Serra do Pé-de Pato, a partir da “Estrada Real Vila Boa-Coxim”. Data:
12-12-2022.
Tirei esta foto durante trabalho
de campo nas “Estradas Reais”, dois antigos acessos pormenorizadamente
detalhados em Gomis (2022). Apesar da majestosa imagem da Serra do Pé-de-Pato
ao centro, à frente observa-se uma plantação de soja: a monocultura de uma
espécie exótica, que requer muitos insumos de impacto ambiental negativo. E,
como já se sabe há muitas décadas, tudo o que altera negativamente a natureza
também atinge o bem-estar, economia e saúde das populações humanas.
Hoje, paisagens assim perfazem o
mundo todo, e avançam conforme aumentam as densidades populacionais humanas,
trazendo consequências drásticas e muitas vezes irreversíveis, conforme
noticiado rotineiramente por muitas redes de comunicação. Com frequência, estas
mídias se contradizem ao anunciarem, num tempo, “as maravilhas do agronegócio”,
e logo após/ou antes falarem sobre intoxicação alimentar, inundações e conflitos
étnicos em fronteiras agropastoris.
E infelizmente, existem outros
problemas ambientais que não apenas o agronegócio... O impacto humano no
planeta é cada vez mais evidente em nosso cotidiano, sendo revertido em
problemas de moradia e saúde, e como sempre atingindo primeiro as populações
mais vulneráveis economicamente. O mundo está ficando mais quente, poluído, com
menos reservatórios de água potável, além de secas mais prolongadas e intercaladas
por temporais destruidores. Tudo isso leva a previsões bastante
desconfortáveis, e uma humanidade com sérios problemas a partir de 2050.
Contudo, vocês alunos, que estão
iniciando a disciplina de ecologia, certamente já são indagados por pessoas
leigas ao redor sobre o que fazer neste cenário apocalíptico. Assim, seguem
algumas dicas breves, com pouca profundidade científica, como sugestão para
tentar responder a este questionamento com clareza e objetividade. Abaixo constam
algumas referências, muitas das quais importantes para ampliar o conhecimento
sobre este tema cada vez mais recorrente. Só gostaria de adiantar que serviços ecossistêmicos
são benefícios que os humanos recebem gratuitamente do meio natural. Então,
penso que a resposta a esta pergunta poderia ser:
a). Plantem árvores. Vegetais
absorvem gás carbônico atmosférico para atividades fotossintéticas, prestando
um serviço ecossistêmico denominado “sequestro de carbono”. Um importante
processo para diminuir impactos ambientais como o efeito estufa e aumento da
acidez oceânica. Plantas também evapotranspiram, sendo fundamentais nos
continentes para aumentar a umidade do ar e produzir nuvens,
respectivamente. Recomenda-se o plantio de espécies vegetais nativas, mais
ajustadas evolutivamente às condições de cada região, e assim de manejo mais viável
em relação às espécies exóticas.
b). Evitem o desmatamento. A
complexa interação entre a cobertura vegetal nativa e seu ambiente garantem o
estoque hídrico nos lençóis subterrâneos, águas de superfície (córregos e rios)
mais limpas e abundantes, estabilidade climática, além de solos mais férteis
naturalmente. A remoção da cobertura vegetal nativa para atividades
agropastoris pode gerar grande lucro a curto prazo, mas problemas irreversíveis
a seguir. Ademais, preservar a cobertura vegetal nativa sempre é mais viável em
relação a reflorestar.
c). Vivam uma vida “simples”. O
que denomino aqui como “vida simples” é um estilo mais despojado de gastos e
bens materiais, ou menos consumidor. Estimulem sobretudo as novas gerações -
que herdarão tempos difíceis - a evitar o acúmulo de matéria e contemplar mais
o mundo natural, ao invés de viverem só na aflição artificial do mundo presente.
Além de comprovadamente diminuir a ansiedade, hábitos mais modestos também implicam
em menor procura-e-produção de artefatos sustentados por mineração e indústrias
movidas à queima de combustíveis fósseis. Um povo com modos de vida mais
simples também despeja menos lixo nos ambientes.
Aprofundaremos mais nestes
assuntos ao longo das aulas, mas lembrem-se que também é imprescindível o
esclarecimento simples e voltado ao público leigo que nos cerca. Novas
publicações também estão previstas nesta página sobre este assunto.
Referências.
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Gomis, M.A. Uma viagem no tempo de Pilões a Iporá (1748-2020), 2ª edição.
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Editado em 20-02-2025.
Daniel Blamires. Doutor em Ciências Ambientais. Docente UEG-Iporá.
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