Morphoeus revelando o mundo para Neo. Fonte: “What is the
Matrix?”
“What is real? How do
you define ‘real’? Is it talking about you can smell, taste and see then real
is simply electrical signals that are interpreted by your brain. (…). I didn’t say
it would be easy, Neo. I just said it would be truth.”
“O que é o real? Como você define
‘’real’? Se é sobre o que você cheira, prova ou vê então o real são
simplesmente sinais elétricos interpretados por seu cérebro. (...). Não disse
que seria fácil, Neo. Disse que seria a verdade.” (Tradução livre).
Assim Morphoeus, na atemporal trilogia Matrix, apresentou a Neo o triste mundo das evidências, em contrapartida ao de ilusões vivido antes pelo protagonista. A explicação de Morpheus demonstra o que é a verdade das evidências: deprimente e deselegante, porém precisa sob vários aspectos. E no mundo civilizado e democrático, é o melhor procedimento para produção de medicamentos, conforto, e julgamentos que protejam as minorias ou os diferentes nas sociedades.
Mas afinal, o que é o real? Talvez
esta seja uma das maiores dúvidas da humanidade, e parece não haver consenso
sobre este assunto. Aqui, voltarei novamente ao passado para expor o que ouvi
de meu professor Fausto Mizziara, durante aula em uma disciplina de doutorado
há mais de duas décadas. “O real não existe... Existem formas distintas de se
ver o real...”
E assim, começo há muitos anos a disciplina de evolução orgânica com esta reflexão, e sempre faço a analogia da árvore, que segue adiante:
a). Há uma árvore no meio de um
campo;
b). São postas, em volta desta
árvore, quatro pessoas com distintos ofícios: coveiro, juiz, enfermeira,
lavrador.
c). Entrega-se um bloco de
anotações e um lápis para cada um descrever a árvore;
d). São apresentadas quatro anotações diferentes.
Cada uma destas pessoas
anotou a árvore conforme sua própria percepção. As anotações também carregam um
componente inato em qualquer indivíduo Homo
sapiens de cérebro com capacidade simbólica: a tendência de produzir concepções
preliminares, não fundamentadas nos fatos, ou... Preconceitos!
No mundo da diplomacia complexa para
evitar guerras nucleares, ou da vacinação-em-massa para diminuir mortalidades,
é necessário filtrar costumes primitivos e inatos como preconceitos. É aí que
prevalecem procedimentos heurísticos como o método científico sobre os demais.
Como prescrito, eles não são os mais sedutores, mas apresentam um real mais viável,
acessível e menos discriminatório.
Assim, apesar de que, indiscutivelmente, o sofrimento seja realidade (Harari 2016), no mundo das percepções existem muitos reais e
talvez todos tenham sua relevância social, econômica e até emocional. Contudo,
o real acadêmico que perfaz toda as ciências naturais é a análise sistêmica – matemática -
das evidências, proveniente do método científico. Divagar além do real factível
em aulas, pesquisas científicas ou quaisquer atividades neste contexto não é
apenas antiético, mas também o retrocesso para um tempo de poções mágicas, inquisições,
obscurantismo, bem como altas taxas de guerras e mortalidade.
Referências.
Blamires, D. O método científico
e a rosa vermelha. Resumo das aulas
(Blog). Disponível em: < https://resumosdasaulas.blogspot.com/2024/01/
> . Acesso em: 20-02-2024.
Harari, Y. N. Homo Deus: uma breve história do amanhã. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2016.
Harari, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade.
Porto Alegre: Editora L&PM, 2017.
Harari, Y. N. 21 lições para o século 21. São Paulo:
Editora Companhia das Letras, 2019.
Sagan, C. E. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no
escuro. São Paulo: Editora Companhia das Letras. 2006.
Youtube. What is the Matrix? Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=O5b0ZxUWNf0
> . Acesso em: 20-02-2024.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário