Soldadinho Antilophia galeata (Lichtenstein, 1823). Fonte: Sanches (2010).
Endêmico do Cerrado (Braz &
Hass 2014), o soldadinho Antilophia galeata é uma espécie registrada em florestas úmidas (Wikiaves 2025). A fêmea possui coloração
esverdeada pouco atraente, enquanto o macho tem plumagem predominantemente
preta, com reluzente topete vermelho (Sigrist 2014).
Mas afinal, como pode surgir um
ornamento elaborado tão exuberante em ambientes sombrios e repletos de
predadores, tipos as florestas úmidas do Brasil Central? Aqui a evolução opera
não necessariamente por seleção natural, mas no âmbito da seleção sexual, ou de
caracteres relativos ao aumento no sucesso de acasalamento (Krebs &
Davies 1996). E neste sentido, duas hipóteses tentam explicar como provavelmente
surgem ornamentos elaborados, tipo o topete do soldadinho macho, aqui de nosso
Cerrado (ver imagem). Claro que muitos estudos certamente são necessários para justificar o dimorfismo sexual em Antilophia galeata, mas seguirei neste exemplo apenas didaticamente, baseado em Krebs & Davies (1996).
Hipótese de Fisher (Covariância) e o soldadinho:
a). Supostamente, o topete dos
machos A. galeata são mais detectáveis, ou suas fêmeas possuem uma
pré-disposição sensorial (de fundo genético) para preferirem as mesmas;
b). Se houver alguma vantagem
genética para o topete, ela será transmitida à progênie da fêmea;
c). Por outro lado, o gene que
leva as fêmeas a preferirem topetes maiores e mais vermelhos será favorecido, já
que seus filhos poderão ser mais viáveis, e mais facilmente detectáveis por
parceiras em potencial;
d). Assim, uma vez que a
preferência das fêmeas por topetes maiores e mais rubros aumenta, as gerações
seguintes de machos passam a ter maiores vantagens genéticas, bem como topetes maiores e mais exuberantes.
Hipótese de Zahavi (Desvantagem) e o soldadinho.
a). Topetes grandes e vermelhos
nos machos podem significar mais empecilho ao voo e exposição a predadores, por
exemplo;
b). Contudo, certamente os machos
com topetes grandes e rubros possuem vigor suficiente para sobreviverem com o
ornamento, sendo assim mais fortes e astutos em comparação aos machos sem topete;
c). Então, as fêmeas preferem
parceiros com topetes exuberantes, os quais provavelmente tem mais chance
de sobrevivência e reprodução, em relação aos machos sem topete.
Krebs & Davies (1996) também
afirmam que as duas hipóteses não são necessariamente incompatíveis (uma não
anula a outra). Seja como for, assim segue a evolução do dimorfismo entre
machos e fêmeas: à mercê da seleção sexual, e menos das condições
ambientais circundantes.
Referências
Braz, V. S., Hass, A. Aves
endêmicas do Cerrado no estado de Goiás. Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science, v. 3, n. 2, p. 45-54, 2014.
Krebs, J. R., Davies, N. B. Introdução
à ecologia comportamental. São Paulo: Atheneu Editora, 1996.
Sanches, D. 2010. Soldadinho
macho Antilophia galeata. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Soldadinho#/media/Ficheiro:Antilophia_galeata_-Reserva_Ambiental,_Piraju,_Sao_Paulo,_Brasil_-male-8.jpg
> . Acesso em: 23-04-2026.
Sigrist, T. Guia de Campo Avis
Brasilis: avifauna brasileira. São Paulo: Editora AvisBrasilis, 2014.
Wikiaves. Soldadinho.
2025. Disponível em: < https://www.wikiaves.com.br/wiki/soldadinho > .
Acesso em: 23-04-2026.
Daniel Blamires. Doutor Ciências
Ambientais. Docente UEG-Iporá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário