segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Criei um índice... Será? [Orientações].

 

 

 

Índice de Abundância Relativa em rascunho. Fonte: Autor, 23-09-2023.

 

A imagem acima foi o primeiro rascunho do meu índice de abundância relativa, enquanto analisava os dados das “Estradas Reais (ver Blamires 2024a, b)”. Mas afinal, como obter a variável abundância, a partir de dados avifaunísticos obtidos em campo? Já considerei apenas a contagem dos indivíduos, ao longo de todas as visitas às áreas de estudo (por exemplo, Blamires et al. 2001, Magalhães et al. 2018).

Contudo, certa vez o parecerista ad-hoc de algum manuscrito alertou que contagens simples podem trazer erros, por serem dados muito variáveis. Outros relevantes estudos do passado (Mattarazzo-Neuberger 1995, D’Ângelo-Neto et al. 1998), também não resolveram adequadamente este problema.

Assim, para os dados das “Estradas Reais”, redigi um índice de abundância relativa das aves, para cada um dos nove pontos de contagem estudados. Um cálculo baseado na relação entre o total de contatos com cada espécie isoladamente, mais os contatos totais de todas as espécies em cada ponto (Figura 1). 

 

 

Figura 1. Índice de Abundância Relativa ARi. Recorte de Blamires et al. 2024a.

 

Empregamos esta mesma fórmula em outro estudo, nos dois pontos do trecho urbano de um Ribeirão iporaense (Lima & Blamires 2025). Até o momento, não encontrei melhor forma para estimar a abundância relativa das espécies de aves. Importante salientar que a distribuição de frequência da variável abundância, no mesmo estudo supracitado, demonstrou o padrão assimétrico à direita para dados nos dois pontos: o resultado esperado para comunidades animais (ver revisão em Brown 1995). Convém ressaltar que o índice difere de frequência de ocorrência, um procedimento que envolve a relação entre contatos com cada espécie e o total de visitas à área de estudo (Argel-de-Oliveira 1995, D’Angelo-Neto et al. 1998, Mendonça-Lima & Fontana 2000, Valadão et al. 2006, Braga et al. 2010, Valadão et al. 2022).

O primeiro destes nossos estudos (Blamires et al. 2024a), era um projeto interno da UEG, importante para duas monografias discentes (Blamires 2024b). Por outro lado, Lima & Blamires (2025) foi basicamente o trabalho de curso de outra aluna, com mais visitas aos pontos de contagem. Importante ressaltar que todos os alunos participantes são também autores dos respectivos trabalhos. Assim, acho que acertei neste cálculo para dados de abundância, necessário para calcular a diversidade em cada ponto de contagem separadamente.

Então, eu criei um índice de abundância relativa... Ou não? Pesquiso apenas com meus orientados aqui em Iporá e arredores, e até o momento penso ter acertado. Aceito sugestões e críticas, contudo, inclusive porque estou desenvolvendo outro índice mais complexo, do qual este primeiro faz parte.

Bom feriado a todos!

 

Referências.

Argel-de-Oliveira, M. M. Aves e vegetação em um bairro residencial da cidade de São Paulo (São Paulo, Brasil). Revista Brasileira de Zoologia, n. 12, v. 1, p. 81-92, 1995

Blamires, D., Valgas, A. B., Bispo, P. C. Estrutura da comunidade de aves na Fazenda Bonsucesso, município de Caldazinha, Goiás, Brasil. Tangara, v. 1, n. 3, p. 101-113, 2001.

Blamires, D., Lopes, A. F. D., Peres, J. V. M. Avifauna das “Estradas Reais” em Iporá, estado de Goiás, Brasil. Revista Mirante, v. 17, n. 2, p. 225-249, 2024a.

Blamires, D. Aves das “Estradas Reais”: um grande trabalho! [Orientações]. Resumos das Aulas. 2024b. Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/12/aves-das-estradas-reais-um-grande.html > . Acesso em: 15-02-26.

Braga, T. V., Zanzini, A. C. S., Cerboncini, R. A. S., Miguel, M., Moura, A. S. Avifauna em praças da cidade de Lavras (MG): riqueza, similaridade e influência de variáveis do ambiente urbano. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 18, n. 1, p. 26-33, 2010.

Brown, J. H. Macroecology. Chicago: The University of Chicago Press, 1995.

D’Angelo-Neto, S., Venturin, N., Oliveira-Filho, A. T., Costa, F. A. F. Avifauna de quatro fisionomias florestais de pequeno tamanho no Campus da UFLA. Revista Brasileira de Biologia, v. 58, p. 463-472, 1998.

Lima, B. U., Blamires, D. Avifauna em um trecho urbano do Ribeirão Santo Antônio, município de Iporá, estado de Goiás. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 8, n. 2, p. 1-19, 2025. DOI: 10.34188/bjaerv8n2-069

Mendonça-Lima, A., Fontana, C. S. Composição, frequência e aspectos biológicos da avifauna no Porto Alegre Country Clube, Rio Grande do Sul. Ararajuba, v. 8, n. 1, p. 1-8, 2000.

Magalhães, I. B., Martins, R. H. S., Blamires, D. Assembleias de aves em áreas antropizadas na fazenda escola do Instituto Federal Goiano em Iporá, Brasil. Ornithologia, v. 10, n. 1, p. 17-29. 2018.

Matarazzo-Neuberger, W. M. Comunidades de aves de cinco parques e praças da grande São Paulo, Estado de São Paulo. Ararajuba, v.3, p. 13-19, 1995.

Valadão, R. M., Franchin, A. G., Marçal-Júnior, O. A avifauna no parque municipal Vitório Siquierolli, zona urbana de Uberlândia (MG). Biotemas, v.19, p. 81-91, 2006.

Valadão, E. C. S., Franco, G. A. M., Hannibal, W., Blamires, D. Estrutura das assembleias de aves nas praças publicas de Iporá, estado de Goiás. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 5, p. 35548-35568, 2022. DOI: 10.34117/bjdv8n5-187

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.


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