domingo, 16 de junho de 2024

Estudem matemática! [Todas as Disciplinas].

 


 

Capa de Crease (2011).

 

Posso estar sendo radical, mas segue minha opinião sobre a importância da matemática no cotidiano acadêmico. Então, como de costume, voltemos ao passado... Parte deste assunto já foi previamente exposta em outra postagem (Blamires 2024), mas aqui ampliarei a defesa da matemática. Destaco que ouvi parte deste tema do Professor Ole Peter Smith, simpático matemático dinamarquês e meu colega de trabalho durante alguns anos na UEG-Iporá.

Sempre tive muita dificuldade com matemática, disciplina que durante anos encarei com temor. Contudo, sempre admirei o mundo das exatas por sua praticidade e notória importância para o avanço de tantas áreas do conhecimento.

Mas minha afeição pela matemática começou nas primeiras aulas de Ecologia, ainda nos tempos de graduação. Percebi que meu ramo preferido das Ciências Biológicas se sustentava sobre um vasto suporte de cálculo, estatística, e cada vez mais processamento de dados. A leitura constante de textos em ecologia, biologia da conservação e evolução orgânica também me levaram à expressão “Economia da Natureza”, tão empregada por naturalistas do Século XIX, inclusive constando no título de Ricklefs (2003): uma importante referência ecológica. A rotina de pesquisa e preparo de aulas me fizeram concluir que a matemática é importante para tudo, e poucas áreas talvez possam ficar totalmente livres de cálculos, como por exemplo o que conceituo “arte”: expressão física de sentimentos. Artistas talvez tenham o direito a total abstração neste sentido. E paradoxalmente, a matemática pura também é abstração!

Áreas do conhecimento sujeitas a apreciação de dados requerem procedimentos matemáticos, mesmo os mais simples. Do contrário, suas conclusões podem ter um alto nível de idiossincrasias (opiniões pessoais), comprometendo assim sua veracidade. Concluir os resultados com números também diminui várias páginas desfocadas e contraditórias de argumentação, deixando assim as considerações finais de um trabalho muito mais claras, objetivas, e até mesmo com baixo custo.

Também vale destacar a elegância de concluir análises com procedimentos matemáticos. Sagan (2008) escreveu todo um capítulo de seu livro exaltando a “beleza da quantificação”, enaltecendo assim a graça dos procedimentos matemáticos nos estudos. Crease (2011) também conta a história de como foram concebidas importantes fórmulas matemáticas, demonstrando a saga de cada um dos seus autores rumo às conclusões destes verdadeiros patrimônios da humanidade.

Assim, prezados alunos, sejamos todos humildes e estudemos muita matemática! Porque no final tudo que traz resultados claros, objetivos e pragmáticos parece jorrar do imortal rio dos números.

 

Referências.

Blamires, D. O método científico e a rosa vermelha. Resumos das aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/01/o-metodo-cientifico-e-rosa-vermelha.html > . 2024. Acesso em: 16-06-2024.

Crease, R. As grandes equações: a história das fórmulas matemáticas mais importantes e os cientistas que as criaram. Rio de Janeiro: editora Zahar, 2011.

Ricklefs, R. E. A economia da natureza (5ª Ed.). Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2003.

Sagan, C. E. Bilhões e bilhões: reflexões sobre a vida e morte na virada do milênio. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2008.


Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

 

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