Noções de Economia no Quadro. Aula de Diversidade, Cidadania e Direitos
Humanos (DCDH). Foto do Autor, 14-05-2025.
Como prescrevi, já leciono a
disciplina de DCDH a alguns anos. E como sempre repito aos alunos durante aula,
para avaliarmos algo, ou ao menos pensar em medidas de mitigação em qualquer
tema, é preciso: a). analisar o contexto pelo qual os fatos aconteceram (sempre
os fatos); b). Buscar os fundamentos do problema.
Com relação aos fundamentos, se
por exemplo abordarmos desigualdades sociais, é necessário checar
previamente as noções básicas de economia. Isto porque, segundo Aguena (2025), as
causas mais comuns da desigualdade social são econômicas, devido à sua
facilidade de identificação, porque podem medir os avanços nas desigualdades.
Mas afinal, o que é economia? É a ciência que analisa e estuda os mecanismos de obtenção, produção, consumo e uso dos bens materiais necessários à sobrevivência e bem-estar (https://www.dicio.com.br/economia/). Os fundamentos deste tema seguem conforme Primack & Rodrigues (2002). A economia centra-se basicamente em duas variáveis: custos e benefícios. Quando custos ou benefícios ocorrem para os indivíduos que não estão diretamente envolvidos com a troca, tem-se uma relação assimétrica, denominada externalidade. Quando existem externalidades, o mercado não consegue oferecer soluções para que uma sociedade prospere. A consequência das externalidades é a falha de mercado, ou alocação de recursos errada, que favorece algumas pessoas às custas da sociedade.
E lamentavelmente... Quando, em
uma sociedade, certas classes apenas se sustentam a partir das outras, temos um
sistema comumente denominado “cleptocracia”, literalmente “estado
governado por ladrões (https://www.dicio.com.br/cleptocracia/)”. Queridos alunos, na condição de latino-americanos conhecemos bem este assunto, então podemos prosseguir.
Mas como sugestão de leitura, sugiro ler Diamond (2005) sobre como, por
exemplo, surgiram no passado as monarquias teocráticas que dominaram o mundo
civilizado durante milênios.
Agora, segue minha opinião sobre a relação custo-benefício nas classes sociais. Algo que já venho esboçando alguns anos, e que esquematizei recentemente no quadro (ver imagem acima). É provável que muitas correções ou complementos sejam necessários, mas penso que uma sociedade em falha de mercado tem uma relação custo-benefício piramidal: de volta aos meus rabiscos (Figura 1).
Figura 1. Relação custo-benefício
em pirâmide, com ponto ótimo ao centro (b).
O resultado de muitas
externalidades é uma relação custo-benefício onde o topo da pirâmide, uma
minoria, chega ao nível máximo de benefício (B=1.0) a poucos custos. Por outro
lado, quanto mais abaixo, maiores são os custos, que crescem para ambos os
lados: notem que o lado esquerdo da variável custo segue em módulo, ou C= |1.0|.
Na base da pirâmide está uma maioria que chega a arcar com os mais extremos custos
sociais, sem nenhum benefício (B= 0.0).
Em suma, temos uma distopia. O
ponto “b”, de interseção entre custo (C) e benefício (B) (Figura 1), seria uma
utopia, com C=0.0 e B=0.5, uma situação onde toda uma sociedade não teria
custos, e exatamente a mesma proporção de benefícios. Notem a interrogação em “b”:
a utopia funcionaria em populações (N) pequenas? Considerar o tamanho populacional
seria caso para outro estudo. Mas ao pensar no “N” lembrei-me de Diamond
(2007), sobre países com mais desenvolvimento humano serem normalmente pequenos
e pouco populosos, sendo o contrário para países com dimensões continentais e
grandes populações.
Segundo Aguena (2025), eliminar
completamente a desigualdade social é difícil, porque não é simples garantir
que todos tenham a mesma quantidade de recursos. Por isso, denominei o ponto
ótimo “utopia”. Assim, talvez sempre haja desigualdade social, sendo improvável cada membro de uma sociedade ter exatamente os mesmos benefícios.
Então, qual seria a melhor
alternativa? Minha sugestão segue na Figura 2:
Figura 2. Relação custo-benefício
em trapézio. Detalhe do ponto ótimo (b=utopia) ao centro.
Em uma distribuição de renda tipo
“trapézio”, as classes mais abastadas possuem menos benefício, e custo pouco
menor em relação às classes mais baixas, e ninguém atinge o nível máximo de
benefícios (B= 1.0). Aristocracias com menos benefícios e mais custos
favorecem a redução do custo nas classes mais baixas. Da mesma forma, ninguém atinge os
extremos de custo (C= 1.0, ver Figura 2).
Em suma, o segredo para quaisquer
sociedades avançarem socioeconomicamente talvez seja uma distribuição mais
equitativa de renda, onde cada uma de suas classes tenham benefícios a custos
razoáveis. Teoricamente, a medida mais simples para erradicar a milenar economia
de pirâmide.
Referências.
Aguena, A. O que é Desigualdade
Social: causas, consequências e exemplos. Toda
Matéria. 2025. Disponível em: <
https://www.todamateria.com.br/desigualdade-social/. >. Acesso em: 26-05-2025.
Diamond, J. Armas, germes e aço: os destinos das sociedades humanas (7ª ed.).
Rio de Janeiro-São Paulo: Editora Record, 2005.
Diamond, J. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Rio
de Janeiro: Editora Record, 2007.
Primack, R. B., Rodrigues, E. Biologia da conservação. Londrina:
Editora Midiograf, 2002.
Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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