sábado, 17 de maio de 2025

Uma manhã pela GO-320: sobre persistir com simplicidade. [Orientações].

 


 

Ponte sobre o Ribeirão Santa Marta (confirmar), GO-320. Zona rural sul de Iporá, estado de Goiás. Vídeo do autor: 01-05-2025.

 

“O mundo é como você o vê. ”

José Hidasi.

 

De volta às palavras do naturalista José Hidasi (Wikipédia 2024), sem dúvida um dos meus maiores mentores, como declarei anteriormente (Blamires 2023). Ouvi sua frase espontaneamente na mesa de almoço em sua casa, nos meus tempos de doutorado. Ele gentilmente cedia sua biblioteca, no Museu de Ornitologia de Goiânia/Setor Campinas, para minha compilação de dados. O professor Hidasi me convidava para almoçarmos a refeição preparada por sua esposa Maria, quase sempre conosco à mesa das refeições.

E é isso mesmo, caros orientados! As dificuldades, que sempre existem, diminuem quando contemplamos mais nossos propósitos que a amargura dos problemas. Edward Wilson (Wikipédia 2023), outro grande mentor que conheci apenas por suas obras, também fez outro importante apontamento em sua monumental biografia científica:

 

“(...). A grande maioria das espécies de organismos – provavelmente mais de 90% - continua desconhecida pela ciência. Vivem nalgum lugar por aí, ainda intocadas, à espera de seu Lineu, seu Darwin, seu Pasteur. (...).”

Wilson (1997, p. 358).

 

Atualmente, estou lendo outro livro de Wilson (2015), onde ele também comenta sobre estudos científicos nas áreas mais modestas ambientalmente, como periferias de cidades, e até mesmo abaixo de um toco num bosque. Então, o propósito deste texto é narrar a pequena expedição que fiz por um trecho vicinal na microrregião de Iporá, em busca de alguma futura área para desenvolver pesquisa de campo. Algo que faço rotineiramente há anos.

Neste último feriado 1º de Maio – Dia do Trabalho – sai pela manhã de carro sem rumo, com minha câmera fotográfica. Ao entrar na Avenida Buenos Aires-Vila Brasília, pensei comigo mesmo: que tal conhecer Ivolândia? Então virei à direita, seguindo pela Rodovia vicinal GO-320.

Era uma manhã ensolarada de outono com vegetação ainda verde, afinal as chuvas cessaram a poucas semanas. A paisagem circundante tipicamente goiana, um mosaico com predomínio de culturas agropastoris e fragmentos de vegetação natural, sempre mostrava algo interessante, e por  muitas vezes parei para fazer alguns registros, como o vídeo do Ribeirão acima, com destaque para os cantos de sua assembleia de insetos e aves. Viajei durante muito tempo por uma pista tranquila e de acesso fácil. Na área limítrofe entre os municípios de Iporá e Ivolândia, pude admirar isto (Figura 1):

 




Figura 1. GO-320, entre os municípios de Iporá e Ivolândia. Detalhe para a serra ao fundo.

 

A serra de cor rubra. Uma das mais belas imagens que contemplei na microrregião de Iporá. Lembrei-me de Ward (1997), sobre o sedimento triássico, de coloração similar à superfície de Marte devido à maior das extinções, entre o paleozoico e o mesozóico. Muitas descobertas interessantes poderiam ser feitas nesta serra, visível a partir da malha urbana sul de Iporá, por Geógrafos, Geólogos e Paleontólogos, Zoólogos e Botânicos. Obviamente, um inventário avifaunístico também seria possível, mediante forte apoio logístico.

E pouco depois, entrei na malha urbana de Ivolândia.... Cheguei lá! E como já fiz muitos estudos com aves urbanas, principalmente em Iporá (ver revisão em Blamires 2022), realmente tive muita vontade de fazer algo similar naquela pequena e pacata cidade. Importante ressaltar que um casal de seriemas Cariama cristata (Linnaeus, 1766) rondava tranquilamente pela periferia da cidade, e de dentro do carro consegui registrar uma delas (Figura 2).

 



Figura 2. Seriema Cariama cristata (Linnaeus, 1766). Trevo de Ivolândia-GO.

 

Segui pelo povoado de Missianópolis e malha urbana de Moiporá, até encontrar a GO-060, e então retornar a Iporá passando por Israelândia. Uma típica expedição, onde lembranças e ideias confrontam-se às magníficas paisagens da microrregião de Iporá e arredores. E assim, prezados alunos, persistamos com simplicidade, em busca do que está a nosso alcance, na certeza de que muito ainda está prestes a ser estudado, e finalmente apresentado ao público.


Referências.


Blamires, D. Aves urbanas de Iporá, estado de Goiás. São José dos Pinhais: Brazilian Journals Publicações de períodicos e editora. 2022. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=4T58q26QuIgz9CVo0eUO28stp2H17M6K > . Acesso em: 17-05-2025.

Blamires, D. Ecologia no quadro: Temas ecológicos com figuras manuscritas. 2023. Disponível em: <  https://www.brazilianjournals.com.br/ebooks.php?bk=1oR5tGXqvKTJmW71Y30Le4604sib4M82 > . Acesso em: 17-05-2025.

Ward, P. O fim da evolução: extinções em massa e a preservação da biodiversidade. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1997.

Wikipédia: a enciclopédia livre. Edward Osborne Wilson. 2023. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Osborne_Wilson >. Acesso em: 17-05-2025.

Wikipédia: a enciclopédia livre. José Hidasi. 2024. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Hidasi > . Acesso em: 17-05-2025.

Wilson, E. O. Naturalista. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1997.

Wilson, E. O. Cartas a um jovem cientista. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2015.


Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.



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