Capa de Crease (2011).
Posso estar sendo radical, mas segue
minha opinião sobre a importância da matemática no cotidiano acadêmico. Então,
como de costume, voltemos ao passado... Parte deste assunto já foi
previamente exposta em outra postagem (Blamires 2024), mas aqui ampliarei a
defesa da matemática. Destaco que ouvi parte deste tema do Professor Ole
Peter Smith, simpático matemático dinamarquês e meu colega de trabalho durante alguns
anos na UEG-Iporá.
Sempre tive muita dificuldade com
matemática, disciplina que durante anos encarei com temor. Contudo, sempre
admirei o mundo das exatas por sua praticidade e notória importância para o
avanço de tantas áreas do conhecimento.
Mas minha afeição pela matemática
começou nas primeiras aulas de Ecologia, ainda nos tempos de graduação. Percebi
que meu ramo preferido das Ciências Biológicas se sustentava sobre um vasto
suporte de cálculo, estatística, e cada vez mais processamento de dados. A
leitura constante de textos em ecologia, biologia da conservação e evolução
orgânica também me levaram à expressão “Economia da Natureza”, tão empregada
por naturalistas do Século XIX, inclusive constando no título de Ricklefs
(2003): uma importante referência ecológica. A rotina de pesquisa e preparo de
aulas me fizeram concluir que a matemática é importante para tudo, e poucas
áreas talvez possam ficar totalmente livres de cálculos, como por exemplo o que
conceituo “arte”: expressão física de sentimentos. Artistas talvez tenham o
direito a total abstração neste sentido. E paradoxalmente, a matemática pura
também é abstração!
Áreas do conhecimento sujeitas a apreciação
de dados requerem procedimentos matemáticos, mesmo os mais simples. Do
contrário, suas conclusões podem ter um alto nível de idiossincrasias (opiniões
pessoais), comprometendo assim sua veracidade. Concluir os resultados com
números também diminui várias páginas desfocadas e contraditórias de
argumentação, deixando assim as considerações finais de um trabalho muito mais
claras, objetivas, e até mesmo com baixo custo.
Também vale destacar a
elegância de concluir análises com procedimentos matemáticos. Sagan (2008)
escreveu todo um capítulo de seu livro exaltando a “beleza da quantificação”, enaltecendo assim a graça dos procedimentos matemáticos nos estudos. Crease (2011) também
conta a história de como foram concebidas importantes fórmulas matemáticas,
demonstrando a saga de cada um dos seus autores rumo às conclusões destes
verdadeiros patrimônios da humanidade.
Assim, prezados alunos, sejamos
todos humildes e estudemos muita matemática! Porque no final tudo que traz
resultados claros, objetivos e pragmáticos parece jorrar do imortal rio dos
números.
Referências.
Blamires, D. O método científico
e a rosa vermelha. Resumos das aulas.
Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/01/o-metodo-cientifico-e-rosa-vermelha.html
> . 2024. Acesso em: 16-06-2024.
Crease, R. As grandes equações: a história das fórmulas matemáticas mais
importantes e os cientistas que as criaram. Rio de Janeiro: editora Zahar, 2011.
Ricklefs, R. E. A economia da
natureza (5ª Ed.). Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2003.
Sagan, C. E. Bilhões e bilhões: reflexões sobre a vida e morte na virada do milênio.
São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2008.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

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