Wolverine no Japão lutando contra a máfia "Tentáculo". Fonte: Santiago (2022).
Wolverine é meu super-herói Marvel Comics preferido desde a adolescência. Um personagem fictício de origem canadense e também denominado Logan, nascido com um “fator de cura mutante” capaz de preservar sua vida mesmo nos ferimentos mais graves. Ninguém ao certo sabe sua idade, porque seu fator de cura o mantém salvo da velhice. É um personagem de temperamento difícil: rabugento, antissocial, explosivo e bom-de-briga acima do normal. Particularmente, o que sempre me chamou a atenção em Wolverine foi sua autonomia, ou capacidade de resolver a maioria dos problemas sozinho, e raramente pedir ajuda.
Este herói temperamental e eremita faz parte do grupo de “mutantes” com super-poderes denominados X-Men. Uma equipe liderada pelo sábio, paraplégico e paranormal mentor Charles Xavier. Todos os X-Men, bem como seus inimigos, tem algo em comum: nasceram de pais normais, mas possuem poderes “mutantes”, o que ao longo do enredo lhes confere vantagens super-humanas, mas muita discriminação pela maioria do povo e até mesmo grande parte das instituições. A saga de Wolverine e todos os seus demais amigos e inimigos, suscita muitas discussões filosóficas e sociais sobre preconceitos contra minorias, por exemplo. Eles também suscitam uma série de especulações evolutivas saltacionistas, pois são indivíduos que nasceram com “super-poderes” de uma geração para outra.
Agora, convém falar de outro grande herói, nascido no Reino Unido, apelidado por Fernandes (2005) como “O Eremita de Downie”, e chamado Charles Robert Darwin. Ao contrário de Wolverine, Darwin existiu de fato, sendo um dos gênios mais importantes na história da humanidade. Após desenvolver os fundamentos da biologia evolutiva junto ao jovem galês Alfred Russel Wallace, Darwin publicou sua monumental obra “Origem das Espécies” em 1859, confirmando uma das importantes premissas outrora postulada pelo naturalista francês Jean Baptiste de Monet - Chevalier de Lamarck:
“A evolução é um processo lento e gradual.”
Então Lamarck, Darwin e Wallace perceberam o gradualismo como o desenrolar da evolução orgânica ao longo do tempo. Na “origem das espécies” o autor tímido, doente e distante da sociedade descreve mais de uma vez a seguinte frase em latim, questionando o saltacionismo:
“Natura non facit saltum.”
“A natureza não facilita saltos”. Com admirável erudição, Darwin reforça o princípio de que não há evolução sem um longo tempo de mudanças nos atributos ao longo das gerações. Em suma, a chance de mutantes-super-poderosos nascerem a partir de apenas uma geração de progenitores é muito improvável na biosfera.
O distante Darwin e o ousado Wallace são heróis de fato, e hoje ambos fazem parte do meu panteão particular de referências. Wolverine, entretanto, fez parte de minha adolescência, e sempre estará comigo.
Referências:
Darwin. C.R. A origem das espécies. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
Fernandez, F. O poema imperfeito: crônicas de biologia, conservação da natureza e seus heróis. Curitiba. Editora da UFPR, 2005.
Santiago, E. Conheça os maiores inimigos do Wolverine nos quadrinhos. Terra. 2022. Disponível em: < https://epipoca.com.br/conheca-os-maiores-inimigos-de-wolverine-nos-quadrinhos/ > . Acesso em: 03-03-2024.
Valva, F.D. & Diniz-Filho, J.A.F. Histórico do pensamento evolucionista, Número I. Goiânia: UFG-ICB, 1998.
Wolverine. Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Wolverine > . Acesso em: 03-03-2024.
Dr. Daniel Blamires. Docente UEG-Iporá.

Nenhum comentário:
Postar um comentário