Projeção “histórico do pensamento
evolucionista”. Imagens: Wikipédia e Google.
Ontem, 12 de
Fevereiro, foi comemorado o nascimento do naturalista britânico Charles Robert
Darwin, ou “O dia de Darwin (The Darwin
Day, The Linnean Society 2018).” Nas mais variadas mídias, constam muitos
títulos de evolução que detalham a história deste genial cientista.
Também já redigi algo neste sentido em outra postagem (Blamires 2024). Mas aqui,
caros alunos, gostaria de repassar uma mensagem menos coesa. Algo que sempre
reafirmo nas aulas sobre “Histórico do Pensamento Evolucionista” no momento de
falar sobre Darwin.
Na imagem
acima consta um retrato do jovem Charles ao invés daquele idoso Darwin, senhor
de grandes obras científicas, com sua longa barba branca e olhar distante. Ao
contemplar esta imagem, sempre volto ao passado e recordo o trecho ao final do
livro/biografia de Edward Wilson):
“(...). A grande maioria das espécies de
organismos – provavelmente 90% - continua desconhecida pela ciência. Vivem
nalgum lugar por aí, ainda intocadas, não tendo sequer um nome, à espera de seu
Lineu, seu Darwin, seu Pasteur. (...).” Wilson (1997, p. 358).
Então, sigo a
aula destacando que grandes naturalistas do passado começaram sua busca
científica ainda jovens, como a maioria de vocês hoje! Charles, por exemplo,
embarcou a bordo do H.M.S. Beagle em
uma longa viagem pelo mundo no ano de 1831, com apenas 22 anos (Valva &
Diniz-Filho 1998). E como escreveu Wilson (1997), a maioria das espécies estão
“por aí”... Prontas para serem avistadas, censoreadas, amostradas, e até mesmo
descritas.
Também não é necessária
uma volta ao mundo para perceber isto... Estudos biológicos podem ser feitos
por vocês – jovens - nas praças das cidades, chácaras dos seus avôs, no córrego
abaixo da ponte, e assim sucessivamente. Pesquisar é possível, desde que haja
amplo planejamento prévio. Importante ressaltar que o jovem Charles,
inacreditavelmente, passou por fases de rebeldia juvenil, sem jamais perder o
ânimo e interesse pela natureza (Meteoro 2020).
Também merece
destaque o comovente senso de humanidade do jovem Charles. Em seu diário de
viagem (Darwin 2008), o autor fez duras críticas ao racismo e colonialismo.
Ele contesta, por exemplo, a forma cruel como colonizadores espanhóis e
britânicos lidavam com os povos originários. No Brasil, ele abominou a escravidão.
A bordo do Beagle com nativos da “Terra
do Fogo” que voltavam para sua morada, Charles teceu amplos elogios à inteligência
destes seus colegas de viagem. Apesar de estar condicionado a seu tempo e
condições, Darwin sempre demonstrou grande aversão ao racismo, ao contrário da
maioria de seus contemporâneos europeus.
O restante da
história daquele que mais tarde foi aclamado “O Newton do Broto de Erva” (Scientific
American 2005) é marcado por sua rotina familiar, saúde frágil, amplos estudos, mais as tormentas que todo gênio além de seu tempo sofre quando apresenta ao mundo seus
notáveis trabalhos: patrimônios da humanidade indispensáveis para o avanço da nossa ciência, progresso e
civilização.
Depois, segue a
história de Galápagos, os tentilhões, a carta de Wallace... Até a publicação de
“Origem das Espécies”. Obrigado a vocês, jovem Charles e senhor Darwin!
Referências.
Blamires, D. De
Platão a Mayr: história do pensamento evolucionista [Evolução Orgânica]. Resumos das Aulas. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/09/de-platao-mayr-historia-do-pensamento.html
> . Acesso em: 13-02-2025.
Darwin, C. R. Viagem de um naturalista ao redor do mundo, volume 1: África, Brasil e Terra do Fogo. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008.
Meteoro
(2020). Darwin: o melhor Playboy.
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=EBQ_Zvbr7hc > . Acesso
em: 13-02-25.
Revista Scientific American do Brasil. Darwin: as chaves da vida. São Paulo:
Duetto, 2005.
The Linnean Society of London. Darwin Day. 2018. Disponível em: < https://www.linnean.org/news/2018/02/12/12th-february-2018-darwin-day
> . Acesso em: 13-02-2025.
Valva, F. D.
& Diniz-Filho, J. A. F. Histórico do
pensamento evolucionista. Goiânia: Editora UFG, 1998.
Wilson, E. O. Naturalista. Rio de Janeiro: Editora
Nova Fronteira, 1997.
Editado em 08 de setembro, 2025.
Daniel
Blamires. Doutor em Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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