Índice de
Abundância Relativa em rascunho. Fonte: Autor, 23-09-2023.
A imagem acima foi o primeiro
rascunho do meu índice de abundância relativa, enquanto analisava os dados das
“Estradas Reais (ver Blamires 2024a, b)”. Mas afinal, como obter a variável
abundância, a partir de dados avifaunísticos obtidos em campo? Já considerei
apenas a contagem dos indivíduos, ao longo de todas as visitas às áreas de
estudo (por exemplo, Blamires et al. 2001, Magalhães et al.
2018).
Contudo, certa vez o parecerista ad-hoc
de algum manuscrito alertou que contagens simples podem trazer erros, por serem
dados muito variáveis. Outros relevantes estudos do passado
(Mattarazzo-Neuberger 1995, D’Ângelo-Neto et al. 1998), também não
resolveram adequadamente este problema.
Assim, para os dados das
“Estradas Reais”, redigi um índice de abundância relativa das aves, para cada
um dos nove pontos de contagem estudados. Um cálculo baseado na relação entre o
total de contatos com cada espécie isoladamente, mais os contatos totais de
todas as espécies em cada ponto (Figura 1).
Figura 1. Índice de Abundância
Relativa ARi. Recorte de Blamires et al. 2024a.
Empregamos esta mesma fórmula em outro estudo, nos dois pontos do trecho urbano de um Ribeirão iporaense (Lima & Blamires 2025). Até o momento, não encontrei melhor forma para estimar a abundância relativa das espécies de aves. Importante salientar que a distribuição de frequência da variável abundância, no mesmo estudo supracitado, demonstrou o padrão assimétrico à direita para dados nos dois pontos: o resultado esperado para comunidades animais (ver revisão em Brown 1995). Convém ressaltar que o índice difere de frequência de ocorrência, um procedimento que envolve a relação entre contatos com cada espécie e o total de visitas à área de estudo (Argel-de-Oliveira 1995, D’Angelo-Neto et al. 1998, Mendonça-Lima & Fontana 2000, Valadão et al. 2006, Braga et al. 2010, Valadão et al. 2022).
O primeiro destes nossos estudos
(Blamires et al. 2024a), era um projeto interno da UEG, importante para duas
monografias discentes (Blamires 2024b). Por outro lado, Lima & Blamires
(2025) foi basicamente o trabalho de curso de outra aluna, com mais visitas aos
pontos de contagem. Importante ressaltar que todos os alunos participantes são também
autores dos respectivos trabalhos. Assim, acho que acertei neste cálculo para
dados de abundância, necessário para calcular a diversidade em cada ponto de
contagem separadamente.
Então, eu criei um índice de
abundância relativa... Ou não? Pesquiso apenas com meus orientados aqui em
Iporá e arredores, e até o momento penso ter acertado. Aceito sugestões e críticas,
contudo, inclusive porque estou desenvolvendo outro índice mais complexo, do
qual este primeiro faz parte.
Bom feriado a todos!
Referências.
Argel-de-Oliveira, M. M. Aves e
vegetação em um bairro residencial da cidade de São Paulo (São Paulo, Brasil). Revista
Brasileira de Zoologia, n. 12, v. 1, p. 81-92, 1995
Blamires, D., Valgas, A. B.,
Bispo, P. C. Estrutura da comunidade de aves na Fazenda Bonsucesso, município
de Caldazinha, Goiás, Brasil. Tangara, v. 1, n. 3, p. 101-113, 2001.
Blamires, D., Lopes, A. F. D., Peres,
J. V. M. Avifauna das “Estradas Reais” em Iporá, estado de Goiás, Brasil. Revista
Mirante, v. 17, n. 2, p. 225-249, 2024a.
Blamires, D. Aves das “Estradas
Reais”: um grande trabalho! [Orientações]. Resumos das Aulas. 2024b. Disponível
em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/12/aves-das-estradas-reais-um-grande.html
> . Acesso em: 15-02-26.
Braga, T. V., Zanzini, A. C. S.,
Cerboncini, R. A. S., Miguel, M., Moura, A. S. Avifauna em praças da cidade de
Lavras (MG): riqueza, similaridade e influência de variáveis do ambiente
urbano. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 18, n. 1, p. 26-33, 2010.
Brown, J. H. Macroecology. Chicago: The
University of Chicago Press, 1995.
D’Angelo-Neto, S., Venturin, N.,
Oliveira-Filho, A. T., Costa, F. A. F. Avifauna de quatro fisionomias
florestais de pequeno tamanho no Campus da UFLA. Revista Brasileira de
Biologia, v. 58, p. 463-472, 1998.
Lima, B. U., Blamires, D.
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estado de Goiás. Brazilian
Journal of Animal and Environmental Research, v. 8, n. 2, p. 1-19, 2025. DOI:
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Mendonça-Lima, A., Fontana, C. S.
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Matarazzo-Neuberger, W. M.
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Valadão, E. C. S., Franco, G. A.
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8, n. 5, p. 35548-35568, 2022. DOI: 10.34117/bjdv8n5-187
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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