acesso em: 28-04-2024.

Blamires, D., Silva, B. M. Avifauna de Iporá, estado de Goiás: uma revisão  com base na plataforma Wikiaves. Revista Mirante, v. 18, n. 1, p. 46-70.

Brasil. Nota Qualis Periódicos. Disponível em: < https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/ . Acesso em: 28-04-2024.

Priberam Dicionário. Ad hoc. Disponível em: < https://dicionario.priberam.org/ad%20hoc > . Acesso em: 28-04-2024.


Editado em 01-04-2025.

Reeditado em 01-02-2026.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

 

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