Tipos de seleção
natural no quadro. Fonte: Autor, 11-10-2023.
De modo geral, o que é seleção? É
um termo que significa escolha, sendo o contrário de “eliminação (escreva.ai
2026.)”. Assim, o propósito desta postagem é apenas transcrever alguns dos vários
conceitos de seleção, empregados na biologia evolutiva.
Seleção natural. Um fator
evolutivo fácil de compreender tacitamente, mas difícil de conceituar, e
bastante variável ao longo da literatura. Beiguelman (2008, p. 150), por
exemplo, transcreve a concepção pragmática de Darwin em “Origem das Espécies”:
“Preservação das variações favoráveis e a supressão das prejudiciais”.
Ridley (2006, p. 707), define
seleção natural como: “...O processo pelo qual aquelas formas de organismos de
uma população que estão mais bem adaptadas ao ambiente aumentam em frequência
relativamente às formas menos bem-adaptadas, ao longo de uma série de gerações."
Após ler vários textos sobre o
assunto, atualmente eu considero seleção natural como: “Favorecimento, por
parte do ambiente, das variações (genes, genótipos, traços) que proporcionam mais
sobrevivência e reprodução, e eliminação das menos favoráveis.” Segundo Stearns
& Hoekstra (2003), existem três tipos de seleção natural: estabilizadora
(favorecimento dos traços centrais); direcional (favorecimento de um dos traços
extremos); disruptiva: favorecimento de dois ou mais traços extremos).
Seleção sexual. Em geral,
é a seleção de caracteres relacionados apenas ao aumento no sucesso de
acasalamento, segundo Krebs & Davies (1996, p. 183). Dawkins (2009, p.
315), faz uma interessante e cômica reflexão sobre a seleção sexual: “...produz
a evolução insólita, caprichosa, que desembesta em direções aparentemente
arbitrárias, alimentando-se de si mesma e resultando em loucos voos de fantasia
evolutiva.” Segundo Ricklefs (2009), o dimorfismo sexual - a diferença na
aparência externa entre machos e fêmeas da mesma espécie - é a principal
consequência da seleção sexual.
Seleção de parentesco. Quando
o indivíduo pode promover a reprodução do seu tipo de gene, ajudando os
parentes a se reproduzirem (Ehrlich 1993, p. 83). Os fundamentos matemáticos
deste tipo de seleção foram questionados recentemente (Wilson 2013, 2018).
Seleção de grupo. Alelos
podem fixar ou espalhar-se em uma população, caso proporcionem benefícios a
grupos (Wilson 2013). Stearns & Hoekstra (2003, p. 347) definem como “a
seleção gerada pela variação do sucesso reprodutivo de grupos”. Wilson (2013,
2018) afirma que a seleção de grupo é mais provável que a de parentesco.
Seleção de espécies. Segundo
Futuyma (2003, p. 585), é “...uma forma de seleção de grupo na qual espécies
com características diferentes crescem (por especiação) em número, a taxas
diferentes, por causa de diferenças nas suas características”. Tipo de seleção
que se integra à teoria macroevolutiva do Equilíbrio Pontuado (ver revisão em
Blamires 2024), e suscita controvérsias (Futuyma 2003).
Seleção artificial. Descrita
por Ridley (2006) como cruzamentos seletivos realizados por humanos, para
alterar uma população. Também considerada a seleção pelo homem de uma
característica - ou combinação de características - conscientemente escolhidas
nos indivíduos de uma população, normalmente em cativeiro (Futuyma 2003). Ao
contrário da seleção natural, na artificial o homem seleciona uma ou mais
características nos indivíduos de uma população, ao longo das gerações, apenas para
finalidades sociais e econômicas.
Seleção volitiva. É o “processo
de redesenhar a biologia e a natureza humana da maneira como as desejarmos”
(Wilson 2018, p. 181).
Esta revisão deve ser aprimorada,
na medida do possível, podendo ser editada futuramente.
Referências
Beiguelman, B. Genética de
Populações Humanas (E-book). Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética, 2008.
Blamires, D. Evolução no
quadro: temas evolutivos com figuras manuscritas (E-book). São José dos
Pinhais: Brazilian Journals, 2024.
Dawkins, R. A grande história
da evolução: na trilha dos nossos ancestrais. São Paulo: Companhia das
Letras, 2009.
Ehrlich, P. R. O mecanismo da
natureza: o mundo vivo à nossa volta e como funciona. Rio de Janeiro: Campus,
1993.
Futuyma, D. Biologia
Evolutiva, 2ª edição. Ribeirão Preto: FUNCEP-RP, 2003.
escreva.ai. Seleção.
Disponível em: < https://escreva.ai/palavra/selecaosendo/ > . Acesso em: 10-02-2026.
Krebs, J. R., Davies, N. B. Introdução
à ecologia comportamental. São Paulo: Atheneu Editora, 1996.
Ricklefs, R. E. A economia da
natureza, quinta edição. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2009.
Ridley, M. Evolução. Porto Alegre: Artmed, 2006.
Stearns, S. C., Hoekstra, R. F. Evolução:
uma introdução. São Paulo: Atheneu. 2003.
Wilson, E. O. A conquista
social da Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
Wilson, E. O. O sentido da
existência humana. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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