domingo, 23 de junho de 2024

Turismo: uma alternativa para Iporá e municípios circunvizinhos? Breve reflexão. [Biologia da Conservação].

 





Trilha para o “Mirante”. Patrimônio Natural Cachoeira do Abade. Pirenópolis-GO. Data: 11-07-2019.


Terminamos o conteúdo de DCDH nesta sexta-feira passada. Aproveitei o ritmo da última aula com assuntos tipo “concentração de renda” e “falta de alternativas” para propor algo que costumo repetir todos os anos aos discentes de nossa paisagem: explorar o potencial turístico de Iporá e municípios circunvizinhos. Não se trata de uma tentativa para combater os empreendimentos econômicos tradicionais da área, mas sugerir outras formas de exploração dos recursos naturais para geração de emprego, renda e redução do êxodo rumo aos grandes centros urbanos.

A imagem acima, como prescrito, é uma das trilhas da “Cachoeira do Abade”, que visitei algumas vezes com minha família durante as férias de julho. Um estabelecimento com amplo terreno, coberto por vegetação nativa de Cerrado com trilhas, cascatas, uma ponte móvel sobre um assustador desfiladeiro, e ao final uma queda d’água. Há banheiros, estacionamento e um restaurante na entrada, além de todo um sistema contra acidentes.

Existem muitas outras atrações turísticas similares em Pirenópolis, e assim a cidade se mantém também com o turismo, além dos sistemas econômicos goianos tradicionais. Sempre que faço estes passeios, pergunto a mim mesmo: porque a microrregião de Iporá e cercanias, com paisagem similar em muitos aspectos, não explora economicamente estas áreas? Aqui constam muitas serras, mananciais com cascatas, e fragmentos de cobertura vegetal nativa. Também é uma paisagem espacialmente estratégica, de acesso relativamente fácil à capital Goiânia e o município de Rio Verde.

O ecoturismo avança significativamente, como forma de proteção à saúde mental (Destinos em SC, 2022). É um empreendimento que também favorece a economia, já que mais de 10 mil empresas brasileiras agregam este setor (Roteiro Bonito MS). Particularmente, conheço pessoas que, vivendo nas regiões metropolitanas brasileiras, sempre que podem rumam ao interior em busca de trilhas nas áreas naturais, estando dispostas a pagar por este tipo de lazer.

Mas o que poderia ser feito aqui onde vivemos? Abaixo segue minha sugestão, listada em tópicos.

 a). Montar uma equipe multidisciplinar de pessoas. Não basta ter uma ideia, é preciso organizar um grupo de profissionais e demais membros que possam contribuir com um projeto a ser desenvolvido. Adianto também a necessidade de paciência e rotina, afinal, não serão obtidos lucros imediatos.

b). Estimular membros da equipe a estudarem sobre o assunto. É necessário proporcionar condições para que integrantes do grupo façam cursos de capacitação, e até mesmo pós-graduações na área. Uma forma de ampliar os conhecimentos e aumentar a qualidade do planejamento por parte da equipe.

c). Interagir com a comunidade autóctone. Um diálogo com os produtores rurais proprietários das terras no município, e a sugestão do ecoturismo como forma de aumentar seus orçamentos, também é necessário. Produtores rurais possuem ampla experiência pragmática sobre natureza e uso da terra, por exemplo, sendo também primordiais como membros da equipe. Outras pessoas com grande experiência prática, como raizeiros, também devem ser convidados a participar do grupo.

d). Estudar as leis ambientais sobre, por exemplo, “Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)" e afins (Ipê 2022). Uma rotina de estudos sobre a legislação ambiental é importante para  o estabelecimento de uma atividade ambientalmente sustentável.

e). Interação. A equipe deve procurar pessoas experientes no assunto, tipo professores universitários ou agentes de defesa ambiental, para proferirem palestras e demais partilhas de conhecimento. Sempre que possível, todos os membros da equipe também devem visitar áreas de empreendimentos ecoturísticos, para compreenderem o funcionamento das mesmas.

 Ademais, ecoturistas parecem apreciar recreações que envolvam água, tipo cachoeiras ou parques aquáticos, o que deve ser destacado ou até implantando conforme as circunstâncias, com todo cuidado para preservação da natureza. No final, a implantação de um negócio ecoturístico é como todo empreendimento financeiro: requer planejamento, trabalho em equipes multidisciplinares, diálogo e humildade com o fator tempo, considerando a obtenção lenta e gradual de lucro. 

Esta foi uma breve reflexão, e espero postar mais textos similares futuramente.

 

Referências

Cachoeira do Abade: patrimônio natural. Disponível em: <  https://cachoeiradoabade.com.br/o-abade/> . Acesso em: 23-06-2024.

Destinos em SC. Portal de aventuras. 2022. Disponível em: < https://www.destinosemsc.com.br/post/natureza-e-sa%C3%BAde-mental-qual-a-rela%C3%A7%C3%A3o > . Acessso em: 23-06-2024.

Ipê. Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN. 2022. Disponível em: < https://ipe.org.br/noticias/ipe-lanca-cartilha-sobre-reservas-particulares-do-patrimonio-natural-rppns/ > . Acesso em: 23-06-2024.

Roteiro Bonito MS. Dados do Ecoturismo no Brasil: Mercado e as Perspectivas. 2024. Disponível em: < https://roteirobonitoms.com.br/visao-geral-de-bonito/dados-do-ecoturismo-no-brasil/#:~:text=%F0%9F%A7%91%E2%80%8D%F0%9F%92%BB%20Dados%20do%20ecoturismo%20no%20Brasil&text=Afinal%2C%20o%20ecoturismo%20favorece%20a,7%2C5%25%20ao%20ano. > . Acesso em: 23-06-2024.


Editado em 30 de Outubro, 2025.

 

Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.


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