Segundo Wilson (1989,
2002), hipótese da biofilia é a tendência inata para afiliação emocional de seres
humanos a outros seres vivos; inato significa hereditário, sendo assim algo
intrínseco à natureza da nossa espécie. Este princípio pode ser importante para
justificar várias atividades que perfazem o cotidiano humano, sendo constatado na
medicina, turismo e educação ambiental (G1 2017, Moretto 2022, Mask 2025, Ugreen
2025).
Entretanto, Balmford
et al. (2002) levantou a premissa de haver uma tendência das crianças preferirem mais “espécies sintéticas”,
divulgadas pela mídia, do que as que de fato existem no mundo natural. Um
significativo “conflito de conservação”, ou o desacordo entre humanos e outras espécies
no âmbito conservacionista (Redpath et
al. 2013).
Neste contexto,
sempre levantei a hipótese de haver um grande conflito de conservação similar
no Brasil Central, cujos moradores parecem apreciar muito mais uma fauna
estilizada, que mistura animais exóticos das atividades agropastoris com espécies
do hemisfério norte, África e oriente tropical. Esta visão, contudo, parece
estar mudando aos poucos.
E nesta última festa
de maio em Iporá, fiquei muito satisfeito ao entrar em uma das barracas do
evento com minha família, e apreciar uma exposição de réplicas animais para
jardins com vários representantes de nossa fauna nacional, muitos dos quais comuns
no Cerrado brasileiro (Figura 1). Ainda existem remanescentes
exóticos, mas a maioria dos exemplares são aves que perfazem nosso cotidiano,
entre outras espécies da fauna nativa brasileira.
Figura 1.
Detalhe da exposição de réplicas animais em barraca na Festa de Maio. Fonte: Autor,
24-05-2025.
Nesta noite, também
vimos muitos enfeites pitorescos com capivaras, e aparentemente menos de leões
ou tigres, por exemplo. Em tempos de agronegócio avançando implacavelmente
sobre as paisagens nativas, perceber que as pessoas aos poucos estão voltando
mais para sua fauna autóctone me traz esperança de ainda ser possível propor
medidas mitigadoras, que conciliem a conservação com as necessidades socioeconômicas.
Parabéns a todos
os profissionais de educação ambiental no coração do Brasil!
Referências
Balmford, A., Clegg, L., Coulson,
T., Taylor, J. 2002. Why conservationists should heed Pokemom: Science 295 (5564): 2367.
G1 Zona da Mata. Organizações oferecem
tratamento a dependentes de álcool e drogas em Juiz de Fora e região. 2017.
Disponível em: < https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/organizacoes-oferecem-tratamento-a-dependentes-de-alcool-e-drogas-em-juiz-de-fora-e-regiao.ghtml
> . Acesso em: 25-05-2025.
Mask Viagens. 8 dicas para ensinar as
crianças sobre sustentabilidade. 2025. Disponível em: < https://www.maskviagens.com.br/8-dicas-para-ensinar-as-criancas-sobre-sustentabilidade/
> . Acesso em: 25-05-2025.
Moretto, J. “Cheiro
de natureza” ajuda a prevenir estresse e câncer, diz estudo. Jornal Ciência. 2022. Disponível em:
< https://www.jornalciencia.com/cheiro-de-natureza-ajuda-a-prevenir-estresse-e-cancer-diz-estudo/
> . Acesso em: 25-05-2025.
Redpath, S. M., Young, J., Evely, A.,
Adams, W. M., Sutherland, W. J. Whitehouse, A., Amar, A., Lambert, R. A., Linnell,
J. D. C., Watt, A. Gutie´rrez, R.J. Understanding and managing conservation
conflicts. Trends in Ecology and
Evolution, v. 28, n. 2, p. 100-109, 2013. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.tree.2012.08.021
Ugreen. Hospitais e a Biofilia: Como a
Natureza Pode Ajudar na Cura. 2025. Disponível em: < https://www.ugreen.com.br/hospitais-e-a-biofilia-como-aliada-na-cura/
> . Acesso em: 25-05-2025.
Wilson, E. O. Biofilia. Ciudad de México: Fondo de
cultura económica S.A. ,1989.
Wilson, E. O. O Futuro da Vida. Rio de Janeiro:
Editora Campus, 2002.
Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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