Museu Antônio Correa Bueno. Morrinhos, Sul de Goiás. Foto do Autor:
27-02-2019.
Este texto deve ficar meio
desconexo em algumas partes, afinal não sou historiador. Mas, li rapidamente
alguns trechos de Gomis (2002, 2022), o qual parece relatar pouco interesse,
por parte da população de Iporá e arredores, pelas obras e demais bens
materiais que perfazem a história de sua paisagem. E, caros alunos, como vocês
ouvem meu desabafo rotineiro em sala de aula, considero isto muito lamentável. Assim,
argumentarei brevemente sobre isto.
Desde que me efetivei na UEG, trabalhei
em três municípios no interior de Goiás: inicialmente Quirinópolis (sudoeste
goiano), vindo a seguir para Iporá – onde estabeleci residência até o presente
– mas também participei do mestrado em Morrinhos (sul goiano). Os municípios de
Quirinópolis e Morrinhos, localizados na parte austral de nosso estado, possuem
museus municipais, com exposições de artefatos dos seus ancestrais. Em
Morrinhos, tive o privilégio de visitar seu acervo histórico (vide imagem), e
também vi uma “Academia Morrinhense de Letras”
Como são os morrinhenses? Na
minha opinião, iguais a todo o povo do interior goiano, para os quais não
percebo diferença significativa. Contudo, eles aprenderam sobre preservar um pouco das construções e materiais antigos, importantes testemunhos
de seu passado, e assim manter evidências sobre a história de seu município.
Por outro lado, em Iporá e arredores...
No meu primeiro livro, (Blamires 2022, p. 3), apresentei a imagem da antiga casa
do senhor Elias Araújo Rocha – um dos pioneiros da cidade (Gomis 2002) - e
lamentei a demolição desta residência. Não culpei ninguém pelo ocorrido, mas
lamentavelmente considero uma perda inestimável destruir a antiga casa de
pessoas que fizeram história nesta paisagem.
Faz parte de meu cotidiano sempre
relembrar as grandes referências de minha formação profissional, dentre elas
o naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809-1882, Wikipédia 2025). Certa
vez, refletindo sobre a reação de muitos leitores à sua obra “Origem das
Espécies” ao final do século XIX, ele redigiu:
“No
entanto, minha confiança está voltada para o futuro, para os jovens
naturalistas em formação, que serão capazes de enxergar com imparcialidade
ambos os lados da questão. (Darwin 2005, p. 364) ”.
Então, prezados alunos, minha confiança sobre este e tantos outros problemas em nossa paisagem é voltada primariamente a vocês, futuros professores em Iporá e arredores. Ensinar às gerações futuras a importância de seus patrimônios históricos públicos é uma alternativa imprescindível para as pessoas notarem sua importância a médio prazo. E bastaria apenas um museu em cada município que simplesmente mostrasse, a partir de artefatos antigos, a saga dos antepassados que ergueram os alicerces de um povo.
Referências.
Blamires, D. Aves urbanas de Iporá, estado de Goiás. E-Book. São José dos Pinhais: Brazilian Journals Publicações de
períodicos e editora, 2022. Disponível em: <
https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=4T58q26QuIgz9CVo0eUO28stp2H17M6K
> . Acesso em: 06-06-2025.
Darwin. C. R. A origem das espécies. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
Gomis, M. A. Uma viagem no tempo de Pilões a Iporá (1748-1998), 1ª edição. Iporá:
Editora Nova Página, 2002.
Gomis, M. A. Uma viagem no tempo de Pilões a Iporá (1748-2020), 2ª edição. Goiânia:
Editora Kelps, 2022.
Wikipédia: a enciclopédia livre. Charles Darwin. 2025. Disponível em:
< https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin > . Acesso em: 06-06-2025.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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