Thomas H. Huxley.
Fonte: Wikipédia (2024).
E como refleti na postagem
anterior (Blamires 2025), gênios além de seu tempo sofrem quando suas ideias
revolucionárias entram em confronto com todas as convenções sociais. E ao longo
da história, a pressão social fez com que muitos deles entrassem em reclusão,
como talvez seja o caso do próprio Darwin, o “Eremita de Downie” (Fernandez
2005). Talvez o cansaço mental tenha feito com que outros, por outro lado, acabassem até mesmo caindo na mediocridade dos
vícios (Berlinsky 2002).
Alguns, contudo, se mantiveram
fortes, perante o clamor alienado das pessoas de seu tempo.
Estes contribuíram não apenas como grandes pensadores, mas também divulgadores
de importantes conhecimentos para o avanço de toda a humanidade.
Como professores no Brasil, um
país de tantos problemas socioeconômicos e confusão de ideias, chega um momento
em que é preciso ser forte, para divulgar ao povo a verdade dos fatos. Neste
contexto, caros alunos, que apresento com satisfação este breve ensaio sobre o
naturalista britânico Thomas Henry Huxley (1825-1895, Wikipédia 2024). Uma das
maiores referências no pensamento evolucionista, como pesquisador e também
corajoso divulgador da Teoria de Darwin e Wallace à comunidade científica.
Esta postagem é basicamente uma síntese do que consta em Fernandez (2005) e
Wikipédia (2024).
Conhecido como “O Buldogue de
Darwin (The Darwin’s Bulldog)”, Huxley
nasceu na Inglaterra. De família humilde, era filho de um pai
professor de matemática, e naqueles tempos vitorianos começou a estudar medicina, como aprendiz aos 15 anos de idade. Muito cedo, Huxley se interessou
por biologia, e viu na carreira militar um modo de conciliar os estudos com a
sobrevivência. Assim como Darwin e Wallace, ele também fez uma longa viagem, na
condição de cirurgião-marinheiro a bordo do H.M.S.
Rattlesnake. Nesta jornada, Huxley também intensificou seus estudos sobre
história natural, tornando-se assim um dos naturalistas mais importantes do seu
tempo.
Em 1859, Darwin publica “Origem das
Espécies (Origin of species by means of
natural selection)", gerando um impacto na sociedade que perdura até a atualidade. Naqueles tempos ainda muito conservadores, após ler a obra de seu
mentor, Huxley pronunciou seu icônico jargão:
“Mas que estupidez a minha não ter pensado nisto antes.”
E desde então, ele se tornou um dos
defensores mais ferrenhos do que mais tarde seria denominado “Darwinismo”. Uma
das páginas mais importantes na história de Huxley foi seu embate, em uma
conferência presidida pelo bispo anglicano Samuel Wilbeforce, sobre ciência e
religião. Em meio a um grande público, o clérigo do catolicismo inglês
perguntou ao jovem seguidor de Darwin, após fazer ampla argumentação
fundamentalista:
“De que lado você veio do macaco? Do seu avô ou da sua avó?”
Muitos aplausos foram ouvidos
para o então grande Wilbeforce. Mas o pequeno Thomas se levantou firme, e
respondeu com grande convicção:
“(...). “...Eu disse e repito – que um homem não tem nenhuma razão de
se envergonhar de ter um macaco como seu avô. Se houvesse um ancestral o qual
eu tivesse vergonha de reconhecer, seria na verdade um homem, um homem
de intelecto incansável e versátil, o qual não contente com o sucesso em sua
própria esfera ou atividade, se lança em questões científicas com as quais ele
não tem nenhuma familiaridade, apenas para obscurecê-las com uma retórica sem
sentido, e distrair a atenção dos ouvintes dos verdadeiros pontos em discussão,
através de eloquentes digressões e habilidosos apelos a preconceitos religiosos.
” Fernandez (2005, p. 67).
E naquele momento, um pequeno
venceu um gigante... Os aplausos voltaram de Wilbeforce para Huxley. A partir
daquela conferência, parece que a História Natural nunca mais ficou na
obscuridade. Importante ressaltar que Huxley foi um dos primeiros “extensionistas”,
porque não se conformava com o conhecimento restrito ao meio acadêmico, mas se
empenhou a ministrar palestras - no que hoje denominamos biologia e paleontologia - destinada a pessoas comuns, como operários e mineradores. Huxley também foi um dos
primeiros cientistas a divulgar a importância de formar “naturalistas” em
universidades, algo que inexistia em seu tempo.
Huxley ensinando anatomia comparada de primatas. Fonte: Wikipédia
(2024).
Importante ressaltar que Huxley –
autor do termo agnosticismo - também foi agraciado com uma tradição acadêmica
que se estendeu ao longo das suas gerações de descendentes. O filósofo Aldous
Huxley, o biólogo Sir Julian Huxley, e
também o fisiologista Sir Andrew
Huxley. Todos os três netos do vovô Thomas.
Então, caros alunos, neste lastimável tempo de retrocesso civilizatório que vivemos, onde, por exemplo, a opinião de muitos senhores do século XXI seja tão anacrônica (Harari 2016), sempre convém lembrar de grandes referências atemporais como Thomas H. Huxley, e persistir. Afinal, o conhecimento é a maior arma para derrubar gigantes.
E assim
sigamos!
Referências.
Berlinsky, D. O advento do algoritmo: a ideia que governa
o mundo. São Paulo: Globo, 2002.
Blamires, D. Jovem Charles,
Senhor Darwin. Resumos das Aulas.
2025. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2025/02/o-jovem-charles-evolucao-organica.html
> . Acesso em: 16-02-2025.
Fernandez, F. O poema imperfeito: crônicas de biologia,
conservação da natureza e seus heróis. Editora UFPR, 2005.
Harari, Y. N. Homo Deus: uma breve história do amanhã.
São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
Wikipédia. Thomas Henry Huxley. 2024. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Henry_Huxley > . Acesso em: 16-02-2025.
Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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