quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Tipos de seleção. [Evolução Orgânica].

 

 

 

Tipos de seleção natural no quadro. Fonte: Autor, 11-10-2023.

 

De modo geral, o que é seleção? É um termo que significa escolha, sendo o contrário de “eliminação (escreva.ai 2026.)”. Assim, o propósito desta postagem é apenas transcrever alguns dos vários conceitos de seleção, empregados na biologia evolutiva.

 

Seleção natural. Um fator evolutivo fácil de compreender tacitamente, mas difícil de conceituar, e bastante variável ao longo da literatura. Beiguelman (2008, p. 150), por exemplo, transcreve a concepção pragmática de Darwin em “Origem das Espécies”: “Preservação das variações favoráveis e a supressão das prejudiciais”.

Ridley (2006, p. 707), define seleção natural como: “...O processo pelo qual aquelas formas de organismos de uma população que estão mais bem adaptadas ao ambiente aumentam em frequência relativamente às formas menos bem-adaptadas, ao longo de uma série de gerações."

Após ler vários textos sobre o assunto, atualmente eu considero seleção natural como: “Favorecimento, por parte do ambiente, das variações (genes, genótipos, traços) que proporcionam mais sobrevivência e reprodução, e eliminação das menos favoráveis.” Segundo Stearns & Hoekstra (2003), existem três tipos de seleção natural: estabilizadora (favorecimento dos traços centrais); direcional (favorecimento de um dos traços extremos); disruptiva: favorecimento de dois ou mais traços extremos).

Seleção sexual. Em geral, é a seleção de caracteres relacionados apenas ao aumento no sucesso de acasalamento, segundo Krebs & Davies (1996, p. 183). Dawkins (2009, p. 315), faz uma interessante e cômica reflexão sobre a seleção sexual: “...produz a evolução insólita, caprichosa, que desembesta em direções aparentemente arbitrárias, alimentando-se de si mesma e resultando em loucos voos de fantasia evolutiva.” Segundo Ricklefs (2009), o dimorfismo sexual - a diferença na aparência externa entre machos e fêmeas da mesma espécie - é a principal consequência da seleção sexual.

Seleção de parentesco. Quando o indivíduo pode promover a reprodução do seu tipo de gene, ajudando os parentes a se reproduzirem (Ehrlich 1993, p. 83). Os fundamentos matemáticos deste tipo de seleção foram questionados recentemente (Wilson 2013, 2018).

Seleção de grupo. Alelos podem fixar ou espalhar-se em uma população, caso proporcionem benefícios a grupos (Wilson 2013). Stearns & Hoekstra (2003, p. 347) definem como “a seleção gerada pela variação do sucesso reprodutivo de grupos”. Wilson (2013, 2018) afirma que a seleção de grupo é mais provável que a de parentesco.

Seleção de espécies. Segundo Futuyma (2003, p. 585), é “...uma forma de seleção de grupo na qual espécies com características diferentes crescem (por especiação) em número, a taxas diferentes, por causa de diferenças nas suas características”. Tipo de seleção que se integra à teoria macroevolutiva do Equilíbrio Pontuado (ver revisão em Blamires 2024), e suscita controvérsias (Futuyma 2003).

Seleção artificial. Descrita por Ridley (2006) como cruzamentos seletivos realizados por humanos, para alterar uma população. Também considerada a seleção pelo homem de uma característica - ou combinação de características - conscientemente escolhidas nos indivíduos de uma população, normalmente em cativeiro (Futuyma 2003). Ao contrário da seleção natural, na artificial o homem seleciona uma ou mais características nos indivíduos de uma população, ao longo das gerações, apenas para finalidades sociais e econômicas.

Seleção volitiva. É o “processo de redesenhar a biologia e a natureza humana da maneira como as desejarmos” (Wilson 2018, p. 181).

 

Esta revisão deve ser aprimorada, na medida do possível, podendo ser editada futuramente.

 

Referências

Beiguelman, B. Genética de Populações Humanas (E-book). Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética, 2008.

Blamires, D. Evolução no quadro: temas evolutivos com figuras manuscritas (E-book). São José dos Pinhais: Brazilian Journals, 2024.

Dawkins, R. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Ehrlich, P. R. O mecanismo da natureza: o mundo vivo à nossa volta e como funciona. Rio de Janeiro: Campus, 1993.

Futuyma, D. Biologia Evolutiva, 2ª edição. Ribeirão Preto: FUNCEP-RP, 2003.

escreva.ai. Seleção. Disponível em: < https://escreva.ai/palavra/selecaosendo/ > . Acesso em: 10-02-2026.

Krebs, J. R., Davies, N. B. Introdução à ecologia comportamental. São Paulo: Atheneu Editora, 1996.

Ricklefs, R. E. A economia da natureza, quinta edição. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2009.

Ridley, M. Evolução. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Stearns, S. C., Hoekstra, R. F. Evolução: uma introdução. São Paulo: Atheneu. 2003.

Wilson, E. O. A conquista social da Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Wilson, E. O. O sentido da existência humana. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

 

Daniel Blamires. Doutor Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.

 

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