sexta-feira, 6 de junho de 2025

A falta que um museu faz. [DCDH].

 



Museu Antônio Correa Bueno. Morrinhos, Sul de Goiás. Foto do Autor: 27-02-2019.

 

Este texto deve ficar meio desconexo em algumas partes, afinal não sou historiador. Mas, li rapidamente alguns trechos de Gomis (2002, 2022), o qual parece relatar pouco interesse, por parte da população de Iporá e arredores, pelas obras e demais bens materiais que perfazem a história de sua paisagem. E, caros alunos, como vocês ouvem meu desabafo rotineiro em sala de aula, considero isto muito lamentável. Assim, argumentarei brevemente sobre isto.

Desde que me efetivei na UEG, trabalhei em três municípios no interior de Goiás: inicialmente Quirinópolis (sudoeste goiano), vindo a seguir para Iporá – onde estabeleci residência até o presente – mas também participei do mestrado em Morrinhos (sul goiano). Os municípios de Quirinópolis e Morrinhos, localizados na parte austral de nosso estado, possuem museus municipais, com exposições de artefatos dos seus ancestrais. Em Morrinhos, tive o privilégio de visitar seu acervo histórico (vide imagem), e também vi  uma “Academia Morrinhense de Letras” próxima ao museu.

Como são os morrinhenses? Na minha opinião, iguais a todo o povo do interior goiano, para os quais não percebo diferença significativa. Contudo, eles aprenderam sobre preservar um pouco das construções e materiais antigos, importantes testemunhos de seu passado, e assim manter evidências sobre a história de seu município.

Por outro lado, em Iporá e arredores... No meu primeiro livro, (Blamires 2022, p. 3), apresentei a imagem da antiga casa do senhor Elias Araújo Rocha – um dos pioneiros da cidade (Gomis 2002) - e lamentei a demolição desta residência. Não culpei ninguém pelo ocorrido, mas lamentavelmente considero uma perda inestimável destruir a antiga casa de pessoas que fizeram história nesta paisagem.

Faz parte de meu cotidiano sempre relembrar as grandes referências de minha formação profissional, dentre elas o naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809-1882, Wikipédia 2025). Certa vez, refletindo sobre a reação de muitos leitores à sua obra “Origem das Espécies” ao final do século XIX, ele redigiu:

 

“No entanto, minha confiança está voltada para o futuro, para os jovens naturalistas em formação, que serão capazes de enxergar com imparcialidade ambos os lados da questão. (Darwin 2005, p. 364) ”.

 

Então, prezados alunos, minha confiança sobre este e tantos outros problemas em nossa paisagem é voltada primariamente a vocês, futuros professores em Iporá e arredores. Ensinar às gerações futuras a importância de seus patrimônios históricos públicos é uma alternativa imprescindível para as pessoas notarem sua importância a médio prazo. E bastaria apenas um museu em cada município que simplesmente mostrasse, a partir de artefatos antigos, a saga dos antepassados que ergueram os alicerces de um povo.

 

Referências.

 

Blamires, D. Aves urbanas de Iporá, estado de Goiás. E-Book. São José dos Pinhais: Brazilian Journals Publicações de períodicos e editora, 2022. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=4T58q26QuIgz9CVo0eUO28stp2H17M6K > . Acesso em: 06-06-2025.

Darwin. C. R.  A origem das espécies. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.

Gomis, M. A. Uma viagem no tempo de Pilões a Iporá (1748-1998), 1ª edição. Iporá: Editora Nova Página, 2002.

Gomis, M. A. Uma viagem no tempo de Pilões a Iporá (1748-2020), 2ª edição. Goiânia: Editora Kelps, 2022.

Wikipédia: a enciclopédia livre. Charles Darwin. 2025. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin > . Acesso em: 06-06-2025.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 


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