Paralelo manuscrito entre a coexistência e a longevidade. Data:
06-05-2024.
Eureka! Assim exclamou Arquimedes de Siracusa (287-212 a.C), ao
descobrir o que hoje é denominado ”princípio de Arquimedes”. Notoriamente,
estou muito distante da genialidade deste lendário pensador helenístico... Mas
acho que descobri! E exclamei a mesma coisa após idealizar esta modesta tabela
manuscrita, não sobre matemática, mas referente ao que penso filosoficamente sobre
o que é bom ou mal.
O objetivo deste texto preliminar
não é a audácia de tentar explicar uma das maiores dúvidas da humanidade em todos os tempos, ou: “o que são o bem e o mal?” Ao contrário, gostaria apenas
de manifestar minha opinião pessoal sobre este dualismo, ao invés apenas de
expor tacitamente este assunto em sala de aula. Calma, prezados alunos: é
apenas uma reflexão, e não cairá nas avaliações.
Então, entre dois extemos,
considero que: a). Tudo que favorece a coexistência e longevidade é bom; b).
Por outro lado, eu defino o mal como o contrário, ou tudo aquilo que prejudica
estes dois fatores. Desenvolvi esta premissa baseado na tabela ecológica de
interações entre populações (ver Odum 2012), onde constam interação positiva
(+), negativa (-) e neutra (0).
Daí fiz um ajuste, com lógica
similar. Os indivíduos de um dado grupo de pessoas podem interagir com
benefícios (+), custos (-) ou de forma neutra (0). Então, eu acho que:
|
COEXISTÊNCIA |
LONGEVIDADE |
EFEITOS |
EXEMPLOS |
|
+ |
+ |
BOM |
-- |
|
+ |
- |
VÍCIO MENOR |
Um grupo
consome bebida alcóolica socialmente. |
|
+ |
0 |
ESTAGNAÇÃO |
Um grupo de
grandes amigos que nunca prosperam. |
|
- |
+ |
PROGRESSÃO |
Alguém propõe
melhorias para um grupo estagnado, gerando inicialmente uma sensação de
desconforto. |
|
0 |
- |
VÍCIO MÉDIO |
Um indivíduo
fuma longe dos membros não-fumantes do grupo. |
|
0 |
+ |
APOIO FUNCIONAL |
O indivíduo faz
doações materiais ao grupo, mas permanece distante. |
|
- |
- |
VÍCIO MAIOR |
O indivíduo é
um motorista que dirige bêbado entre sóbrios, mantendo todo o grupo em risco. |
|
- |
0 |
ARROGÂNCIA |
Alguém expõe
ressentimentos no grupo, e amplia sua chance de isolamento. |
|
0 |
0 |
NEUTRALIDADE |
Inexiste efeito
significativo. |
|
- |
- |
MAL |
-- |
Ouvi certa vez de um pesquisador que:
“Vício é tudo que você começa e não consegue parar.” Neste contexto, considero
este um problema muito significativo em nosso cotidiano, com prejuízos para a
coexistência e/ou longevidade, sendo também diferenciado nos gradientes menor,
médio e maior. A progressão pode ser uma evidência que nem todos os impactos
negativos no grupo são necessariamente prejudiciais, mas por exemplo, pode ser
alguém que questiona a estagnação do grupo, e como na “Alegoria da Caverna” de
Platão (Porfírio 2024), gera uma tensão ao propor medidas progressivas.
Como professor há muitos anos,
também tenho uma triste opinião sobre o arrogante. Não é fácil viver com gente
assim, mas no final parece que tais pessoas são carregadas de ressentimentos e
irresoluções, mantendo-se num constante estágio de angústia, que as vezes
transborda em ofensas e insultos. Este comportamento socialmente autodestrutivo
acaba levando os arrogantes ao isolamento. Na maioria das vezes, tais pessoas
requerem alguém que lhes mostre a luz na entrada da caverna.
Em suma, considero a coexistência
e a longevidade dois importantes fatores que, conjugados, conduzem ao dualismo do bem ou
mal. Lembrando que somos animais, humanos, e assim mais próximos aos casos
intermediários do que inseridos em algum destes extremos. Então, vivamos todos
com humildade!
Referências
Arquimedes: físico grego. e biografia. Disponível em: < https://www.ebiografia.com/arquimedes/
> . Acesso em: 06-05-2024.
Odum, E. P. Ecologia (Reimpressão). Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan
S.A., 2012.
Porfírio, F. "Mito da
Caverna"; Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/mito-caverna-platao.htm. Acesso em 07-05-
2024.
Editado em 03-04-2025.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.
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