domingo, 26 de janeiro de 2025

Cuidados em campo. [Orientações].

 



Colônia de marimbondo-tatu Synoeca cyanea. Estação Tratamento de Esgoto ETE-SANEAGO, Iporá-Goiás. Fonte: Autor, 18-12-2024.

 

Prezados alunos... É sério! Trabalhos de campo requerem uma série de medidas preventivas para evitar acidentes, pois os riscos são muitos! Perda da rota, queimadas, quedas... Estes são alguns dos problemas que podem ocasionar complicações muito sérias, muitas vezes bem longe dos primeiros socorros. Nesta postagem refletirei sobre cuidados com espécies de animais silvestres que me deparei com certa frequência, desde o início de minhas pesquisas de campo a trinta anos atrás. Modéstia a parte, tenho uma experiência razoável neste assunto, afinal, nestas últimas três décadas pesquisei em diferentes áreas no estado de Goiás, apesar da maioria dos estudos concentrarem-se em Iporá. Então, segue uma descrição dos animais venenosos mais perigosos que vi nas atividades de campo.


Marimbondo-tatu Synoeca cyanea. A colônia na imagem acima pertence a esta espécie. Extremamente agressivas quando incomodadas, as operárias atacam com um enxame barulhento, podendo inocular veneno hemorrágico (Brumatti 2018). Parecem ser mais comuns em bordas de florestas úmidas, ou fisionomias mais esparsas próximas a reservatórios hídricos, durante a estação chuvosa. Aparentemente, o enxame fica mais hostil nos dias mais quentes e com alta umidade no ar.

 

Jararaca Bothrops moogeni. No dia que registrei a imagem abaixo (Figura 1, ver também Blamires et al. 2024), eu censoreava aves em um trecho vicinal, próximo ao carro. Quando olhei para o lado, ela estava a aproximadamente cinco metros dos meus pés. Assim é B. moogeni, com suas emboscadas. De hábitos anfíbios e predominantemente noturnos, nada excelentemente sobre a superfície dos mananciais, sendo até comum em matagais próximos a recursos hídricos. Contudo, na estação chuvosa a jararaca também pode aparecer no período diurno, mesmo em superfícies secas e decapeadas, conforme o exemplo abaixo. Ocorrendo principalmente no Brasil Central, B. moogeni possui veneno de efeito hemorrágico e necrosante (Zoo 2023a).

 



Figura 1. Jararaca Bothrops moogeni. Estrada Real, trecho Cuiabá- estado de São Paulo. Foto: Autor, 17-03-2023.

 

Cascavel Crotalus durissus. Eu e meu orientado Hiago Bueno Magalhães (Figura 2, ver Magalhães et al. 2018) encontramos esta cascavel morta por atropelamento na Fazenda Escola IF-Goiano, em Iporá. Nesta mesma área de estudo, vi outra similar atropelada por trator em trecho vicinal. De ampla distribuição na América do Sul, C. durissus normalmente habita fisionomias rochosas e secas. Seu veneno possui ação miotóxica, neurotóxica e nefrotóxica, podendo ocasionar rupturas das fibras musculares, paralisia dos músculos faciais e falência renal (Zoo 2023b).

 



Figura 2. Cascavel Crotalus durissus. Fazenda Escola- IF Goiano, Iporá, Goiás. Foto: Autor, 28-05-2015.

 

Naturalmente, existem muitos outros animais perigosos em campo, ou que também possam ocasionar problemas à saúde, por exemplo parasitas hematófagos (carrapatos, etc.). Mas enfim, o que pode ser feito? Há vários procedimentos para prevenir tais acidentes. Com relação a enxames de marimbondos e abelhas, o melhor é mudar a rota que perpassa próximo a uma colônia, e assim evitar o terrível ataque do bando.

Polainas - também denominadas “perneiras” - protegem significativamente contra mordidas de cobras, sendo encontradas com facilidade em lojas agrícolas, a baixo custo. “Bolfo”, um veneno fraco também acessível em lojas agrícolas, espanta a maioria das infestações com carrapatos quando passado do lado de fora da calça, polaina e calçado: é preciso ter cuidado com o manuseio, evitando seu contato direto com a pele. Cuidados onde pisar, sentar-se, ou onde se põe a mão também devem ser lembrados, sobretudo nos trabalhos de campo noturnos ou em ambientes com pouca luz.


Referências.

Blamires, D., Lopes, A. F. D., Peres, J. V. M. Avifauna das “Estradas Reais” em Iporá, estado de Goiás, Brasil. Revista Mirante, v. 17, n. 2, p. 225-249, 2024.

Brumatti, G. Marimbondo-tatu leva o nome por conta do formato do ninho. g1: Campinas e Região: Terra da Gente. Disponível em: < https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2018/10/27/marimbondo-tatu-leva-o-nome-por-conta-do-formato-do-ninho.ghtml > . Acesso em: 26-01-2025.

Magalhães, I. B., Martins, R. H. S.; Blamires, D. Assembleias de aves em áreas antropizadas na fazenda escola do Instituto Federal Goiano em Iporá, Brasil. Ornithologia, v. 10, n. 1, p. 17-29, 2018.

Zoo: Fundação Jardim Zoológico de Brasília. Jararaca Caiçaca. 2023a. Disponível em: < https://www.zoo.df.gov.br/jararaca-caicaca/ > . Acesso em: 26-01-2025.

Zoo: Fundação Jardim Zoológico de Brasília. Cascavel. 2023b. Disponível em: < https://www.zoo.df.gov.br/cascavel/ > . Acesso em: 26-01-2025.


Daniel Blamires. Doutor em Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

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